O problema dela é pensar demais, observar demais. A ignorância pra ela, é algo ruim e que aprisiona, mas, secretamente, ela deseja um pouco mais de estupidez pra não perceber as coisas como elas realmente são. Depois de aprender lições valiosíssimas e se lançar ao mundo mais uma vez e mais uma vez sozinha (como sempre esteve desde que se entende por gente), ela começa a sentir o peso do fardo que carregou com tanta dificuldade por todos esses anos. Nunca foi fácil ter passado por tudo que passou sem palavras de motivação, sem ninguém dando força, sem carinho e sem alguém que a levantasse quando, cansada, caia ao chão. Ela mesma fez tudo por si mesma, e quando ela caia, era ela que levantava-se sozinha, machucada, que cuidava de suas feridas e dizia a si que ia passar. Passou.
Mas ela estaria mentindo novamente se dissesse que gosta de estar sozinha. Estar sozinha foi bom e foi útil para seu amadurecimento, pro desenvolvimento da sua independência, pra aprender a ter amor próprio, mas, chega! Ela tá cansada de aprender. Ela só queria parar um pouco, descansar, ter alguém com quem pudesse contar, com quem pudesse ter apoio, carinho e se sentir segura. Ela só queria alguém que com apenas um abraço, a fizesse chorar um rio de lágrimas e que com apenas um beijo, as fizesse sumir. Alguém que só com um olhar, a consolasse e que com um carinho, a acalmasse. Alguém que dissesse pra ela tudo que ela, no fundo, já sabe, só pra ela saber que ela é realmente tudo aquilo. Alguém que a tomasse nos braços quando ela caísse ao chão e que dissesse: “Descanse, eu vou cuidar das suas feridas”. Ela só quer alguém que seja tão especial quanto ela mesma. Ela merece, mas provavelmente nunca terá e morrerá sozinha como acontece com tantas outras pessoas também especiais. Paciência. Ajeite seu mundo nas costas e continue a caminhar.

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