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Vivien Harmon é casada com Ben Harmon e acabou de passar por um aborto natural. Seu filho morreu enquanto estava dentro de sua barriga, ela teve que dar à luz ao seu bebê morto e isso mexeu muito com ela. Ao voltar do médico, depois de um certo tempo depois do aborto, encontrou seu marido na cama com uma de suas estudantes de 21 anos. Foi mais um episódio difícil para ela em que abalou a confiança que tinha pelo marido. Não fica muito claro quanto tempo faz desde a traição.
Depois da briga, eles transam pela primeira vez depois de 1 ano de abstinência e ela se liberta sexualmente ao transar com o ‘homem de látex’ achando que é seu marido. É bem estranha essa ‘libertação sexual’ do nada pois o episódio inteiro fica bem clara a mágoa dela e seu desconforto com os toques e investidas do marido por ainda estar machucada pela traição. Depois da briga eles transam e isso faz sentido naquele momento, mas depois, quando ela está no quarto e entra o ‘homem de látex’, ela parece outra pessoa, ela se oferece pra ele, ela o provoca achando que é seu marido. Isso que não fez muito sentido pra mim, essa mudança de atitude tão repentina a ponto de ela se oferecer pra ele. Durante o sexo ela visualiza o marido sem a máscara e, em um momento ela tem uma expressão de choro. Talvez tenha relação com o que ela falou durante a briga: “Eu sequer consigo olhar pra você sem me lembrar da sua expressão enquanto você estava montado nela”. Após o sexo, quando seu marido sai de seu estado de ‘sonambulismo’ e volta pra cama, ela diz que o ama, mas de uma forma pensativa e distante. Acho que só nos próximos episódios vai ficar mais claro como que ficou essa ‘reconciliação’ pra ela.
Fica claro que a família tem muito pouco diálogo. A filha não falou pra ela da cena que viu entre Moira e o pai. A própria Vivian não conseguiu diferenciar o pênis do marido do pênis do homem de látex e sequer comenta depois com o marido sobre a experiência sexual que, teoricamente, teve com ele. O próprio marido não é sincero com Vivian sobre as atitudes de Moira com ele e sobre a ‘tentação’ que vem sofrendo. Preferindo continuar a ser provocado ao invés de dialogar com a esposa. Senti muito essa falta de diálogo entre a família. Há amor entre eles, mas também há muita mágoa e muitos distanciamentos.
Ben Harmon é psiquiatra e marido de Vivian Harmon. Eu percebo ele como um homem extremamente narcisista e que gosta de se sentir admirado e desejado. O desprezo de Vivian por ele é uma coisa que fere o ‘ego’ dele a ponto de ele achar que está sendo ‘punido’ por suas ações ao invés de reconhecer a mágoa que há dentro da esposa. É como se, pra ele, o mundo girasse ao seu redor. Ficou com ciúmes do cachorro que a esposa comprou para suprir sua carência argumentando que era nele que ela deveria buscar esse carinho e não em um cachorro. Ou seja, nunca se colocou no lugar da esposa ou da filha para tentar compreender seus sentimentos, se acha muito bom para todas elas e ‘pune’ a ‘traição’ da esposa ao comprar o cachorro, transando com uma de suas estudantes.
Na nova casa ele atua como clínico e se depara com um novo paciente que foge de seu controle e se aproxima de sua filha, deixando-o enfurecido. Em parte, pelo distanciamento necessário do paciente com sua família e vida pessoal, em outra pelo perigo que o próprio menino representa e, finalmente, por sua frustração em não ter controle da situação. Daí ele liga pra polícia e se enfurece em não conseguir fazer com que a polícia entenda o perigo que seu paciente representa.
Ao ver Moira se masturbando, ele foge da situação por medo de piorar as coisas com a esposa, mas se sente muito atraído pela cena e vai se masturbar. Achei incrível quando ele se masturba e, após gozar, chora. O gozo é a realização imaginária da fantasia dele com Moira, mas ao mesmo tempo é uma decepção para ele mesmo em não conseguir se controlar e em saber que ‘traiu’ Vivian ‘de novo’, desta vez, em seus pensamentos. Mas, mesmo assim ele não conta à esposa do que viu e das investidas dela. É como se ele tivesse dividido entre o medo de magoar a esposa e seu próprio narcisismo e desejo. Posteriormente, a filha vê a cena da Moira em cima dele no sofá, mas ele não se preocupa em conversar com a filha posteriormente até mesmo pra tentar explicar a situação. É como eu disse: falta muito diálogo. As coisas ficam mal resolvidas, soltas entre eles. É como se tivessem medo de conversar sobre as coisas e de repente tudo desmoronar e cada um ir pro seu lado.
Ele é tão narcisista que sequer nota a própria filha, que sequer repara os comportamentos dela. No diálogo da filha com a mãe após a briga na escola, a menina diz que ‘caiu’ e a mãe não acredita e pergunta ‘menino ou menina’, já sabendo do histórico da filha de brigas na escola. O pai enquanto pai e enquanto psiquiatra deveria ter notado o que acontece dentro de sua própria casa e com sua própria filha e perceber esse comportamento agressivo e auto destrutivo dela. Mas, ele não nota. Ou nota e prefere não se aprofundar, não sei.
Violet Harmon é a filha do casal e assiste de camarote tudo que acontece entre o casal, os deslizes do pai, tendo um sentimento de raiva dele que fica bem expressado no momento que conversa com a mãe na cozinha após a briga na escola. Ela defende a mãe e acha que ela deveria se separar. Se define como alguém que não tem medo de nada e se automutila. Não me sinto no direito de julgar (ainda) os motivos pelos quais ela faz isso porque não compreendo muito bem ainda a questão da automutilação. No entanto, Tate fala no consultório que “Os indígenas acreditavam que o sangue contém todos os maus espíritos. Uma vez por mês em cerimônias eles se cortam para deixar os espíritos livres” e, em paralelo são exibidas as imagens dela se cortando, então dá a entender que estes seriam os motivos dela: colocar os sentimentos ruins pra fora através das auto-mutilações, mas to só especulando por enquanto.
Ela se identifica com Tate pelo fato de ele não ser ‘normal’ e também se cortar e também ter alguns pensamentos parecidos com ela, mas ela se assusta no momento em que os dois vão se vingar da colega de escola dela porque ela vê claramente a presença de um outro ser além dele, o questiona e ele se esquiva e isso a irrita profundamente, como se ele tivesse ultrapassado os limites do que tinham combinado.
O último dos personagens que aparenta ‘existir de verdade’ é o Larry Harvey, um dos antigos moradores da casa e que matou a mulher e as duas filhas queimadas, segundo ele, por influência das vozes em sua cabeça que vinham da própria casa. Ainda segundo seu relato, o primeiro sinal é o sonambulismo e depois isso iria conduzir o morador a um estado de loucura. Ele foi preso, mas liberado por ter um câncer inoperável no cérebro. Ele é o único personagem que, além dos integrantes da família e da corretora imobiliária, aparece em algum ambiente fora da casa. O que eu não entendi bem é se o incêndio foi antes ou depois dos gêmeos entrarem quebrando tudo e, sendo antes ou depois, como a casa continuou ‘inteira’. Enfim, um detalhe ‘bobo’ que ficou meio mal explicado pra mim. Mas uma coisa que ele fala que entra em conflito sobre se ele ‘existe de verdade’ é quando ele fala pro Ben: “Eu nem me lembro de como eu saí de lá (da casa em chamas)”. E aí? Vivo ou morto? kkkkk :)
Em breve, a parte 2 com minhas impressões sobre o restante dos personagens da série. :)










