Monthly Archives: maio 2010

Acreditar

Parece que todas as células do meu corpo, de repente, acordaram. Algumas estão sonolentas e receosas, com medo, me segurando e tentando me impedir. Outras, estão tão excitadas, acordadas, que praticamente alucinam em sensações e sentimentos que sequer existem. Minha mente sabe o que quer, só não sabe como conseguir, mas acredita que saber disso já é suficiente. Nesses últimos anos, tive que aprender a descartar sentimentos, fiquei extremamente exigente, expulsei com facilidade quem eu achasse que não me fazia bem (acabei expulsando todos), aprendi a ter relacionamentos casuais para satisfazer minhas necessidades e não me envolver emocionalmente ao fazer isso, parei de dar chances às pessoas, peguei suas palavras, suas ações e simplesmente desacreditei quando pareciam boas demais,  e finalmente chegou ao ponto que ergui tantos muros que comecei a me sufocar. Estou sufocada! Toda essa autoproteção que me fez tão feliz nesses últimos anos está me matando. Sinto medo de sair da minha zona de conforto e nem sei ainda como retirar algumas armaduras que construí com tanta perícia, mas eu preciso fazer isso nem que seja pra errar e tomar como lição. Eu consigo viver sozinha, sou muito forte e tenho tudo que preciso dentro de mim, mas eu quero sim ter pessoas legais ao meu lado. Eu preciso acreditar que algumas pessoas são boas, que algumas realmente gostam de mim e estarão ao meu lado pra me ajudar, que posso contar com alguém e que quando eu estiver cansada, terei colo e carinho pra repor minhas energias. Eu ainda não acredito em nada disso, mas eu to tentando…

“I want something good to die for, to make it beautiful to live! I want a new mistake, lose is more than hesitate. Do you believe it in your head?”

Queens Of The Stone Age – Go With The Flow


Incertezas

Tenho que confessar: estou com medo. Estou com medo de gostar de você a ponto de não conseguir mais segurar as palavras na minha boca e acabar te confessando meu real desejo. Medo de, ao fazer isso, você não me querer mais. A verdade é que mesmo que eu ainda não sinta o que eu tanto tenho medo de sentir, eu já te quero pra mim. E quero pelo simples fato de você ser tão carinhoso, por me tratar tão bem, por eu sentir saudades suas e por você ser de um jeito que tanto me agrada. Como pode? Vejo tanta previsibilidade nos meus sentimentos, mas quando tento imaginar os teus, o medo só me deixa ver uma nuvem de dúvidas e de incertezas que tendem a se acertar pro lado que mais vai me machucar. No fim das contas, eu só posso te agradecer por ter devolvido a este corpo e coração (que pensei já estarem mortos), a capacidade de sentir algo de novo…

“My friends say I should play it cool, but that’s not my style…
If I lay down all my cards for you, would you think that’s wild?
Your love is got me going like you couldn’t imagine…”

She Wants Revenge – Your Love


A mania de tentar converter

Quem me conhece, sabe que eu sou atéia convicta e sou praticamente desde criança. Uma vez apanhei da minha mãe porque ela me flagrou ‘discutindo com deus e jesus’ e dizendo que eu não acreditava em nada que ele falava e que eu sequer achava que ele existia de verdade. Estudei em escola de freiras quando era criança e depois fui pra uma escola meio católica onde a gente rezava em todos os eventos e toda segunda-feira de manhã. Já freqüentei igreja católica, igreja evangélica e até centro espírita, tudo por medo da minha mãe e também por vontade de agradar ela. Eu gostava da escola dominical porque tinha pipoca e refrigerante toda vez e participei do coral porque eu gostei da possibilidade de ser o centro das atenções.

Mas, só eu sei o que eu pensava e penso quando ouço todo esse blá blá blá religioso sobre a criação do universo, da vida, sobre as ‘verdades’ de onde viemos e para onde vamos, sobre a origem da diferença dos sexos e da variabilidade de espécies. Mas, este não é um post para eu dizer como eu penso ou sobre os motivos pelos quais eu sou atéia. Esse post é pra falar sobre a mania de tentar converter!

Se você acha que um judeu zumbi pode fazer você viver pra sempre se você simbolicamente comer da sua carne e telepaticamente dizer a ele que você o aceita na sua vida para que ele possa tirar as forças do mal da sua alma que está presente em toda humanidade porque uma mulher criada de uma costela foi convencida por uma cobra falante a comer uma maçã, tudo bem! Eu, Nathálya, não acredito e não fico por aí abordando pessoas na rua e dizendo a elas que eu acho que a Bíblia tá mais pra um livro legal de contos de fada feito Alice no País das Maravilhas do que para algo que seja a palavra de um suposto deus. Estou criticando apenas o cristianismo (e seus derivados: catolicismo, protestantismo etc) porque seus praticantes têm essa mania maldita de ficar querendo converter os outros. Se você vai pro céu, que bom, mas me deixe em paz!

Aí depois a galera faz piadinha com a religião da pessoa e a pessoa acha ruim e diz que é um desrespeito. Você sabe o que é desrespeito? Desrespeito é você estar depois de um longo dia de trabalho no ônibus voltando pra casa, torcendo para o trânsito não estar caótico e entrar um filho da puta gritando o tempo inteiro, pregando a bíblia e atrapalhando toda a dinâmica do ônibus. Desrespeito é você estar lendo seu livro em paz e uma pessoa azucrinar seu juízo dizendo que aquilo é obra do demônio, que você vai pro inferno e que você deveria ler a coisas lindas que deus escreveu. Particularmente, eu acho que quem fala isso NUNCA leu a Bíblia: é um livro de conflitos. Tem guerras, enchentes, sodomia, incesto, preconceito, segregação, sacrifícios, violência, pragas, sofrimento, dor, perdas, um deus revoltado, sádico e masoquista que cria um antagonista em forma de aliado que posteriormente vai atormentar a vida de seus ‘filhos’, um deus que brinca de testar seus ‘filhos’ com seu antagonista (vide historinha de Jó) somente pra preencher um ego narcisista, entre outras CENTENAS de coisas. Mas, tudo bem, né?

Me deixe em paz e pare de tentar me converter! Às vezes eu acho que rola um esquema de premiação nas igrejas: para cada ser humano que você converter, ganha um benefício no céu. Eu respeito sua opção religiosa, desde que não tente me enfiar guela abaixo. No entanto, ateus, agnósticos, humanistas seculares, livres pensadores, evolucionistas etc, podem ficar bem pertinho, tá? (E, cliquem aqui que eu coloquei umas imagens engraçadinhas que eu achei na internet sobre religião! Mas não conta pra eles não! Shhhh!)


Reparando Danos

Todo mundo já fez alguma coisa que não se orgulha, que se envergonha ou que preferia ter vivido sem ter feito. A adolescência, principalmente, tá cheia desses momentos. No entanto, quando outras pessoas erram conosco e deixam cicatrizes difíceis de esquecer, é mais complicado. Pessoas que, teoricamente, estariam no mundo para nos proteger(nossos pais) acabam sendo aqueles que mais nos causam danos. É como diz aquele texto do Shakespeare: “(…) não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando (…)”. Algumas cicatrizes saram, outras, só de olhar, nos fazem chorar e continuam causando pesadelos à noite.
Eis que um dia destes, vendo televisão, passou um comercial da Garnier sobre um creme para cabelo que dizia: “repara dois anos de dano em 2 semanas”. Fiquei pensando o quão sensacional seria se a gente pudesse reparar em apenas duas semanas os danos emocionais que sofremos nos últimos 2 anos! Melhor ainda, se esse efeito pudesse ser gradativo: 2 semanas – 2 anos; 4 semanas – 4 anos; 6 semanas – 6 anos… Garanto que não iriam faltar pessoas interessadas no produto!
Mas não funcionamos assim. Somos extremamente complexos, relativos: mesmo danos ‘comuns’, que em outras pessoas passariam batido, podem causar efeitos enormes em outras pessoas. Existem várias formas de se superar um dano emocional e a psicologia e psiquiatria clínica estão ai para ajudar também nestes casos. Basta escolher o profissional e a abordagem teórica mais adequada ao seu tipo de problema e se permitir melhorar. A maioria das pessoas têm uma visão errônea da psicologia, mas isso é assunto para um outro post. Neste, eu vou anexar um texto do Psiquiatra carioca Paulo André Issa, que fala sobre a escolha do Psicólogo de forma bem sincera e sucinta com linguagem bem acessível:

A Escolha do Psicólogo – Escrito por Paulo André Issa

Se você procura um dentista e não gosta do atendimento, o que você faz? Vai procurar um outro dentista ou continuar com dor de dente para o resto da vida? Provavelmente, vai procurar até encontrar um bom profissional.

Se você precisa de um cardiologista e ao ser atendido você não gostou da consulta ou não sentiu confiança no profissional, o que você faz? Provavelmente vai procurar um outro cardiologista.

Entretanto, muitas pessoas quando precisam de um psicólogo e ao buscarem ajuda não gostam do tratamento ou do profissional, acabam não querendo mais fazer o tratamento. Por que não procurar um outro psicológo para se tratar, se você continua precisando?

A escolha do psicólogo é uma tarefa ainda mais difícil que a busca por outros profissionais de saúde. Primeiramente, como as consultas são no mínimo uma vez por semana, você precisa se sentir bem de estar com aquela pessoa, ou seja, precisa ter empatia com o profissional. Mas como toda relação, nem sempre essa afinidade vai acontecer na primeira consulta. Então é necessário insistir, persistir para que aos poucos você conheça melhor aquela pessoa, seu jeito de trabalhar, seu profissionalismo e adquira confiança, respeito e até descobrir uma afinidade que nem sempre vai ficar tão clara nas primeiras consultas.

E se depois de muitas consultas, mesmo assim você não gostar do seu tratamento ou do profissional? Primeiro: Converse com ele sobre o que você não está gostando, isso vai ser bom para você e para ele também. Se após esta conversa as coisas não melhorarem, não desanime, não sinta-se culpado, você tem o direito de procurar outro profissional. Não fique com preguiça ou sem paciência de começar a contar sua história toda de novo desde o início. Cada vez que se conta uma história contamos de forma diferente e assim você pode lembrar de outros detalhes que você não havia comentado com o outro profissional.

Além disso, muita gente não sabe, mas existem várias técnicas diferentes de terapia, algumas delas são: cognitivo comportamental, psicanálise, gestalt, lacaniana, corporal, ludoterapia e outras. Você precisa pesquisar antes para saber qual o tipo é mais conveniente para o seu caso, converse com o próprio psicólogo sobre isso na primeira consulta, deixe bem claro o tipo de técnica que você procura e principalmente se informe a respeito da formação, especialização e experiência do profissional naquela técnica. Ou ainda se foi recomendado por um médico psiquiatra, peça a opinião dele sobre qual a técnica mais indicada para você.

Nos dias atuais a tendência é o psicólogo utilizar um pouco de cada técnica de acordo com a necessidade daquele momento do paciente. Porém em alguns casos é fundamental uma técnica específica. Vale lembrar que ter especialização, pós-graduação ou extensão em um determinado tipo de psicoterapia, não significa propriamente que a técnica está sendo bem utilizada e aplicada nas sessões, por isso a importância de se entender como funciona, para poder certificar se está sendo bem executada.

Fazer psicoterapia pode ser trabalhoso, ter que ir toda semana, encontrar o profissional certo, as vezes até mesmo pagar o tratamento e mais ainda, tocar em assuntos que nem sempre você gostaria de mexer naquela hora, mas que pode ser fundamental para o fim de seu sofrimento.

É importante ressaltar que na escolha de um profissional competente, você saiba que um bom psiquiatra não fala mal dos psicólogos e da terapia e ao mesmo tempo um bom psicólogo não fala mal dos médicos psiquiatras e dos remédios. Se o seu médico diz que psicoterapia não adianta nada, que é conversinha ou enrolação, mude imediatamente de psiquiatra. Se o seu psicólogo diz que os médicos só querem dopar você, te encher de remédio controlado ou te deixar dependente, troque imediatamente de psicólogo.

A saúde mental já luta para mostrar sua importância e salvar a vida das pessoas e não pode ser levada como um fanatismo religioso, charlatanismo, terrorismo, extremismo radical, como fazem alguns profissionais, na tentativa de se promover, polemizando com posições ideológicas e filosóficas, para conquistar notoriedade. Estes deveriam ser banidos por seus Conselhos e Òrgãos de Classe, por denegrirem a imagem da profissão e dificultarem que os psicólogos sejam valorizados, encarados com seriedade e alçados a uma das principais e mais importantes profissões que existem para o bem da humanidade.

As pesquisas científicas de credibilidade internacional apontam que os dois tipos de tratamento, conjuntamente, são fundamentais na maioria dos casos de doença, portanto estes profissionais que alimentam ¨rixas¨ entre classes, e emitem suas opiniões pessoais como verdades científicas, são antiéticos e mal preparados tecnicamente, não valorizando a ciência e as premissas mundialmente protocoladas para a saúde mental segundo a Organização Mundial de Saúde, maior autoridade em saúde no mundo.

A psicologia é uma das profissões mais difíceis do mundo, pois é preciso muita técnica e perícia para mexer delicadamente, com o infinito de propriedades do órgão mais complexo do corpo humano: O cérebro e a estrutura da mente humana.

O cérebro é o único órgão com uma terceira propriedade além da física e da química: O psicológico. E nesta coexistência, mexer com o psicológico é mexer com todo o corpo.

O cérebro é o regulador, o verdadeiro ¨centro de comando¨ de todos os sistemas e aparelhos do corpo, por esta razão é chamado de Sistema Nervoso ¨Central¨, suas inervações enviam comandos a todos os orgãos.

Portanto, este altíssimo grau de complexidade, faz com que não seja tarefa simples, achar um bom profissional.

Concluindo, a psicoterapia é um dos melhores, mais eficazes, sérios e importantes tratamentos em saúde de uma forma geral. Cuidar do corpo e dos orgãos sem cuidar da mente é perda de tempo. Grande parte das doenças que as pessoas vivem se tratando nos médicos, tem forte ligação com estresse emocional e quando ignora-se esta íntima relação do psicológico com o físico, o resultado é uma busca incessante pelos médicos e por uma cura que pode estar dentro de você mesmo, aparentemente invisível, escondido no infinito do seu cérebro.

Fonte: http://pauloandreissa.com/blog/2010/02/a-escolha-do-psicologo