Estudo americano comprova: bater não educa – entenda por quê

Fonte da imagem: Rigueira Advocacia

Um estudo divulgado dia 07 de abril de 2016 no Journal of Family Psychology da American Psychological Association comprovou em números aquilo que muitos psicólogos defendem há tempos: bater não é uma forma de educar e ainda pode deixar uma série de sequelas no seu filho(a).

Se a palmada é útil ou não na educação das crianças, sempre foi tema constante de debate entre estudiosos e público. Pensando nisso, os pesquisadores Elizabeth Gershoff e Andrew Grogan-Kaylor iniciaram sua pesquisa. Os autores, se propuseram a abordar 2 questões persistentes sobre o tema: se os efeitos da palmada são distintos dos efeitos de um abuso físico; e se os efeito da palmada por si só é consistente para estudar diferenças.

“Nossa análise se concentra no que a maioria dos americanos reconhece como palmada, e não como comportamentos potencialmente abusivos”, disse Gershoff . A “palmada” foi definida pelo estudo como um tapa de mão aberta nas nádegas ou membros.

Meta-análises voltadas especificamente para a palmada foram realizados e identificados um total de 111 efeitos negativos com 160,927 crianças que foram acompanhadas por 5 décadas. Destes efeitos, 17 efeitos principais foram identificados. Além disso, 13 dos 17 efeitos principais indicaram uma ligação direta entre as palmadas e aumento do risco para o desenvolvimento de comportamentos agressivos, dificuldades cognitivas e escolares, psicopatologias e comportamentos antisociais.

Fonte da imagem: Poder Judiciário do Mato Grosso

Pra se ter uma ideia do quão prejudicial é a palmada, os resultados da pesquisa mostram que a magnitude dos efeitos não diferem substancialmente entre as palmadas, as surras e o abuso físico.

E a coisa piora: quanto mais frequentemente uma criança apanha, mais chances ela tem de desenvolver os efeitos descritos. Além disso, adultos cujos pais haviam batido neles também foram mais propensos a apoiar a surra e perpetuar o castigo físico para os seus próprios filhos, gerando um ciclo de violência e de prejuízos no desenvolvimento afetivo e pessoal.

Os pesquisadores enfatizam ainda que muitos pais estabelecem uma distinção clara entre surras benéficas e abuso físico prejudicial. No entanto, o que os estudos mostram é que tanto a surra quanto o abuso apresentaram resultados negativos nas crianças, quase no mesmo grau.

Fonte da imagem: Nerd Pai

Frequentemente os pais batem nos seus filhos como uma forma de reduzir o comportamento indesejável e aumentar o comportamento desejável. Buscando saber se a agressão parental (palmada) diminui a agressão na criança, a resposta encontrada foi categórica: NÃO. Na verdade, as palmadas tendem a aumentar a agressão infantil. “Uma palmada serviu de aumento na agressividade das crianças acima dos níveis iniciais [de comportamento agressivo]” e “em nenhum desses estudos longitudinais mostrou que as palmadas preveem reduções em agressividade das crianças ao longo do tempo”. Ou seja: bater, ao invés de ajudar, atrapalha.

E esta não é a única pesquisa científica que comprova todos estes achados. Outra pesquisa, com mais de 36 mil participantes, chegou à mesma conclusão sobre os efeitos prejudiciais das agressões físicas. Além disso, uma série de outras pesquisas mostram que uma infância com castigos corporais aumenta a chance de um casamento com castigos corporais. Isso tudo porque o famoso ‘tapa de amor’ ou ‘tapa para educar’ se mostra uma contradição da pior espécie: o perigo de fazer a conexão entre amar e machucar as pessoas deveria ser evidente e perpassa as relações familiares para os relacionamentos conjugais.

“Quem bate em um filho dizendo que foi por amor, está ensinando a ele que é perfeitamente possível apanhar e, ainda assim, amar. E -sim!- esse pode ser um dos reforçadores da violência doméstica futura, ou da criação de laços amorosos doentios. baseados na violência.” (Sena & Mortensen, “Educar sem violência”, Editora 7 Mares, p. 73)

O blog Crescer Sem Violência, é uma fonte muito rica de diversos estudos e reflexões sobre esta temática. Além disso, em outra postagem do blog, falamos um pouco sobre o estudo de uma pediatra sobre como os traumas de infância afetam a saúde ao longo da vida por um ponto de vista para além do psicológico (porém, estabelecendo uma relação inevitável com este) mostrando efeito s biológicos destas vivências.

Fonte da imagem: Cientista que virou mãe

“Eu apanhei dos meus pais.”
“Eu bato nos meus filhos.”
E agora?

Esta é uma questão delicada. Muitos adultos que apanharam e que batem em seus filhos argumentam que isso não lhes atrapalhou e que os fez serem pessoas “direitas”. Porém, a experiência clínica nos mostra o contrário. Ter apanhado dos pais em maior ou menor grau, gera uma série de efeitos em nosso psiquismo, tão diversos quanto a própria diversidade humana. Isso acontece porque cada um tem sua história e a vive de maneira única, dando seus próprios significados. Enquanto o “efeito colateral”, por assim dizer, da palmada em uma pessoa foi a dificuldade de confiar no outro; em outra, pode ser agressividade; em outra, depressão; em outra, a busca por relacionamentos abusivos. O trabalho psicológico se mostra como uma forma de poder entrar em contato com estas questões, compreendendo-as e poder encontrar novas possibilidades de ser para além destas vivências e apesar destas vivências.

Por essas e outras, fica nítida a importância de poder trabalhar não apenas na vida adulta, mas também na infância/adolescência estas e outras experiências, num movimento de cuidado, prevenção e promoção de saúde às crianças, adolescentes, adultos e também de seus cuidadores. A saúde não deve ser vista de uma forma isolada. Ela envolve nosso corpo, nossa mente, o mundo em que vivemos e as relações que estabelecemos. É com isso em mente que podemos cuidar melhor das pessoas e sermos pessoas mais saudáveis.



ATENÇÃO: O conteúdo deste site é de caráter informativo. Se você precisar de ajuda especializada, não hesite: entre em contato com um(a) profissional da sua cidade. Sempre que for utilizar algum texto de minha autoria, o faça em formato de citação, com os devidos créditos e link para a postagem original.

Congresso Nacional de Microcefalia – On-line e gratuito!

Gostaria de convidar todos os interessados no tema a participar do Congresso Nacional de Microcefalia. Um evento organizado com intuito de prestar serviço às famílias de crianças com microcefalia, levando informações de grande relevância tanto para essas famílias quanto para os profissionais que contribuem ou que poderão vir a contribuir com o desenvolvimento destas crianças. A organização do evento está sendo realizada pela psicóloga e neuropsicóloga clínica Eliana Almeida, profissional extremamente competente que tive a sorte de ter tido como minha professora e que também é sócia fundadora do NANAP (Núcleo de Avaliação Neuropsicológica e Acompanhamento Psicoterapêutico) que se localiza em Recife.

Data: 09 a 15 de maio de 2016
Horários: 14h00, 17h00 e 20h00
Local: ON-LINE!
Investimento: GRATUITO!
Certificado: Sim, de 30 horas
Inscrições: http://www.congressomicrocefalia.com.br

Bônus: ao se cadastrar, você ainda recebe gratuitamente um e-book sobre Microcefalia com uma série de informações diagnósticas, tipos de microcefalia, cenário atual, causas primárias e secundárias, principais comprometimentos, entre outros.

Aproveitem essa oportunidade!

Nathálya Calina



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Jaulito: reflexões de um curta sobre a liberdade

“Jaulito” é uma animação espanhola lançada em 2008. Foi selecionada entre as finalistas do concurso de melhor curta-metragem de animação da Espanha no Artfutura de 2009. É dirigido por Javier de la Torre. Jaulito nasceu trancado em uma gaiola. Um dia ele consegue escapar com ajuda de um corvo, mas jamais imaginou que a gaiola que tirava sua liberdade, era a mesma que lhe ajudava a viver. (Trecho retirado da descrição do vídeo)

Estava Pensando…

Jaulito nasceu preso em sua gaiola, no entanto ele não sabia o quanto as grades que o prendiam eram frágeis – até mesmo um corvo poderia quebrá-la facilmente. Mesmo assim, ele permanecia ali. Afinal, o que realmente prendia Jaulito? De repente, o corvo quebra uma das hastes e ele sai para o mundo. No entanto, seu coração permanece na gaiola, pois este sim estava preso por uma corrente, muito mais resistente, e então Jaulito morre. Por fim, o corvo se alimenta dele.

O que realmente nos prende no lugar em que estamos? São as grades? Ou nosso coração, nossa mente, nossas emoções, valores e sentimentos que atribuímos às nossas gaiolas? Se Jaulito conhecesse bem seu cárcere, saberia que seu coração estava preso por elos muito mais fortes e que não bastaria simplesmente sair dela para estar realmente livre.

Além disso, a animação também pode servir de ilustração para a máxima que sempre ouvimos e repetimos durante a graduação em Psicologia: nem sempre eliminar o sintoma é bom: o sintoma pode ser justamente o que está sustentando o sujeito. Forçar alguém a sair da gaiola (tentando eliminar o sintoma) pode ser justamente o que o faz padecer (gera uma grande crise). Por isso o trabalho psicológico é tão delicado e tão pessoal. Cada pessoa, cada experiência, cada vivência, cada história é única e merece um olhar diferenciado.

Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso – nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro… há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. – Clarice Lispector em carta para sua irmã em 1947

Uma outra forma que pensei essa animação é olhar para a gaiola como uma psicopatologia. Suponhamos que a gaiola seja a um TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo): no íntimo, racionalmente, sabemos que se deixarmos de ligar e desligar o interruptor 12 vezes antes de sair de casa, nada de ruim acontecerá; mas por algum motivo nos sentimos aterrorizados com a hipótese de não fazer mais aquilo. Porque? Porque não é a grade que nos prende – aquilo que é visível e palpável, a “razão”, a “lógica” -, mas sim o nosso coração, nossa mente – que opera a partir de outros tipos de “razões” e “lógicas”.

No final, o corvo que libertou Jaulito se alimenta dele. Fiquei me perguntando: será que foi tudo um plano? Como uma animação de apenas dois minutos é capaz de nos fazer refletir tanto, não é mesmo? E você? O que esse vídeo te fez pensar?


Encontrei o vídeo através do site CONTI outra.



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Telefones Importantes

Ilustração de A + E = Balbusso

A partir de hoje o site consta com uma página fixa que pode ser acessada pelo menu que fica logo acima das postagens, intitulada “Telefones Importantes“. Lá é possível ver uma listagem de números de ligação gratuita para quem precisar de ajuda, informação, orientação, encaminhamento, ou até mesmo fazer algum tipo de denúncia e reclamação. Coloquei também uma breve descrição de cada serviço para facilitar a compreensão e também para ajudar aqueles que possam utilizar alguma ferramentas de busca.

Há mais algum telefone que você considera importante para constar na lista? Então faça um comentário com sua sugestão. Ela pode ajudar alguém!



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Como vocês conheceram o “Estava Pensando…”?

Como eu contei pra vocês no post “Um recomeço para o blog“, este cantinho teve um recomeço radical. Mas até mesmo antes de eu dar essa repaginada, quando já estava há um bom tempo sem escrever por aqui, surgiu um monte de novos leitores na nossa página do Facebook. Desde então eu me pergunto: como vocês conheceram o blog? Sei que alguns são antigos, alguns apareceram quando o blog estava parado e alguns surgiram agora neste novo momento. Então eu gostaria de conhecer um pouco melhor vocês e saber o que vocês pensam! Esta pesquisa também já está há algum tempo na lateral esquerda do blog. Então, se vocês puderem respondê-la, fico grata! É bem pequenininha! ;)

Abraços,

Nathálya Calina



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E se as pessoas julgassem as doenças físicas da mesma forma que julgam as doenças mentais?

A doença mental sempre provocou certa inquietação nas pessoas em geral por uma série de motivos. Pelo que observo, vejo que algumas pessoas, por desconhecimento, podem adotar uma postura mais cética e pouco empática com aqueles que se encontram tomados por alguma psicopatologia. É como se o outro fosse um estranho que eu não consigo me aproximar. Outras pessoas acreditam que tais doenças têm origens espirituais e limitam sua compreensão, dando todo o tipo de conselho e orientação nesta direção. Alguns ainda acham que há uma supervalorização do sofrimento psíquico e que, com uma boa dose de boa vontade, é possível ficar curado.

Bem, seja de que forma for, certamente quem trabalha, conhece ou convive com alguém que já teve ou que tem uma doença mental, já ouviu ou até mesmo deu algum conselho com (na maioria das vezes) o intuito de ajudar. Porém, alguns destes acabam explicitando a falta de empatia e de compreensão sobre a vivência de quem vive com alguma psicopatologia. Foi pensando nisso que o site Robot-Hugs criou uma tirinha que satiriza esta situação. Ela coloca pessoas que estão fisicamente adoentadas recebendo o mesmo tipo de conselho que as pessoas que estão mentalmente adoecidas recebem. A tirinha foi originalmente publicada em inglês e pode ser encontrada aqui. Abaixo segue a tradução que fiz para o português.

Créditos da imagem: Robot-hugs

Bem, “mas e agora?”, você me pergunta, “o que eu falo, então?”. Bom, você pode começar por simplesmente ouvir o que a pessoa tem a dizer sobre a vivência dela. Você pode e deve aconselhá-la e a orientá-la a pedir ajuda profissional. Mas não porque “ela é doente e precisa de conserto”, mas sim porque ela está sofrendo e precisa de ajuda. Com uma boa ajuda psicológica profissional (e como boa, não entenda cara, pois há muitos serviços de saúde públicos que também contam com profissionais de qualidade) e, se necessário, alguma intervenção medicamentosa devidamente receitada e manejada por um psiquiatra, além do apoio de familiares e/ou amigos, ela estará amparada e com mais condições de lutar contra o que lhe causa sofrimento. Não indique um medicamento que “funcionou com ‘fulana'” e nem crie fantasias porque “o medicamento tal é ruim, pois deixou ‘sicrano’ ‘assim e assado'”. Cada pessoa é única, bem como cada organismo. A necessidade e o manejo das medicações deve ser feito apenas pelo profissional capacitado a isto, que é o psiquiatra.

O blog Falando Sobre Saúde Mental é uma indicação bacana tanto pra quem está sofrendo com uma psicopatologia, como para quem conhece alguém que esteja sofrendo e que gostaria de entender um pouco e saber como ajudar. Na postagem Seja um Aliado, a Larissa (autora do blog) fala justamente sobre como poder ajudar alguém que conhecemos.



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Como os traumas de infância afetam a saúde ao longo da vida

Fonte da imagem: TED

Navegando pelo TED há alguns meses, me deparei com esta apresentação da pediatra Nadine Burke Harris. Ela me tocou muito profundamente, pois deixa mais do que explícita a urgente necessidade de cuidarmos de nossas crianças. A pediatra explica que o stress infantil constante de abuso, de negligência, de pais lidando com problemas de saúde mental ou de abuso de substâncias tem efeitos reais e tangíveis no desenvolvimento cerebral. Os desdobramentos afetam a vida de tal forma que, aqueles que experienciaram altos níveis de trauma, têm três vezes mais chances de ter doenças cardíacas e câncer de pulmão, além de uma redução de 20 anos em sua expectativa de vida. Ela ainda explica que a correlação entre tais vivências e os problemas de saúde nada têm a ver com os comportamentos de risco (que poderiam ter sido adotados por conta de tais vivências), mas sim que a repetição e intensidade de tais vivências afetam profundamente a forma do nosso próprio corpo de funcionar.

“Altas doses de adversidade não apenas afetam a estrutura e as funções cerebrais, mas também o sistema imunológico em desenvolvimento, o sistema endócrino em desenvolvimento e até a forma como nosso DNA é lido e replicado.” – Nadine Burke Harris

Os estudos conduzidos por ela tiveram inspiração no Estudo de Experiências Adversas na Infância, conduzido por Dr. Vince Felitti na Kaiser, e pelo Dr. Bob Anda no CDC com 17.500 adultos.

Juntos, eles perguntaram a 17.500 adultos sobre seu histórico de exposição àquilo que chamaram de “experiências adversas na infância”, ou EAI, que incluem violência sexual, física ou emocional; negligência física ou emocional; doenças mentais, dependência química ou prisão dos pais; separação ou divórcio dos pais; ou violência doméstica. Para cada “sim”, você recebia um ponto no seu quadro de EAI. Então, eles correlacionaram as pontuações de EAI e os resultados na saúde. O que eles descobriram foi impressionante. Duas coisas: primeiro, as EAIs são incrivelmente comuns. Sessenta e sete por cento da população tinham pelo menos uma EAI, e 12,6%, uma em cada oito, tinham quatro ou mais EAIs. A segunda coisa que descobriram foi que havia uma relação entre as EAIs e os resultados na saúde: quanto maior a pontuação de EAI, piores os resultados na saúde. Para uma pessoa com uma pontuação de EAI de quatro ou mais, o risco relativo de doença obstrutiva crônica dos pulmões era 2,5 vezes maior que o de alguém com uma pontuação zero de EAI. Para hepatite, também era 2,5 vezes maior. Para depressão, era 4,5 vezes maior. Para o suicídio, era 12 vezes maior. Uma pessoa com uma pontuação de EAI de sete ou mais tinha três vezes mais risco de morrer de câncer de pulmão e 3,5 vezes mais risco de isquemia cardíaca, a principal causa de morte nos Estados Unidos. – Nadine Burke Harris

Muitos pais ainda têm receio de levar seu filho à um psicólogo ou ainda de perceber e aceitar que talvez não estejam executando bem o seu papel de cuidadores, descarregando na criança toda a sorte de frustrações e raiva. No mundo em que vivemos, muitas vezes parece que está cada vez mais difícil estar presente de forma positiva na vida familiar.

O relacionamento com os nossos cuidadores são a nossa primeira experiência social, de amor, de afeto, de apego que temos em nossas vidas. A partir destas experiências criaremos determinadas formas de ser e de existir, de nosso funcionamento, pensamento, comportamento, entre outros. Não é à toa que, quando há problemas neste relacionamento, muitas vezes não conseguimos nos sentir tão bem com nós mesmos, com os outros e com o mundo à nossa volta.

Durante a vida adulta, lidamos com uma série de problemas e vivências outras que muitas vezes escancaram que a origem da dificuldade em lidar com certas coisas remonta à questões bem mais antigas. O trabalho psicológico se mostra como uma forma de poder entrar em contato com estas questões e poder encontrar novas possibilidades de ser para além destas vivências e apesar destas vivências, podendo também buscar quebrar a repetição que muitas vezes nos vemos presos.

Por essas e outras, fica nítida a importância de poder trabalhar ainda na infância/adolescência estas e outras experiências, num movimento de cuidado, prevenção e promoção de saúde às crianças/adolescentes e também de seus cuidadores. A saúde não pode ser vista de uma forma isolada, levando em consideração apenas a parte do corpo que está doente ou que não está funcionando tão bem. A saúde envolve nosso corpo, nossa mente, o mundo em que vivemos e as relações que estabelecemos. É com isso em mente que podemos cuidar melhor das pessoas e sermos pessoas mais saudáveis.



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“De dentro pra fora: retratos de crianças transgêneras” um projeto fotográfico de Sarah Wong

Fonte das imagens desta postagem: The Huffington Post e Buzzfeed

A fotógrafa holandesa Sarah Wong iniciou em 2003 um projeto de fotografia (que virou livro) intitulado “Inside Out: Portraits of Cross-Gender Children” – ou, numa tradução livre, “De dentro pra fora: retratos de crianças transgêneras” – que busca retratar crianças que mudaram ou que estão em processo de mudança de gênero por se identificarem com um gênero diferente do que lhes foi determinado por conta do seu sexo.

Para você conseguir entender um pouco sobre essa questão, precisamos tentar conceituar dois conceitos chave: gênero e sexo. O sexo se refere à nossa genitália (em geral o pênis e a vagina, mas ainda há casos de pessoas que nascem com sexo indeterminado, intersexo, entre outros). O gênero, de forma bem geral e resumida, se refere à como nos vemos, nos conceituamos e nos sentimos: homem, mulher, travesti, agênero, entre vários outros. Esta é uma temática bastante interessante e ampla de se conhecer, permitindo entrar em contato com as mais diversas formas de ser e de sentir. Pretendo explorá-la em postagens futuras aqui no blog, mas como a esta visa mostrar o belíssimo trabalho da fotógrafa, não gostaria de me deter muito no assunto, apenas explanar de forma breve para os que ainda não estão muito familiarizados com a temática.

Wong fotografou as crianças envolvidas com a VU University em Amsterdã que estão envolvidas em um tipo de terapia que busca dar suporte à crianças que vivenciam a disforia de gênero. Algumas delas tomaram ou estão tomando uma espécie de “bloqueadores de puberdade” que visam retardar os efeitos da mesma até que eles decidam como querem viver suas vidas. De acordo com Wong, dos 20% de crianças com disforia de gênero, apenas poucas vão tomar os bloqueadores de puberdade. Aos 16 anos elas podem tomar hormônios e aos 18 fazer cirurgia. A idéia dos bloqueadores é retardar a puberdade para que as crianças possam ter tempo de explorar seus sentimentos. Os efeitos são reversíveis; parando de tomar as drogas, seus hormônios naturais voltam à ativa naturalmente. O efeito a longo prazo destes bloqueadores ainda é desconhecido.

Apesar de todas as crianças fotografadas estarem envolvidas com a VU University, as fotos foram tiradas nos locais onde elas mais se sentiam confortáveis: em suas casas, escolas, aulas de balé, etc. Todas as fotografias tiradas podem ser encontradas no livro homônimo ao projeto, publicado em 2011 com textos da jornalista de pesquisa médica Ellen de Visser.
Link do livro na Amazon. 

The Huffington Post conversou com Wong neste mês de maio sobre as crianças das fotos e sobre sua experiência em documentar suas vidas. Abaixo, separei alguns trechos da entrevista feita com a fotógrafa:

THP: Qual era o seu objetivo/intenção ao fotografar estas crianças?
SW: Meu objetivos era ajudá-las a encontrar a felicidade. Com suas fotografias eu queria empoderá-las- sem nenhum tipo de sensacionalismo jornalístico. Não queria que fosse um garoto usando um vestido ou uma menina com uma bola de futebol. Quando pessoas viam as fotografias elas diziam, “que crianças adoráveis, quem são elas?” As fotografias mostravam crianças bonitas com uma consciência forte: isto é o que eu realmente sou. No final das contas, somos todos os mesmos – almas que querem ser felizes e viver com compaixão.

THP: Quais eram as experiências das crianças na clínica?
SW: As crianças tinham boas experiências por causa dos bloqueadores de puberdade. O maior pesadelo de uma criança transgênera é ver seu corpo se desenvolvendo na direção errada. Um menino não quer ter seios e uma menina não quer ter barba. Os bloqueadores de puberdade dão alívio e tempo para pensarem e poderem crescer como adolescentes normais.

THP: Porque, como fotógrafa, divulgar estas histórias e experiências é tão importante?

SW: Como uma artista, seu trabalho pode ter um grande impacto na opinião pública. Eu sempre fui muito ligada em identidade e compaixão e muitas vezes sentida como uma psicóloga ou uma detetive-profiler do que uma fotógrafa. (…) É muito importante que a sociedade veja estas imagens – não há nada sensacional sobre crianças transgêneras. Novamente, no final das contas somos todos os mesmos: almas que querem viver felizes e dar sentido à sua vida e à vida dos outros. Foi durante o projeto que eu subitamente entendi porque essas fotos eram tão incrivelmente importantes para as crianças. Nelas, elas mostravam quem realmente eram. As fotografias serviam como uma espécie de prova forense para elas. Na maioria das vezes, a fotografia serve para expressar as emoções e o ego do artista. Bem, durante este projeto, meu ego encolheu a cada sessão de fotos porque eu que estava em serviço deles. E eu gostei muito da idéia das fotografias serem usadas para um propósito maior. (…)

THP: O que você espera que as pessoas tirem destas imagens?

SW: Eu verdadeiramente espero que a audiência do The Huffington Post tenha compaixão na sua forma de olhar. Isso significa olhar com o coração – livre de emoções pessoais. (…) O primeiro médico a ajudar estas crianças era um pioneiro. Durante os finais de semana ele era diácono numa igreja. A razão pela qual ele queria ajudar pessoas trangêneras era por conta de sua forma compassionada de olhar para elas – não como um médico, mas como um ser humano.

Em uma postagem do Buzzfeed, encontrei algumas citações feitas por crianças e seus pais:

“Isto é o que eu sou. Se você não vai à público, você não pode esperar que a sociedade entenda.” – Uma das crianças
“Parecia que era como tinha que ser. Ainda assim, foi muito doloroso. Eu ganhei uma filha linda, mas perdi um filho lindo… A vida nunca vai ser fácil pra ela. Eu tenho medo que partam seu coração” – Parente
“A decisão mais importante da minha vida como mãe foi dar à minha filha a oportunidade de viver como um menino. Isso é o que ele realmente é. Eu o vejo mais e mais feliz a cada dia” – Parente
“As pessoas não acharam estranho quando comecei a me vestir como uma menins, elas pensaram que eu finalmente estava sendo que eu realmente era.” -Uma das crianças



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“Sofrimento faz parte da vida” – Jout Jout

Fonte da imagem: Site Mulher

Eu adoro os vídeos da vlogueira Jout Jout. Ela consegue falar das coisas mais simples às mais complexas da vida com uma leveza que só ela. E de um jeito bem engraçado também! A conheci através de um vídeo seu que se popularizou chamado “Não tira o batom vermelho” que fala sobre relacionamentos destrutivos. Também recomendo muito esse vídeo porque é incrível como ela consegue ‘dar um choque de realidade’ sobre uma temática tão complicada de uma forma leve e divertida.

Bom, o vídeo da Jout Jout que resolvi trazer hoje pra vocês se chama “Faz parte” e nele, ela fala sobre o sofrimento e o medo que temos de sofrer que é tão grande que faz com que a gente sofra por antecipação por coisas que nem aconteceram, mas que a gente tem medo que aconteça por medo de sofrer quando elas acontecerem! Louco, né? Mas como bem disse a Jout Jout: “o ser humano tá todo bagunçado”. Hahahaha

E você? Já deixou de fazer alguma coisa por medo de sofrer? Ou ainda pensou que ao fazer uma determinada coisa ia sofrer horrores, mas decidiu fazer mesmo assim e o final não foi tão ruim como você imaginava? Ou foi bem ruim mesmo? Você aprendeu algo disso? Porque você acha que temos tantomedo de sofrer? E porque será que algumas pessoas buscam o sofrimento à todo custo? Como encontrar o equilíbrio?

Hummmn, várias perguntas e aposto que vocês também tem várias respostas diferentes pra elas.



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