“Lições que tô tentando aprender, mas tá foda”

  1. Cale a boca. Não adianta falar, não adianta se explicar, não adianta porra nenhuma. Cale a boca. Só exponha seus sentimentos, opiniões e suas vivências o mínimo necessário pra maioria das pessoas.
  2. Quando falar, tente se expressar da melhor maneira possível, mas saiba que as pessoas só entendem aquilo que elas querem entender. Tente não ficar puta se distorcerem o que você quis dizer.
  3. Não espere NADA das pessoas. Nem da sua família, nem dos seus amigos, nem de ninguém. Nem o mínimo. Você vai se frustrar e vai ser uma merda.
  4. Você não pode mudar como as pessoas se sentem em relação a você, pensam de você ou falam de você. Se isso acontecer, vai ser independentemente da sua vontade. Simplesmente pare de se importar com o que elas sentem, pensam e falam. É melhor.
  5. Ninguém sabe sua verdade. Só você. Não perca seu tempo tentando convencer os outros da sua boa intenção. As pessoas só entendem e só acreditam naquilo que elas querem.
  6. As pessoas não vão ser com você como você é com elas e muito menos como você desejaria que elas fossem. Algumas vezes elas vão ser injustas e até mesmo desumanas. Não deixe isso te machucar.
  7. Não deixe que a opinião dos outros te façam sentir mal consigo mesma.
  8. Tire forças das puta que pariu pra não passar o dia inteiro na cama deprimida. Mas tente se perdoar quando você não conseguir.
  9. Continue dando seu melhor. Já tem merda demais no mundo e mesmo que o universo inteiro seja filha da puta com você, não seja filha da puta com o universo.
  10. Quando você achar que não aguenta mais e desejar do fundo do coração simplesmente se tornar incapaz de sentir qualquer coisa, respire fundo, chore pra caralho, escreva, faça o que você precisar fazer e então continue seguindo em frente. Uma hora melhora.

Acho que é isso. Tô tentando… Tá difícil, mas eu tô tentando…

Expectativas: é possível não tê-las?

Escrevi este texto há alguns dias atrás, mas estava sem internet pra postar. Better late than never, né? Pois então está ai…

Será que é mesmo possível não criar nenhuma expectativa sobre as pessoas? Me peguei pensando sobre isso depois de sofrer uma verdadeira série de decepções nas últimas semanas. Sempre fui “defensora e ativista” ferrenha da idéia de que devemos sempre tentar ser pessoas melhores pra nós mesmos e para os outros, ainda que eles sejam ingratos conosco. E isso não mudou e nem vai mudar. É algo que já faz parte de mim mesma e que, apesar de já ter comido o pão que o diabo amassou diversas vezes na vida, é algo que simplesmente não deixa de ser válido e positivo ainda que muitas pessoas insistam na ingratidão.

Como eu estava falando, meu questionamento se deu na ordem do: é possível não esperar nada do outro? A gente vive dizendo e ouvindo frases prontas sobre como não devemos criar expectativas, ou ainda que não devemos esperar que o outro seja conosco como gostaríamos que ele fosse. Mas, será que é possível? Será mesmo que é possível dedicar nosso tempo, nosso afeto, nos importarmos de verdade com o outro, ajudá-lo sempre que possível e não esperar simplesmente por nada? Não esperar nem um pinguinho de respeito, de consideração, de “crédito”? Será mesmo que é possível não esperar absolutamente nada?

Confesso que não sei. Talvez a resposta seja: sim é possível – e eu simplesmente nunca aprenda a colocá-la em prática. Vai saber! Só sei que vou continuar dando meu melhor pra mim mesma e pras pessoas à minha volta. Se elas não tem nada de bom pra me dar, paciência. Cada um dá aquilo que tem…

“Um dia a vida me bateu com tanta força que me ensinou a resistir. Um dia, mentiram pra mim de tal maneira que me doeu e, então eu aprendi a sempre seguir em frente com a verdade. Um dia me falhou quem eu menos imaginava e entendi que as palavras devem ser cumpridas e os atos assumidos. Ás vezes, é preciso virar a página e começar do zero, embora custe ou doa… O melhor guerreiro não é quem sempre triunfa, mas quem volta sem medo à batalha”.

O prédio

Ser feliz é mais difícil e complexo do que a infelicidade.
Ser infeliz é fácil. Ser feliz requer esforço, trabalho árduo e, acima de tudo: acreditar.
É preciso acreditar que a felicidade é possível e que você é o principal instrumento para se aproximar dela.
Parece óbvio, parece fácil. Mas não é.
Percebo uma rachadura na parede e logo penso que ela será a responsável por fazer o teto cair sobre minha cabeça.
Transformo a rachadura num problema estrutural e condeno o prédio inteiro.
Como você pode dizer que essa rachadura é só uma rachadura quando eu tô vendo que é ela que, lá na frente, vai ser causadora do desabamento?
O prédio não vai desabar! Eu não aceito!
Eu dediquei os melhores materiais e profissionais pra construção dele, eu dei tudo de mim para que este prédio permaneça de pé!
Eu não vou deixar que ele simplesmente caia, como se o meu esforço tivesse sido insuficiente ou inadequado!
Eu vou demolí-lo!
Eu vou colocar esse prédio abaixo!
Se eu o construí, então que seja eu quem deliberadamente o destrua!

Não me abandone, já fui abandonada demais. Se alguém for abandonar, que seja eu!
Mas eu não quero abandonar. Eu não quero que o prédio desabe. Eu não quero demolir o prédio.
Só que eu não consigo simplesmente ver as rachaduras como rachaduras. Elas me parecem aterrorizantes problemas estruturais.
O prédio está condenado, você não percebe?
Me jogo aos teus pés e tento te explicar aquilo que nem eu mesma entendo.
Ou melhor, que entendo muito bem, mas que não sei o que fazer com isso que sei.
Não é assim tão fácil compreender algo e simplesmente fazer diferente.
É como se fosse uma tatuagem que tá na gente e a gente vai fazendo as sessões pra remover.
A cada sessão ela vai ficando mais clara, mas a cicatriz pra sempre vai ficar lá.
Às vezes a gente pode até tatuar por cima, criando outra ferida mais “bonita” por cima daquela cicatriz.
Mas ela vai sempre estar lá, entende?
Ela nunca vai embora.
E eu sinto muito por todas minhas cicatrizes e por todas as feridas que elas te provocam.

Desabar ou demolir?
Nenhum dos dois…
Eu quero manter o prédio de pé! Você me ajuda?

Sonhos e solidão

Tá chovendo lá fora e eu estou aqui no quarto sozinha. Mas na verdade parece que tem uma multidão aqui ao meu lado. Nos últimos dois dias (por algum motivo que eu ainda não consegui identificar) fui tomada por uma tristeza imensa e uma overdose de pensamentos e sonhos confusos.

Tá frio, desligo o ventilador. Você não está aqui pra me aquecer. Deito, durmo, sonho e acordo. Olho ao redor, tudo está do mesmo jeito. Parece que nada mudou. Ligo o ventilador, acordei suada, talvez tenha sido o sonho (sonho que você não entende, que é confuso, que não é bom nem é ruim, ainda tem o direito de se chamar sonho?).

A cada adormecer, um sonho diferente, uma realidade diferente, uma pessoa diferente. A cada acordar uma sensação estranha de que alguma coisa mudou, de que eu precise fazer alguma coisa. Mas o que mudou? O que precisa ser feito? Até onde o que eu sonhei foi apenas sonho ou lembranças do que aconteceu? Não consigo diferenciar.

Acordo e não consigo me lembrar o que sonhei. É como se restasse apenas um fino traço marcado no papel. Olho, olho, olho… Não me lembro, não consigo completar a figura. Não consigo resolver o enigma. Resta apenas uma sensação esquisita aqui dentro resultante do que eu sonhei. Uma sensação que eu não sei o que é, de um sonho que eu não sei o que foi, de uma realidade que eu não sei se mudou, de algo que eu não sei o que precise ser feito.

Minhas manhãs estão cada vez mais confusas e eu estou aqui sem você.

A realidade da escrita

Tive que tomar muita coragem pra escrever aquilo. Já pensei várias vezes, já falei pra mim mesma baixinho quando estava sozinha, mas nunca tinha escrito. Até agora. É como se, escrevendo, tudo se tornasse real e eu tivesse que fazer algo sobre isso. Tomar algum tipo de atitude, de decisão, não sei. E eu não quero decidir nada e nem fazer nada. Mas ao escrever eu estou produzindo uma prova concreta contra mim mesma. Se alguém encontrar aquelas palavras e lê-las, saberá como eu realmente me sinto, como eu realmente penso, e isso poderia provocar sérias consequências. Apesar de serem um pouco antagônicos, a minha vontade e o meu desejo estão convivendo relativamente bem. Às vezes o desejo fala mais alto, mas a vontade consegue transformá-lo em palavras para que ele não vire uma ação. Espero estar à salvo de mim mesma, das minhas palavras e dos meus pensamentos.

Vou picotar tudo aquilo que escrevi.

Pressa

Eu tenho muita pressa de resolver as coisas e acabo piorando. Na minha pressa, tiro conclusões precipitadas, não penso direito, ajo por impulsividade e acabo sendo destrutiva. Na minha pressa eu acabo criando um problema que somente eu achava que existia. E o problema que originou tudo quase sempre acaba se mostrando inexistente, o que resta é apenas o problema que eu criei por conta do problema que eu achava que existia. Muito “problema”, né? Pois é.

Eu só sinto que o que tá me incomodando, que eu tenho a dizer é muito importante e não pode esperar, que eu preciso ser ouvida, que o que eu to sentindo precisa fazer sentido pro outro também e que o outro precisa me dar o retorno que eu espero diante do que eu falei. É como se eu já tivesse esperado tanto, tivesse deixado de ter tanta coisa que eu deveria ter tido que eu simplesmente quero tudo de uma vez e rápido. E nunca consigo me dar por satisfeita. Parece que quando tá tudo bem, eu vou lá e acho um jeito de encontrar defeito e criar um problema. É como se eu não conseguisse simplesmente aproveitar os momentos felizes. Tem sempre alguma coisa faltando ou alguma coisa que não foi bem como eu idealizei que fosse. Aí eu pego essa coisa que tá faltando ou que não foi como eu idealizei e coloco todo meu foco nela. Fico pensando, pensando, pensando, arrumo um montão de “motivos” pra que aquilo que eu tô sentindo seja uma queixa válida de ser feita pro outro. Aí eu vou lá e peço, cobro, exijo, demando, argumento mil coisas querendo ter razão e, quando a coisa fica feia, até esperneio.

E quando eu esperneio… Na hora, perder a cabeça é até “bom”. Falar um monte de merda, fazer um monte de merda, libertar o selvagem, o louco, o incompreensível, o que há de mais sem sentido de dentro de você e simplesmente vomitar tudo, um monte de sentimento ruim, arrancar de dentro de você certas coisas. Por mais horrível que seja, é um momento em que eu me sinto livre de certa forma. O problema é que o que eu tô colocando pra fora não é realmente aquilo. O sentimento sofreu um deslocamento. Aquilo que REALMENTE originou aquele sentimento todo, encontrou um destinatário diferente daquele de origem, do remetente. E aí eu perco a cabeça e vomito tudo isso usando pessoas e situações que não tem nada a ver com o que realmente me machucou. E aí o que acontece? Eu crio mais um belo de um problema pra mim.

É tudo uma grande bola de merda. E hoje eu cheguei num ponto em que eu verdadeiramente cansei disso. Não dá mais pra ser assim. Não dá mais pra existir desse jeito. Não funciona. Não é bom. Não me ajuda. Não ajuda ninguém que tá perto de mim. E ainda afasta as pessoas. Eu já tenho problemas demais “na vida real” pra eu ficar criando ainda mais problemas pra mim, sejam os problemas que eu imagino que existam, sejam os problemas que surgem decorrentes da minha forma estúpida de agir.

Eu sei bem o motivo de eu ser assim, a origem desse sentimento todo. Mas mesmo que eu tenha todos os motivos e justificativas do mundo pra ser assim e pra agir assim, eu não preciso ser assim. Eu preciso urgentemente fazer diferente e mudar o rumo da minha história. Preciso parar de ser um mero reflexo “do que fizeram comigo” e passar a ser alguém melhor “apesar do que fizeram comigo”.

Não sei exatamente como eu vou fazer quando a coisa emergir e as idéias apertarem minha cabeça criando um problema que não existe. Eu só sei que eu cansei. Eu só sei que essa pessoa que age desta forma não sou mais eu. Parei de apenas querer ser diferente e simplesmente vou ser diferente. Nem eu e nem as pessoas que eu amo merecem isso. Chega.