Monthly Archives: maio 2009

Ensaio sobre as Aspirações

Não temo o acaso. Meu único receio é da certeza!

Ensopada de desejos, de prazeres, vontades e de anseios.

Corro pelas ruas, na chuva.
Com um sorriso no rosto,
Aspirações na mente,
E paixões infinitas pelo corpo.
Ensopada de desejos,
De prazeres, vontades e de anseios.

Disparo contra o mundo.
Encaro. Desafio. Venço. Perco.
Começo e encerro círculos.
Eu quero mais!
Eu não me contento!

O auto-conhecimento é meu mapa.
A força de vontade é meu guia.
Eu escolho meu destino.
Eu traço meu caminho.

Não temo o acaso.
Meu único receio é da certeza!
Por isso, não me agrada a idéia da minha morte.
Ela me tirará a vida, e, junto a ela, toda a beleza!

Até lá eu quero mais!
Quero aproveitar todos os dias.
Porque o tempo não pára.
Nem eu!
“Mas se você achar que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo… O tempo não pára”
Cazuza – O tempo não pára

Solidão Cíclica

Voltou para casa, esperou o dia passar e dormiu.

Voltou para casa, esperou o dia passar e dormiu.

Ela sempre se sente só. Todos os dias. Não é aquela solidão que você sente mesmo quando está acompanhado. É aquela aparentemente fácil de ser resolvida, bastando apenas um contato humano, alguns sorrisos e uma conversa agradável. Mesmo assim, ela não conseguia resolver seu problema e se sentia desagradável e incompetente por causa disso.

Ligou para as amigas, mas nenhuma delas estava com vontade de sair ou nenhuma podia lhe fazer companhia. Ela não tinha muitas amigas e nem gostava tanto de amizade com mulher. Já tinha sofrido bastante por causa de falsidade, rivalidade, besteiras e inveja sem motivo… Apesar disso, ela sempre se recuperava e tentava de novo.

Resolveu procurar um amigo, já que sempre preferiu a companhia masculina. Lembrou-se, no entanto, que a maioria deles tinha namorada e que sempre rolava algum problema depois. As namoradas tinham ciúmes dela. Muito ciúme. Brigavam, tentavam proibir os namorados de vê-la e, se o cara batesse de frente, aí que elas desconfiavam de alguma coisa mesmo. Ela não entendia porquê tanto ciúme, ela sequer se achava bonita ou atraente o suficiente.

Ela não queria a infelicidade de ninguém, muito menos arrumar confusão. Então resolveu ligar para os amigos solteiros: “Vou sair com os caras hoje”; “Opa gatinha, eu faço o que você quiser!”; “Sabe o que é? To saindo com uma menina aí”. A cada ligação, uma frustração, uma desculpa diferente. Ela não se importava de sair com os caras e ela não queria beijá-los, nem mesmo os que ela já tinha tido algum romance. Ela só queria uma companhia.

Um carinho no seu cabelo durante um filme. Conversar bobagem com um copo de cerveja na mão. Uma massagem no pé enquanto lia um livro ou ouvia uma música. Uma sessão de guerra de travesseiro. Uma volta na praia. Inventar ou experimentar uma receita nova com alguém. Sair pra tomar um suco ou comer um sanduíche. Tudo que ela queria mesmo era alguém. Um abraço bem apertado, um beijo na testa, um colo e um cafuné. Ela não queria um namorado, um romance, nem encontrar o amor da sua vida. Ela só queria um amigo. Mas, pelo jeito, ela estava pedindo demais.

A solidão doía profundamente. Ela tomou um banho, chorou um pouco e saiu sozinha. Observou as outras pessoas rindo e se divertindo com seus amigos. Torceu para encontrar alguém que lhe fizesse companhia. Sem sucesso. Voltou para casa, esperou o dia passar e dormiu. Quando acordou, ela se sentiu só. Segurou as lágrimas e, novamente, encheu-se de esperanças para um dia melhor.

“Run, run, run away
No sense of time
Want you to stay
Want keep you inside

Run, run, run away
Lost, lost, lost my mind
Want you to stay
Want you to be my prize”

Yeah Yeah Yeahs – Runaway

Eu não consigo fazer Direito

Se a justiça não fosse cega, ela choraria ao ver tanto absurdo e tanta distorção em seu nome.

Se a justiça não fosse cega, ela choraria ao ver tanto absurdo e distorção em seu nome.

Me faz infeliz demais. Sinto-me inútil, impotente. É muito utópico e eu não consigo viver na fantasia. Ao mesmo tempo, é bem real, mas da pior forma. O imenso hiato entre a realidade e o idealizado é o que mais machuca. Algo simples é esticado, amassado e retorcido até virar algo totalmente amorfo. Maldito “dever ser” que nunca é! Quanto jogo político, quantas mentiras, falhas, lacunas, dominação e pseudo-coisas! Você se pergunta: “como diabos tudo chegou a este ponto?” – e ouve apenas o silêncio. Se a justiça não fosse cega, ela choraria ao ver tanto absurdo e distorção em seu nome. Sinto muito. Não sei jogar esse jogo. Também não quero aprender. Na minha simplicidade honesta e justa eu devo ser muito torta porque, no final das contas, eu não consigo fazer Direito.

I want…

I want...

You kiss me...

I want!
I want you!
I want you deeply.
I want you deeply inside.
I want you deeply inside me!
I want you deeply inside me everytime!
I want you deeply inside me everytime you pull me.
Everytime you hold me.
You kiss me…
Fuck me!

A droga perfeita

Eu domino você! Eu possuo você!

Podes até tentar evitar, mas eu sei, é em mim que estás pensando agora. Eu não preciso de um convite para entrar na tua mente. Ela já é meu território. Reinando dentro de ti, vejo que és incapaz de não me desejar e sei o quanto isso te inferniza. O cruel, intenso e delicioso inferno que você tanto ama! Vejo, também, como te tortura o fato de eu sempre conseguir saciar sua fome e abrir seu apetite na hora que eu quiser. Você não consegue domar a selvageria e o descontrole que eu causo. E eu amo isso! Vejo teu desejo de me possuir, de me dominar e gritar que és meu dono. Faça-o! Mas não porque és de fato! Mas porque assim eu ordeno! Eu domino você! Eu possuo você! És o brinquedo fruto do meu feitiço e serás o que eu quiser que sejas! Tua, eu sou apenas a droga perfeita. Aquela que você está disposto a consumir sempre. A qualquer hora. E em qualquer lugar.

“Bück dich befehl ich dir
wende dein Antlitz ab von mir
dein Gesicht is mir egal”

Rammstein – Bück Dich

Os Prazeres Ocultos do Mar

Imagine que você pudesse respirar em baixo d’água sem precisar 
de nada. Apenas você. Sem equipamentos, sem roupas, sem nada. 
Você e o oceano profundo, azul, verde, infinito! Águas claras 
com a luz do sol iluminando os belos seres encantados em 
nuances extraordinárias. Se deixar levar pelas correntes 
marinhas, relaxar, sentir a água encher teus pulmões de vida e 
fazer cócegas em tua pele. O pseudo-silêncio dos cantos doces 
ao fundo, com uma suave melodia. Nadar com as sedutoras 
sereias, pegar carona com cardumes imensos. Não sentir a 
gravidade. Não sentir o peso. Abrir os braços e pernas e girar 
em redemoinhos. Que maravilhosa sensação de liberdade! Brincar 
com golfinhos, ser jogado pra cima, bem alto e abraçar os céus. 
Sentir o hálito quente do sol em sua pele e cair lentamente. 
Esquecer o que é o tempo. Apenas absorver a beleza, o calor, 
sentir o prazer, sorrir, se entregar e flutuar… Flutuar no 
mar.
Oceano

Beije e faça amor! Não controle o desejo! Não pense! Se entregue!

Imagine que você pudesse respirar em baixo d’água sem precisar de nada. Apenas você. Sem equipamentos, sem roupas, sem máscaras. Você e o mar azul, verde, profundo e infinito! Águas claras com a luz do sol iluminando os belos seres encantados em nuances extraordinárias. Se deixe levar pelas correntes marinhas, relaxe, sinta a água encher teus pulmões de vida e fazer cócegas em tua pele. Ouça o pseudo-silêncio dos cantos doces em uma suave melodia. Nade com os filhos e filhas de Anfitrite, Posêidon, Dóris, Thethis e Oceano. Não há gravidade. Não existe peso. Pra que julgamentos? Beije e faça amor! Não controle o desejo! Não pense! Se entregue! Abra os braços e pernas e gire em redemoinhos. Brinque com golfinhos, seja jogado pra cima, bem alto e abrace os céus. Sinta o hálito quente do sol arder em sua pele enquanto você cai lentamente. O tempo não importa, a pressa não existe. Apenas absorva a beleza, o calor, sinta o prazer e a liberdade! Sorria, mergulhe, goze, se entregue e flutue! Flutue eternamente na imensidão dos prazeres ocultos do mar!

Créditos da Imagem: Luis Royo