A realidade da escrita

Tive que tomar muita coragem pra escrever aquilo. Já pensei várias vezes, já falei pra mim mesma baixinho quando estava sozinha, mas nunca tinha escrito. Até agora. É como se, escrevendo, tudo se tornasse real e eu tivesse que fazer algo sobre isso. Tomar algum tipo de atitude, de decisão, não sei. E eu não quero decidir nada e nem fazer nada. Mas ao escrever eu estou produzindo uma prova concreta contra mim mesma. Se alguém encontrar aquelas palavras e lê-las, saberá como eu realmente me sinto, como eu realmente penso, e isso poderia provocar sérias consequências. Apesar de serem um pouco antagônicos, a minha vontade e o meu desejo estão convivendo relativamente bem. Às vezes o desejo fala mais alto, mas a vontade consegue transformá-lo em palavras para que ele não vire uma ação. Espero estar à salvo de mim mesma, das minhas palavras e dos meus pensamentos.

Vou picotar tudo aquilo que escrevi.

Pressa

Eu tenho muita pressa de resolver as coisas e acabo piorando. Na minha pressa, tiro conclusões precipitadas, não penso direito, ajo por impulsividade e acabo sendo destrutiva. Na minha pressa eu acabo criando um problema que somente eu achava que existia. E o problema que originou tudo quase sempre acaba se mostrando inexistente, o que resta é apenas o problema que eu criei por conta do problema que eu achava que existia. Muito “problema”, né? Pois é.

Eu só sinto que o que tá me incomodando, que eu tenho a dizer é muito importante e não pode esperar, que eu preciso ser ouvida, que o que eu to sentindo precisa fazer sentido pro outro também e que o outro precisa me dar o retorno que eu espero diante do que eu falei. É como se eu já tivesse esperado tanto, tivesse deixado de ter tanta coisa que eu deveria ter tido que eu simplesmente quero tudo de uma vez e rápido. E nunca consigo me dar por satisfeita. Parece que quando tá tudo bem, eu vou lá e acho um jeito de encontrar defeito e criar um problema. É como se eu não conseguisse simplesmente aproveitar os momentos felizes. Tem sempre alguma coisa faltando ou alguma coisa que não foi bem como eu idealizei que fosse. Aí eu pego essa coisa que tá faltando ou que não foi como eu idealizei e coloco todo meu foco nela. Fico pensando, pensando, pensando, arrumo um montão de “motivos” pra que aquilo que eu tô sentindo seja uma queixa válida de ser feita pro outro. Aí eu vou lá e peço, cobro, exijo, demando, argumento mil coisas querendo ter razão e, quando a coisa fica feia, até esperneio.

E quando eu esperneio… Na hora, perder a cabeça é até “bom”. Falar um monte de merda, fazer um monte de merda, libertar o selvagem, o louco, o incompreensível, o que há de mais sem sentido de dentro de você e simplesmente vomitar tudo, um monte de sentimento ruim, arrancar de dentro de você certas coisas. Por mais horrível que seja, é um momento em que eu me sinto livre de certa forma. O problema é que o que eu tô colocando pra fora não é realmente aquilo. O sentimento sofreu um deslocamento. Aquilo que REALMENTE originou aquele sentimento todo, encontrou um destinatário diferente daquele de origem, do remetente. E aí eu perco a cabeça e vomito tudo isso usando pessoas e situações que não tem nada a ver com o que realmente me machucou. E aí o que acontece? Eu crio mais um belo de um problema pra mim.

É tudo uma grande bola de merda. E hoje eu cheguei num ponto em que eu verdadeiramente cansei disso. Não dá mais pra ser assim. Não dá mais pra existir desse jeito. Não funciona. Não é bom. Não me ajuda. Não ajuda ninguém que tá perto de mim. E ainda afasta as pessoas. Eu já tenho problemas demais “na vida real” pra eu ficar criando ainda mais problemas pra mim, sejam os problemas que eu imagino que existam, sejam os problemas que surgem decorrentes da minha forma estúpida de agir.

Eu sei bem o motivo de eu ser assim, a origem desse sentimento todo. Mas mesmo que eu tenha todos os motivos e justificativas do mundo pra ser assim e pra agir assim, eu não preciso ser assim. Eu preciso urgentemente fazer diferente e mudar o rumo da minha história. Preciso parar de ser um mero reflexo “do que fizeram comigo” e passar a ser alguém melhor “apesar do que fizeram comigo”.

Não sei exatamente como eu vou fazer quando a coisa emergir e as idéias apertarem minha cabeça criando um problema que não existe. Eu só sei que eu cansei. Eu só sei que essa pessoa que age desta forma não sou mais eu. Parei de apenas querer ser diferente e simplesmente vou ser diferente. Nem eu e nem as pessoas que eu amo merecem isso. Chega.

Desejos

Enquanto eu abria o navegador pra escrever sobre algo que me veio à mente, me dei conta de que estaria prestes a escrever um texto sobre algo que desejo. Nem tudo que escrevo diz respeito à realidade no sentido factual das coisas (de escrever sobre algo que ocorreu), mas são verdades minhas, são situações ou sentimentos que me ocorrem, são desejos que certas coisas aconteçam, são saudades de coisas que não vivi, são vontades de viver coisas que não sei se vou viver. São, em sua maior parte, desejos.

Fiquei pensando sobre isso, sobre o fato de eu desejar tanto. Talvez só quem me conheça muito profundamente pode entender o que eu vou dizer a seguir, ou então quem vive de certa forma a dor que vivo, ou então talvez essas palavras te caiam como uma luva e te façam pensar em algo que eu não teria como prever. Eis a maravilha da escrita e das artes em geral: a gente produz pensando numa determinada coisa, mas no caminho da produção até o sentidos de quem recebe o que foi produzido, os caminhos se cruzam pela subjetividade do outro e ele recebe aquilo de uma forma única, dando seus próprios sentidos.

Sinto como se de alguma forma eu tivesse sido tolhida do meu direito de desejar. É como se, desde sempre eu sentisse um discurso pairando sobre mim que me limitasse, que me deixasse sempre num sentimento de insatisfação, de que eu nunca iria conseguir seja lá o que eu desejasse. E minha vida, na prática, acabou se mostrando como um grande obstáculo para a realização dos meus desejos.

Cognitivamente falando eu entendo que nunca estaremos satisfeitos, que nunca alcançaremos uma completude. A vida oscila, ela não é estável, as coisas estão sempre mudando, assim como nós mesmos, então não tem como atingir um estado que garanta um “preenchimento de todos os vazios” de modo ad eternum. A gente tem que reconfigurar a todo momento nossa forma de existir no mundo. Filosoficamente, cognitivamente falando, eu entendo isso.

Mas na prática, no íntimo, desejantemente falando, eu não consigo aceitar. É como se tanta coisa básica, essencial, primordial, tivesse sido roubada de mim, que aceitar o fato de que eu nunca vou poder ter aquilo que me foi negado (sob a forma de novas outras coisas) me parece uma grande injustiça. Eu quero tanto, eu desejo tanto, mas o discurso limitante sobre mim está sempre perto, me desanimando.

Parece que cada vez que conquisto uma coisa, perco duas. E que vai chegar uma hora que eu não vou ter mais nada pra perder e aí eu vou deixar de conseguir conquistar. Vou ficar sem fichas pra barganha da vida, sinto como se elas estivessem acabando. Tá cada vez mais difícil… Eu só sei que eu ainda desejo e que eu ainda tenho esperança de me libertar disso tudo. Eu só quero ser livre. Livre pra existir, livre pra desejar, livre pra conquistar…

Heading downstream till the levee gives in
And my dreams are wearing thin
All I need’s relief
I need, I need some simpathy

Look at me
I just can’t believe
What they’ve done to me
We could never get free
I just wanna be
I just wanna dream…

1, 2, 3, testando!

É como se tudo na minha vida fosse uma prova de resistência. É porrada atrás de porrada, lapada atrás de lapada. Mal dá pra recuperar o fôlego. É como se eu estivesse constantemente sendo testada: “Vamos ver até onde ela aguenta, dessa vez ela enverga e quebra!”.

Às vezes tudo resolve “me testar” ao mesmo tempo e eu me envergo quase em 90 graus pra aguentar o peso todo, tentando não quebrar e segurar a onda. Tudo fica especialmente difícil quando as pessoas que deveriam estar ao seu lado a vida toda te abandonam e te tratam como se você nem existisse. No começo você até corre atrás, reclama, pede, se oferece, mas tem uma hora que você simplesmente cansa. “Isso não deveria estar acontecendo, eu não deveria ter que me humilhar desse jeito”. E aí você se toca de que você simplesmente não pode ter a ilusão de achar que pode contar com eles.

Aí você para e percebe que, realmente, você é insignificante pra tais pessoas. Na verdade, parece que você é até um peso, por mais que você não encha o saco delas pra nada. Nada é bom, nada presta, te olham com aquela cara de cansaço, como se nem aguentassem mais sua presença. Ou então se resumem a existir na sua vida curtindo fotos e postagens de facebook, como se o papel deles fosse realmente apenas esse: virtual, pq quando a realidade bate na porta, eles não estão lá. E curtidas no facebook não são o que eu quero, muito menos o que eu preciso.

Mas tudo bem, nessa prova de resistência chamada vida, já me enverguei várias vezes, mas não quebro não. Se eu só posso contar comigo mesma, então, mais uma vez, serei eu mesma a responsável por sair de qualquer sombra que eu esteja. Eu vou conseguir o que eu quero apesar de todo abandono. Eu sou tudo que eu tenho, então tenho que ser boa pra mim, principalmente quando ninguém mais é.

“É que eu sou tal qual a vara bamba de bambu taquara: eu envergo, mas não quebro!”.

Um alívio: ainda bem que o amor existe. Sem o meu amor por mim e sem o amor de algumas pessoas que, ainda bem, insistem em me apoiar, nem sei como seria… O amor, todo ele, de todos os tipos, move o mundo…

Como eu queria…

Eu queria que você me amasse. Que você me olhasse com aqueles olhos que dizem que eu sou a coisa mais importante do seu mundo. Que eu sou o ser humano mais fantástico que você já conheceu e que você não quer e nem consegue imaginar nenhum dia da sua vida sem mim.

Eu queria que você me amasse… Intensamente. Avassaladoramente. Completamente. Por inteiro. Com todas as minhas qualidades e defeitos – que sei que são muitos. Queria, se possível, que você os amasse também.

Como eu queria que você me amasse! Como eu queria ser a única capaz de te tirar do sério e a única a te trazer a verdadeira paz. Como dói ver nos teus olhos que eu sou alguém que pode passar, que pode ir embora… Mas que também pode ficar, se quiser. Aí eu vou ficando, vou ficando… Porque eu quero. Porque eu gosto. Porque eu espero que, um dia, você me ame…

Textos, cadê?

Hoje eu me dei conta que fazia muito tempo que eu não escrevia por aqui. Pensando bem, faz tempo que eu não escrevo até mesmo em meu caderno pessoal. Toda minha escrita ultimamente se refere a textos teóricos, trabalhos da faculdade e estudos em geral. E as escritas despretensiosas por puro prazer? Ah, estas ficaram perdidas em meio à falta de tempo e acúmulo de obrigações. Como está difícil conciliar tudo! Minha carga horária de estágio está muito pesada e a faculdade está naquela tensão de final de semestre. E ainda tem quem faça aquela maldita pergunta: “ah, mas você estuda?”…

Nesta sexta tudo entra em recesso: estágio e faculdade. Terei 3 semanas pra relaxar e colocar a vida em ordem. Como estou precisando deste descanso! Nos fins de semana estou tão cansada que só quero saber de descansar. E acho importante respeitar isso. Quando a gente não se cuida e nem respeita nossas próprias necessidades, a coisa desmorona. Sei bem como é isso. Vivi na pele no começo deste ano e não estou afim de repetir o erro.

Este texto é só um mea culpa particular por ter deixado de escrever… Pra me redimir, a próxima postagem será um texto que escrevi há algum tempo e que tava esquecido no meu caderno. Espero que gostem!