Primeira experiência com um dos livros do Dr. Cury

Peguei o livro emprestado na biblioteca do metrô da minha cidade e pensei, vendo pelo título, que o livro se dirigia a jovens adultos como eu: pessoas que estavam na graduação ou saindo dela, se deparando com um monte de stress, decisões a tomar e incertezas pela frente.

Logo na primeira página me dei conta que o livro se direcionava à jovens adolescentes. A linguagem era um pouco infantil pra mim e tinha até um personagem que ele utilizava pra dialogar com os leitores. Mesmo assim, resolvi continuar a leitura, afinal, mesmo sendo crises diferentes, estresses diferentes, as orientações que ele dava aos adolescentes também poderia servir pra mim, não é?

E serviram! Quando se supera um pouco a linguagem utilizada no livro e se deixa levar, fica mais fácil. É um livro que, pra mim, sobretudo, fala de educação. Educação enquanto modelo, enquanto escola/faculdade, mas também educação sobre si mesmo para lidar melhor consigo e com os outros.

Se eu fosse professora, pediria a todos os meus alunos pra lerem esse livro e eu também me utilizaria dele pra repensar a minha forma de ensinar. Enquanto psicóloga, o livro também me deixou curiosa para ler sobre a teoria formulada por ele sobre a Inteligência Multifocal, conhecer melhor os trabalhos citados sobre a Escola da Inteligência e a Academia da Inteligência.

Recomendo a leitura até mesmo pra quem “não é mais jovem”. Como falei, superada a questão da linguagem ser infantilizada para nós, o livro traz boas reflexões sobre como podemos lidar com as adversidades e também nos permite lembrar sobre nossa própria adolescência, mudanças e crises vividas (e que talvez possam estar exercendo influência até hoje). Excelentes materiais para serem trazidos e pensados também em terapia! ;)

A medida da paixão

Ultimamente em conversas informais tenho participado de muitos bate-papos sobre relacionamentos amorosos. Essas conversas me fizeram perceber algumas coisas…

Muitas pessoas tendem a questionar o comportamento do parceiro de alguém como se aquilo pudesse significar falta de importância ou de amor: “ah, mas se ele(a) falou/fez isso com você, talvez ele(a) não te ame ou não se importe com você!”. Será?!

Percebo também uma certa “intolerância” com os defeitos alheios como se nós fôssemos perfeitos: “eu não iria admitir que ele(a) falasse comigo desse jeito! Acabaria o namoro na hora!”. Será? Será mesmo que você faria isso? E se realmente fizesse, o que será que isso diz de você e do que você entende como relacionamento?

E isso acaba levando a essa coisa que percebi também: tudo é motivo pra acabar. Um defeito, um momento de raiva, um comportamento que o outro não gosta, um jeito de ser que o(a) outro(a) não acha bacana. É como se o mínimo, o básico fosse estar alguém que nunca erra, que não tem defeitos, que não te tira do sério, que não te deixa puta(o), que seja o companheiro(a) que você sempre quis prontinho alí embalado pra viagem pra você botar no carrinho e levar pra casa. Será?

Outra coisa é justamente essa coisa da idealização. Parece que o relacionamento só serve, só presta se for do jeito que eu quis, que eu sonhei, que eu idealizei, afinal, eu sou uma pessoa maravilhosa e eu mereço alguém que me faça feliz completamente e em todos os sentidos. Será?

Outro ponto é: certo, você tá aí falando do outro, mas e você? Como é você como namorado/namorada? Quais são os SEUS defeitos, comportamentos e jeito de ser que teu parceiro(a) não curte tanto assim? Ahhhh… Olha aí!

Eu nunca concordei com a frase do “não faça com o outro o que você não gostaria que fizessem contigo” e seus derivados. Simplesmente pq meu jeito de ser, as coisas que me agradam e desagradam não podem ser consideradas padrão na forma de lidar com as outras pessoas simplesmente pq as outras pessoas são diferentes de mim. Se eu faço e deixo de fazer tudo com e para o outro do jeito que eu gostaria que fosse comigo, penso que estaremos fadados ao fracasso pq eu vou estar deixando de olhar pra este outro e ver como é que ele gostaria de ser tratado. E dentre o ideal do outro e o meu ideal, tem uma realidade e ela é beeeeem diferente deste ideal. Achar um meio termo, uma forma de lidar com o outro que seja bacana para os dois, é importante.

Acho que algumas coisas são importantes de se pensar quando se fala e se pensa sobre relacionamentos pq senão às vezes podemos acabar caindo nessas “armadilhas” rasas destas frases prontas que falei anteriormente e que sempre nos direcionam para o término da relação, mas que no fundo não resolvem nada porque vai vir outro relacionamento e você pode continuar cometendo os mesmos erros… Alguns questionamentos interessantes que me vieram à cabeça agora são:
O que eu espero deste relacionamento?
Quais são as minhas expectativas?
Será que estou idealizando o parceiro e por isso me incomoda tanto seus defeitos?
Será que minhas expectativas são relacionadas a satisfazer coisas que não cabe ao outro a satisfazer, mas sim a mim mesmo(a)?
Será que o motivo deste meu incômodo com as características x e y dele(a) realmente são coisas importantes?
Será que esse meu desejo de abandonar tudo e sair correndo porque as coisas não foram como eu queria que fossem tem relação com querer punir o outro? Ou querer que ele(a) corra atrás de mim e me prove algo? Ou simplesmente pq eu tô com raiva e minha reação é fugir e aí eu quero acabar o namoro pra não ter que lidar com aquilo?
Será que as coisas que me incomodam não são coisas pequenas, ou frustrações das minhas idealizações e eu deveria trabalhar um pouco isso para não me incomodar com aquilo? Ou pelo menos aprender a controlar o impacto que aquilo gera em mim?
Será que eu enquanto pessoa, e nós enquanto casal, poderíamos aprender a lidar melhor com as situações de conflito para evitar que se tornem brigas em que acabem agindo de forma a dificultar as coisas?
Etc etc etc etc…

O que vocês acham?

Equilíbrio

Como encontrar o equilíbrio entre o calar e o falar?

Entre o pensar e o agir?

Entre o dizer e o fazer?

Entre o lutar e o fugir?

Entre ser feliz e sobreviver?

Acho que preciso aprender a…

Ultimamente estive pensando em coisas que talvez eu deveria aprender (ou pelo menos deveria aprender a colocar em prática) e resolvi organizar os pensamentos em uma listinha…

  1. Cale mais. Não adianta falar, não adianta se explicar, às vezes simplesmente não adianta. Cale a boca, e exponha seus sentimentos, opiniões e vivências o mínimo possível pra maioria das pessoas.
  2. Quando falar, tente se expressar da melhor maneira possível, mas saiba que as pessoas só entendem aquilo que elas querem entender. Tente não ficar frustrada se distorcerem tudo o que você quis dizer.
  3. Não espere nada das pessoas. Nem da sua família, nem dos seus amigos, nem de ninguém. Nem aquilo que você considera o mínimo. Você vai se frustrar e ficar triste.
  4. Você não pode mudar como as pessoas se sentem em relação a você, pensam de você ou falam de você. Se a mudança acontecer, vai ser independentemente da sua vontade. Simplesmente pare de se importar com o que elas sentem, pensam e falam e busque ser o seu melhor. É mais sábio.
  5. Ninguém sabe sua verdade. Só você. Não perca seu tempo tentando convencer os outros da sua boa intenção. As pessoas só entendem e só acreditam naquilo que elas querem.
  6. As pessoas não vão ser com você como você é com elas e muito menos como você desejaria que elas fossem. Algumas vezes elas vão ser injustas e até mesmo desumanas. Não deixe isso te machucar. O problema é delas, não seu. Cada um dá aquilo que tem.
  7. Não deixe que a opinião dos outros te façam sentir mal consigo mesma.
  8. Tire forças das p* que p* pra não passar o dia inteiro na cama sem fazer nada de produtivo. Mas tente se perdoar quando você não conseguir.
  9. Continue dando seu melhor. Já tem coisa ruim demais no mundo e mesmo que o universo inteiro seja fdp com você, não seja fdp com o resto do universo.
  10. Quando você achar que não aguenta mais, e desejar do fundo do coração simplesmente se tornar incapaz de sentir qualquer coisa, respire fundo, chore, tome um banho, durma, escreva, faça o que quer que você precise fazer e então continue seguindo em frente. Nada é ruim pra sempre. As coisas melhoram. De verdade.

Acho que, por ora, é isso. Tô tentando. Tá difícil, mas eu tô tentando…

Expectativas: é possível não tê-las?

Escrevi este texto há alguns dias atrás, mas estava sem internet pra postar. Better late than never, né? Pois então está ai…

Será que é mesmo possível não criar nenhuma expectativa sobre as pessoas? Me peguei pensando sobre isso depois de sofrer uma verdadeira série de decepções nas últimas semanas. Sempre fui “defensora e ativista” ferrenha da idéia de que devemos sempre tentar ser pessoas melhores pra nós mesmos e para os outros, ainda que eles sejam ingratos conosco. E isso não mudou e nem vai mudar. É algo que já faz parte de mim mesma e que, apesar de já ter comido o pão que o diabo amassou diversas vezes na vida, é algo que simplesmente não deixa de ser válido e positivo ainda que muitas pessoas insistam na ingratidão.

Como eu estava falando, meu questionamento se deu na ordem do: é possível não esperar nada do outro? A gente vive dizendo e ouvindo frases prontas sobre como não devemos criar expectativas, ou ainda que não devemos esperar que o outro seja conosco como gostaríamos que ele fosse. Mas, será que é possível? Será mesmo que é possível dedicar nosso tempo, nosso afeto, nos importarmos de verdade com o outro, ajudá-lo sempre que possível e não esperar simplesmente por nada? Não esperar nem um pinguinho de respeito, de consideração, de “crédito”? Será mesmo que é possível não esperar absolutamente nada?

Confesso que não sei. Talvez a resposta seja: sim é possível – e eu simplesmente nunca aprenda a colocá-la em prática. Vai saber! Só sei que vou continuar dando meu melhor pra mim mesma e pras pessoas à minha volta. Se elas não tem nada de bom pra me dar, paciência. Cada um dá aquilo que tem…

“Um dia a vida me bateu com tanta força que me ensinou a resistir. Um dia, mentiram pra mim de tal maneira que me doeu e, então eu aprendi a sempre seguir em frente com a verdade. Um dia me falhou quem eu menos imaginava e entendi que as palavras devem ser cumpridas e os atos assumidos. Ás vezes, é preciso virar a página e começar do zero, embora custe ou doa… O melhor guerreiro não é quem sempre triunfa, mas quem volta sem medo à batalha”
– Autor desconhecido

O prédio

Ser feliz é mais difícil e complexo do que a infelicidade.
Ser infeliz é fácil. Ser feliz requer esforço, trabalho árduo e, acima de tudo: acreditar.
É preciso acreditar que a felicidade é possível e que você é o principal instrumento para se aproximar dela.
Parece óbvio, parece fácil. Mas não é.
Percebo uma rachadura na parede e logo penso que ela será a responsável por fazer o teto cair sobre minha cabeça.
Transformo a rachadura num problema estrutural e condeno o prédio inteiro.
Como você pode dizer que essa rachadura é só uma rachadura quando eu tô vendo que é ela que, lá na frente, vai ser causadora do desabamento?
O prédio não vai desabar! Eu não aceito!
Eu dediquei os melhores materiais e profissionais pra construção dele, eu dei tudo de mim para que este prédio permaneça de pé!
Eu não vou deixar que ele simplesmente caia, como se o meu esforço tivesse sido insuficiente ou inadequado!
Eu vou demolí-lo!
Eu vou colocar esse prédio abaixo!
Se eu o construí, então que seja eu quem deliberadamente o destrua!

Não me abandone, já fui abandonada demais. Se alguém for abandonar, que seja eu!
Mas eu não quero abandonar. Eu não quero que o prédio desabe. Eu não quero demolir o prédio.
Só que eu não consigo simplesmente ver as rachaduras como rachaduras. Elas me parecem aterrorizantes problemas estruturais.
O prédio está condenado, você não percebe?
Tento explicar aquilo que nem eu mesma entendo.
Ou melhor, que entendo muito bem, mas que não sei o que fazer com isso que sei.
Não é assim tão fácil compreender algo e simplesmente fazer diferente.
É como se fosse uma tatuagem que tá na gente e a gente vai fazendo as sessões pra remover.
A cada sessão ela vai ficando mais clara, mas a cicatriz pra sempre vai ficar lá.
Às vezes a gente pode até tatuar por cima, criando outra ferida mais “bonita” por cima daquela cicatriz.
Mas ela vai sempre estar lá, entende?
Ela nunca vai embora.

Desabar ou demolir?
Nenhum dos dois…
Eu quero manter o prédio de pé! Você me ajuda?