E se as pessoas julgassem as doenças físicas da mesma forma que julgam as doenças mentais?

A doença mental sempre provocou certa inquietação nas pessoas em geral por uma série de motivos. Pelo que observo, vejo que algumas pessoas, por desconhecimento, podem adotar uma postura mais cética e pouco empática com aqueles que se encontram tomados por alguma psicopatologia. É como se o outro fosse um estranho que eu não consigo me aproximar. Outras pessoas acreditam que tais doenças têm origens espirituais e limitam sua compreensão, dando todo o tipo de conselho e orientação nesta direção. Alguns ainda acham que há uma supervalorização do sofrimento psíquico e que, com uma boa dose de boa vontade, é possível ficar curado.

Bem, seja de que forma for, certamente quem trabalha, conhece ou convive com alguém que já teve ou que tem uma doença mental, já ouviu ou até mesmo deu algum conselho com (na maioria das vezes) o intuito de ajudar. Porém, alguns destes acabam explicitando a falta de empatia e de compreensão sobre a vivência de quem vive com alguma psicopatologia. Foi pensando nisso que o site Robot-Hugs criou uma tirinha que satiriza esta situação. Ela coloca pessoas que estão fisicamente adoentadas recebendo o mesmo tipo de conselho que as pessoas que estão mentalmente adoecidas recebem. A tirinha foi originalmente publicada em inglês e pode ser encontrada aqui. Abaixo segue a tradução que fiz para o português.

Créditos da imagem: Robot-hugs

Bem, “mas e agora?”, você me pergunta, “o que eu falo, então?”. Bom, você pode começar por simplesmente ouvir o que a pessoa tem a dizer sobre a vivência dela. Você pode e deve aconselhá-la e a orientá-la a pedir ajuda profissional. Mas não porque “ela é doente e precisa de conserto”, mas sim porque ela está sofrendo e precisa de ajuda. Com uma boa ajuda psicológica profissional (e como boa, não entenda cara, pois há muitos serviços de saúde públicos que também contam com profissionais de qualidade) e, se necessário, alguma intervenção medicamentosa devidamente receitada e manejada por um psiquiatra, além do apoio de familiares e/ou amigos, ela estará amparada e com mais condições de lutar contra o que lhe causa sofrimento. Não indique um medicamento que “funcionou com ‘fulana'” e nem crie fantasias porque “o medicamento tal é ruim, pois deixou ‘sicrano’ ‘assim e assado'”. Cada pessoa é única, bem como cada organismo. A necessidade e o manejo das medicações deve ser feito apenas pelo profissional capacitado a isto, que é o psiquiatra.

O blog Falando Sobre Saúde Mental é uma indicação bacana tanto pra quem está sofrendo com uma psicopatologia, como para quem conhece alguém que esteja sofrendo e que gostaria de entender um pouco e saber como ajudar. Na postagem Seja um Aliado, a Larissa (autora do blog) fala justamente sobre como poder ajudar alguém que conhecemos.


ATENÇÃO: O conteúdo deste site é de caráter informativo. Se você precisar de ajuda especializada, não hesite: entre em contato com um(a) profissional da sua cidade. Sempre que for utilizar algum texto de minha autoria, o faça em formato de citação, com os devidos créditos e link para a postagem original.

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