Enquanto isso, em Recife…

Véi, amizades estão se acabando por causa de diferenças ideológicas desse ocupeestelita x Novo Recife. Foi impossível não pensar nesse meme! HAHAHAHAHAHAHAHAHA Tive que fazer!

Vamos discutir mais no plano das idéias e menos no plano pessoal, galera.

Amizades, relações e idéias

Na minha humilde opinião, um dos grandes problemas da humanidade é que as pessoas não sabem mais discutir idéias. Se eu discordo de fulano, o fulano não vai dizer pros amigos dele que a gente discordou. Vai dizer que eu sou uma safada, cachorra sem vergonha e que ainda por cima, não concordo com ele.

Um discordância ‘ideal’ é transformada em uma discordância ‘pessoal’. Aí é onde lasca tudo. Já perdi muitos ‘amigos’ e colegas por discordâncias de ideais justamente por eles fazerem essa mistura doida. Eu critico um ponto de seu pensamento e eu, que antes era uma amiga linda e sincera, viro uma puta invejosa. Se eu fosse contar pra vocês os mil ‘causos’ em que isso aconteceu comigo, eu ia passar o dia todo escrevendo.

Acho engraçado como o povo acha que amizade é sinônimo de ‘concordar com tudo que é dito’. Aí a partir do momento que tu discorda, tu vira um escroto, falso (e puta também, se for mulher). É curioso, é injusto, é foda. Mas é um fato.

O povo tem que sair dessa redoma de vidro que mamãe e papai colocou onde até o cocô do cidadão é lindo, cheiroso e um presente à humanidade e se ligar que tem milhões de pessoas no mundo que pensam diferente dele e que ninguém é necessariamente um filho da puta por causa disso.

Não pensem que essa ‘imaturidade ideológica’ é privilégio dos jovens. O que tem de ‘pessoas maduras’ que são ‘ideologicamente imaturos’ por aí, você não tem idéia…

O segredo pra mim é: concordar em discordar, tomar mais um gole de cerveja e mudar de assunto. O mundo é tão escroto, e poder chamar alguém de amigo é um privilégio tão grande, tão grande, que as pessoas deveriam valorizar mais isso ai ao invés de cagar amizades inteiras por uma discordância ideológica.

Eu só lamento por quem faz isso. Lamento e invejo. Porque queria eu ter tantos amigos assim pra me sentir no direito de sair jogando amizade no lixo por causa de merda. Felizmente/infelizmente eu não tenho sequer família e conto com menos de meia dúzia de amigos.

Vamos dar mais valor às pessoas, galera. Sério.

Refletindo sobre algo que li no facebook de uma colega

Vi uma diálogo no Facebook de uma colega (que eu até me meti por um tempo e depois saí por ver que não havia possibilidade de argumentação, que era mais um desabafo do que uma troca de idéias) e eu fiquei pensando sobre o assunto e resolvi sair escrevendo o que veio na minha cabeça como eu sempre faço. Deu nisso:

Eu até entendo pessoas de outras áreas dizerem que não sabem pra que serve a Psicologia, que psicólogo não serve pra nada, que não funciona, etc. Entendo por mil motivos: porque a Psicologia é uma ciência nova, porque ainda há muitos mal entendidos no senso comum sobre sua função, etc. O que me espantou agora foi ver estudantes de Psicologia prestes a se formar dizendo que ‘ psicólogo não serve lá pra muita coisa’, que ‘psicologia é mó bosta’ e coisas do tipo. E justificando tais afirmações com argumentos como: ‘eu tenho visão crítica’, ‘nossa atuação é tão dispensável que ela só veio a existir no século XX’.

Em primeiro lugar, se a pessoa realmente tivesse pensamento critico, não ficaria 5 anos num curso pra se tornar um profissional, segundo seu pensamento, ‘inútil’. Se o pensamento realmente fosse crítico, saberia que crítica não é apenas destrutiva, mas também é construtiva e buscaria uma forma de pensar o atual cenário de atuação psicológica para algo que achasse que fosse mais interessante.

Tão importante quanto um pensamento realmente crítico , é um pensamento ético. É também respeito pelos que trilharam o caminho da ciência. É respeito pelos profissionais que todo dia estão atuando, ralando para compreender e melhorar a vida das pessoas. É respeito pela ciência que cada vez mais se modifica e cresce para se adequar aos novos acontecimentos do mundo. É crítica, sim. É ética. É respeito. É participação.

Um(a) estudante que passa 5 anos numa universidade cursando Psicologia e abre a boca pra dizer que ‘Psicologia é mó bosta’, está corretíssima: Psicologia pra ela é a maior bosta mesmo. Ela tem que fazer outra coisa da vida urgente. E ter ética pra olhar pra si mesma e dizer: “eu não sou capaz de atuar como psicóloga”. E partir pra outra.

P.S.:  Os estudantes citados são da Federal. Pra você ver que universidade de renome não necessariamente garante bons (futuros-)profissionais. Ainda há tempo para que, quem sabe, eles revejam estes pensamentos e possam ser ‘úteis’ (já que pode ter sido ‘apenas’ um dia de revolta com a vida), ou então que escolham outra profissão.

Maybe I’m just a little girl… A little girl with great big plans!

Essa música fala tanto sobre mim e como me sinto com os últimos acontecimentos. Alguns podem achar uma loucura a nossa decisão de morar juntos ‘tão cedo’, mas quando a vida nos mostra que laços consanguíneos não garantem amor, segurança, proteção ou respeito, é necessário lutar por esses direitos através dos laços de amor que construímos com pessoas especiais que encontramos em nossa vida. Eu preciso começar a minha vida, lutar pelo meu espaço, começar a construir MINHA família, nem que ela tenha apenas dois integrantes. Eu preciso tentar! Já perdi tanto na minha vida… Desta vez, preciso perder o medo para construir algo pra mim. :)

“(…) I’m gonna live a crazy dream! Impossible as it may seem! Doesn’t matter what the future brings… I’m gonna live a crazy dream!

I wanna hold the whole wide world. Right here in my open hands. Maybe I’m just a little girl…. A little girl with great big plans! (…)

You tell me, “don’t try it”! I’m warning you that I won’t buy it! All failure is fleeting. I trust it always has its meaning. (…)”

Essas palavras que escrevo me protegem da completa loucura

Eu sei que meus textos do blog às vezes tocam em pontos desconfortáveis das pessoas e que, por isso, comentários são coisas raras. O que me deixa feliz pra caralho é quando as pessoas chegam pra mim em público ou particular e falam como se identificaram com meu texto, ou como meu texto as ajudou de alguma forma, ou ainda (e preciso confessar que isso me deixa nas nuvens) que me admiram.

As pessoas podem achar que o que estamos fazendo de nossa vida só interfere nela mesma. Ledo engano. Às vezes nossa vida serve de inspiração para outras pessoas. Às vezes nossas decisões fazem outras pessoas pensarem sobre as decisões que ela tomou. Às vezes um texto, um desabafo, é tudo que aquela pessoa queria dizer e não conseguia e a partir do momento que ela lê suas palavras e se identifica com elas, ela consegue entender melhor o que ela mesma estava sentindo e não conseguia explicar.

Meu blog fez 3 anos dia 22 de janeiro e eu não poderia estar mais feliz com a trajetória que fiz nele durante este tempo. Ele começou com um objetivo, depois foi se modificando, se moldando às minhas reais necessidades e virou uma espécie de diário público. Mas não aquele diário simplista e descritivo do cotidiano. Um diário de emoções, de exorcismos dos pensamentos, um diário super terapêutico pra mim. E, pelos comentários, emails e mensagens privadas que recebo, também é terapêutico para várias pessoas.

Se eu for parar pra analisar as visitas do meu site, teoricamente não são muitas. Mas, se você for parar pra ver são, em média, 150 pessoas que entram aqui diariamente, mesmo quando não há atualização, para ler sobre meus pensamentos, meus sentimentos, minhas idéias, minhas dúvidas, minha vida de modo geral. E eu acho isso um número bem significativo.

Eu não sei quem são vocês que me leem todos os dias. Mas eu queria dizer ‘muito obrigada’ por isso! Quando a gente fala sabendo que tem alguém ouvindo, a gente se sente melhor, mesmo quando só ouve de volta o silêncio. Obrigada por comentarem preocupados, obrigada pelo carinho, pela admiração, pelo respeito.    Obrigada por tirar 5 minutos do seu dia e ler o que eu tanto queria dizer. Gostaria de finalizar com uma frase que eu já postei antes, mas que exprime tão bem o que é esse blog pra mim, que preciso repeti-la:

“Essas palavras que escrevo me protegem da completa loucura.” Charles Bukowski

01 de março: o dia em que saí de casa!

Desde que eu me entendo por gente, eu sonhava com meus 18 anos, pois achava que nessa idade mágica eu teria independência pra sair de casa. Não tive. A realidade vai batendo na porta e a gente vai vendo que a coisa é mais difícil do que parece. Vai vendo que as coisas são mais caras do que se imaginam, que pagar um aluguel não garante um teto, que os empregos não pagam tão bem pra você se sustentar e eu fui adiando o meu sonho infantil de ter uma casa para chamar de minha.

Durante toda a minha vida, nunca tive um lugar pra chamar de meu. Meus pais se separaram e eu fui morar com minha mãe. Sofria humilhações, apanhava que só e quando tomei coragem, fui morar com meu pai. Durante um certo tempo, isso foi bom. Eu e meu pai éramos amigos e ele era um homem admirável. Apesar das briguinhas normais de pais e filhos, nossa relação era muito boa. Depois que eu resolvi largar o curso de Direito, as coisas começaram a desandar. Meu pai também mudou muito com o nascimento do meu irmão mais novo (antes dele nascer, ele tinha prometido que não ia mudar comigo. No entanto, não cumpriu sua promessa). Tudo isso coincidindo com acontecimentos da vida profissional e pessoal dele, meu pai se tornou um homem irreconhecível. A coisa foi piorando e piorando até eu não reconhecer mais nele aquele homem que eu tanto admirava.

Todo mundo tem sua história de vida e a minha, apesar de ser curta (tenho apenas 21 anos), teve muitos, muitos momentos difíceis. Quando eu paro pra pensar sobre isso, vejo que o ‘normal’ era eu ser uma pessoa totalmente diferente de quem eu sou. Mas meu senso crítico, minha eterna reflexão sobre mim e sobre as coisas, não me permitiu que eu fosse por tais caminhos. Infelizmente, durante muito tempo eu deixei que me convencessem que eu não valia nada, que eu não tinha direito a nada, que eu nunca ia conseguir alcançar meus objetivos e que eu não era ninguém. Por sorte eu consegui sozinha (como sempre na minha vida) a desacreditar nisso tudo e ser quem eu sou sem vergonha e nem medo.

Eu sou um ser humano estranho, às vezes eu sinto como se eu não pertencesse à esse mundo. É difícil eu me identificar com as pessoas e confiar então é quase impossível. Finalmente aprendi a brigar pelo que eu quero e acredito, e não abro mão disso nunca mais na minha vida. Estou sempre buscando me conhecer e melhorar enquanto pessoa. Tenho mil defeitos, mas não os nego, não os escondo e nem tenho vergonha deles. Não responsabilizo ninguém pelos meus atos porque meus atos são meus. Se eu agi de alguma forma a atitude foi minha, então eu não tenho que sair responsabilizando ninguém por eu ‘ser assim’, ou por eu ter ‘agido assim’. Resumindo: pro bem ou pro mal, a única coisa que eu tenho de certeza pelo restante da minha vida sou eu mesma. Se eu viro as costas pra mim, se eu permito que me tratem mal, se eu não me coloco no lugar que eu mereço estar, eu estou sendo no mínimo muito injusta comigo mesma.

É por isso que hoje, especialmente hoje, eu saí de casa. Eu estava sendo injusta em aceitar viver num lugar ao qual eu não pertencia, ao qual eu não era respeitada, ao qual eu era humilhada. Chega um momento que a gente precisa dizer “chega!” e dar à si mesmo o que merecemos e/ou tirar de nós mesmos algo que não merecemos. Eu já imaginava que isso fosse acabar acontecendo mais dia ou menos dia e fico feliz que tenha sido hoje. Antes tarde do que nunca. Sei que os desafios que virão à minha frente não serão fáceis. Mas eu estou pronta, pois eu tenho à mim e ainda tenho a sorte de, desta vez, poder contar com uma super ajuda extra: meu namorado. Então, eu não posso reclamar de nada, apenas guardar minhas energias para superar mais uma das tantas dificuldades que já superei para, finalmente, começar a realizar, pouco a pouco, o meu sonho infantil de ter um lugar pra chamar de meu. :)