Ela sempre se sente só. Todos os dias. Não é aquela solidão que você sente mesmo quando está acompanhado. É aquela aparentemente fácil de ser resolvida, bastando apenas um contato humano, alguns sorrisos e uma conversa agradável. Mesmo assim, ela não conseguia resolver seu problema e se sentia desagradável e incompetente por causa disso.
Ligou para as amigas, mas nenhuma delas estava com vontade de sair ou nenhuma podia lhe fazer companhia. Ela não tinha muitas amigas e nem gostava tanto de amizade com mulher. Já tinha sofrido bastante por causa de falsidade, rivalidade, besteiras e inveja sem motivo… Apesar disso, ela sempre se recuperava e tentava de novo.
Resolveu procurar um amigo, já que sempre preferiu a companhia masculina. Lembrou-se, no entanto, que a maioria deles tinha namorada e que sempre rolava algum problema depois. As namoradas tinham ciúmes dela. Muito ciúme. Brigavam, tentavam proibir os namorados de vê-la e, se o cara batesse de frente, aí que elas desconfiavam de alguma coisa mesmo. Ela não entendia porquê tanto ciúme, ela sequer se achava bonita ou atraente o suficiente.
Ela não queria a infelicidade de ninguém, muito menos arrumar confusão. Então resolveu ligar para os amigos solteiros: “Vou sair com os caras hoje”; “Opa gatinha, eu faço o que você quiser!”; “Sabe o que é? To saindo com uma menina aí”. A cada ligação, uma frustração, uma desculpa diferente. Ela não se importava de sair com os caras e ela não queria beijá-los, nem mesmo os que ela já tinha tido algum romance. Ela só queria uma companhia.
Um carinho no seu cabelo durante um filme. Conversar bobagem com um copo de cerveja na mão. Uma massagem no pé enquanto lia um livro ou ouvia uma música. Uma sessão de guerra de travesseiro. Uma volta na praia. Inventar ou experimentar uma receita nova com alguém. Sair pra tomar um suco ou comer um sanduíche. Tudo que ela queria mesmo era alguém. Um abraço bem apertado, um beijo na testa, um colo e um cafuné. Ela não queria um namorado, um romance, nem encontrar o amor da sua vida. Ela só queria um amigo. Mas, pelo jeito, ela estava pedindo demais.
A solidão doía profundamente. Ela tomou um banho, chorou um pouco e saiu sozinha. Observou as outras pessoas rindo e se divertindo com seus amigos. Torceu para encontrar alguém que lhe fizesse companhia. Sem sucesso. Voltou para casa, esperou o dia passar e dormiu. Quando acordou, ela se sentiu só. Segurou as lágrimas e, novamente, encheu-se de esperanças para um dia melhor.
“Run, run, run away
No sense of time
Want you to stay
Want keep you insideRun, run, run away
Lost, lost, lost my mind
Want you to stay
Want you to be my prize”Yeah Yeah Yeahs – Runaway

Mais um texto excelente. Muito bem escrito, uma idéia ótima, não enjoativo e principalmente “tocante”.
Quando eu comecei a ler pela primeira vez, achei o tema legal, mas não imaginava o que ele causaria. Quando cheguei ao final da primeira leitura, estava beirando o estado em que fiquei quando assisti ao filme “Forrest Gump”. Realmente um excelente texto.
Mas o melhor é o final. Ele mostra uma ideia parecida com a do vídeo “Você é forte”. O jeito “isso não é o fim do mundo”, por mais ruim e dolorosa que se mostre a situação, é um excelente estimulante. Dê a volta por cima.
Novamente, parabéns Nathálya. Desejo que venham mais e mais textos bons como esse (E todos os outros que já vieram), que são excelentes para os olhos, mente e coração.
Beijos e abraços para todos, especialmente para a Nathálya.
E a esperança, sempre ela, nos fazer levantar da cama todos os dias.
pode dizer o nome das namoradas chatas?
huhuuhuhuhuhu
Claro! Júlia, Renata, Paula e Fernanda. Nomes fictícios, assim como o conto.
Eu vejo em vc alguem cheia de frstações e inseguranças, q tenta esquecer quem é vc escrevendo personargem ficticius p seu medos e problemas.
E eu vejo em você alguém que precisa parar de brincar de ser analista e freqüentar umas aulas de português. Volte sempre com suas teorias!
Grande beijo!