Viver com você, é mergulhar num copo de intensidade.
Você é um paradoxo ambulante, Nathy: por um lado, toda independente, mulherão, sabe o que quer, faz e acontece; por outro, se importa com cada bobagem…
É verdade. Intensidade e paradoxo são duas palavras que me definem muito bem. O curioso é que a minha intensidade é comedida e o paradoxo faz sentido. Eu sou emotiva e, ao mesmo tempo, transformo os sentimentos em racionalidade, seja para justificá-los, organizá-los, exterminá-los ou até mesmo, me sabotar sem nem perceber. Tudo funcionando como mecanismo de defesa. E funciona, viu? Às vezes a armadura é tão poderosa que acaba virando uma arma e ninguém consegue se aproximar. Eu sou um pouco assustadora e, confesso, que eu até gosto disso. Eu tenho essa crença de que aqueles que não têm medo de se relacionarem comigo por livre e espontânea vontade merecem um pouco do meu respeito porque, na maioria das vezes, eu consigo ficar completamente fora dos padrões sociais. É como se meu jeito funcionasse como um filtro natural. Natural no sentido que eu não extrapolo nem forço nada pra tentar assustar (pelo menos não conscientemente) senão o resultado não seria autêntico. Eu não estaria sendo sincera com a pessoa e a sinceridade é um dos meus piores defeitos. Terrível mania esta a minha de ser sincera. Não consigo jogar jogos, não consigo esconder minhas verdadeiras intenções, não consigo mentir ou manipular, não consigo fazer coisas que a maioria dos seres humanos fazem naturalmente ou precisam fazer para se dar bem nesse modelo social que a gente vive. E não venha me falar que você gosta de pessoas sinceras, porque provavelmente você estaria mentindo pra si mesmo. As pessoas não gostam de ouvir as verdades dos outros, elas gostam de ser iludidas e ouvir exatamente aquilo que querem ouvir. Eu gosto de ouvir, mas geralmente as pessoas têm medo de me dizer coisas por confundirem minha intensidade com explosividade. São coisas diferentes. Então, quando falam suas críticas, geralmente é num momento de raiva em que intensificam tudo e articulam as palavras de jeitos para tentar me atingir e me machucar e depois ficam se arrependendo porque não era bem aquilo que elas queriam dizer. Era aquilo, mas não era. Sabe? E eu entendo porque eu já fui MUITO explosiva um dia e sei no momento da raiva parece que sua cabeça funciona de um jeito todo especial para elaborar as coisas mais cruéis de modo que você possa punir aquela pessoa do jeito mais doloroso possível. É horrível, de fato, mas com um pouco de auto controle e aquela velha tática de respirar fundo, você consegue segurar as pontas e mandar embora esses impulsos. Eu tive que aprender depois de perder muita coisa por causa das minhas explosões. Eu não gostava delas e elas me prejudicavam, logo, aprendi a controlar. A diferença deste defeito para os outros, tal como o defeito da sinceridade que eu falei, é que eu gosto. Eu gosto deste defeito, eu gosto de ser do jeito que sou mesmo sendo tão diferente. Eu sinto como se eu vivesse uma existência autêntica. São defeitos que afastam muitas pessoas de mim, que já afastaram quem gostava de mim, que já me impediram de conhecer algumas pessoas legais, mas é meu. Sou eu. Me deixa leve. Me faz deitar a cabeça no travesseiro feliz com a pessoa que eu sou. O grande desafio, entretanto, é achar pessoas que me respeitem e gostem de quem eu sou e queiram me ter por perto. Quando eu tiver isso, eu já vou ter preenchido um bom pedaço do vazio que eu sinto dentro de mim. Não se engane: não é porque alguém é solitário e parece agir como se afastasse as pessoas que ela goste de ser sozinha ou seja fria. Eu tiro por mim mesma, inclusive… Eu sou super carente e carinhosa e quando eu gosto de alguém e me importo com alguém, eu faço o que posso para tentar deixar essa pessoa feliz. Já cometi muitas vezes o erro de cuidar mais dos outros do que de mim e foi muuuito difícil aprender essa lição, porque eu perdi muuuuuuuita coisa e até hoje pago o preço por isso. Mas, sejamos honestos: tem coisa que por mais que a gente ouça, a gente só aprende quando leva porrada. Se viver fosse fácil, se viver tivesse regras corretas para ter uma existência feliz e completa, se fosse um aprendizado passivo, teriam cursos e best sellers que funcionariam para qualquer pessoa em qualquer faixa etária, em qualquer cultura, em qualquer lugar e situação do mundo. Mas, não tem né? A existência é mais complicada que isso. O que nos resta é descobrir o melhor jeito de conduzir nossa existência no mundo porque por mais que nós, humanos, tenhamos muitas coisas em comum, temos mais diferenças ainda. E assim eu vou conduzindo o paradoxo intenso da minha individualidade… Uma hora encontro as tais pessoas. Para as outras coisas, eu dou um jeito.
P.S.: Escrevi esse texto todo de uma vez. Não vou fazer revisão ortográfica ou nenhuma revisão do tipo. E tenho dito. Escrevo pra exorcizar e não pra alguém achar bem feito e bonitinho.








