Sempre que um ano está terminando, gosto de pensar um pouco sobre o que aconteceu, sobre as coisas que eu fiz, sobre as mudanças que aconteceram em mim e na minha vida. Este texto é um resumo das minhas conclusões – tá bem grande porque, infelizmente, ainda não adquiri boas habilidades de síntese. kkkkkkkkk
Os primeiros meses de 2011 eu poderia dizer que eu continuei praticamente a mesma pessoa de 2010. Ainda com os mesmos padrões, pensamentos, atitudes, círculo de amigos, coisa e tal. Eu tinha recomeçado o curso de Psicologia por conta da mudança de metodologia da faculdade. Estava, de novo, no primeiro período. Tentei dar o meu melhor nos estudos, mas problemas de relacionamento com as pessoas do curso e problemas constantes em casa me deixaram sem vontade de tentar melhorar neste aspecto. Concluí o semestre com notas boas, mas ainda assim, abaixo do que eu gostaria de ter tido. Muitas pessoas da faculdade se afastaram de mim, inventaram um monte de coisa ao meu respeito, fui mal interpretada em dezenas de situações. Definitivamente não foi um bom semestre no quesito ‘relações pessoais com os colegas de curso’.
Em julho, meu mundo virou de pernas pro ar. Consegui um emprego e estava participando de um treinamento que decidiria se eu conseguiria ou não a vaga. Eu estava louca pra conseguir, dando o meu melhor, pois então eu finalmente conseguiria pagar minha faculdade. No aperto, mas conseguiria. Eis que algo terrível aconteceu: eu e meu namorado fomos assaltados e perdemos tudo. Eu falei sobre isso neste post e foi uma experiência horrível pra mim. Eu chorei todos os dias durante muito tempo, demorei meses até ter coragem de sair de casa à noite de ônibus. Eu me sentia culpada, achava que deveria ter reagido, pois tinha muita coisa em jogo, entre outros pensamentos e sentimentos confusos. Só de lembrar ao escrever esse texto, já começo a chorar de novo. Foi horrível pra mim. A sensação de impotência, de perder tudo que você estava conquistando, foi realmente frustrante e eu não gostaria de passar por isso de novo.
No outro dia, tive que acordar cedo e fazer algo que me parecia impossível: ir ao treinamento e fazer simulação de vendas. Pra fazer uma simulação, você precisa estar no mínimo bem humorado, atento às necessidades do cliente e calmo para conseguir negociar. Quando eu acordei pela manhã eu estava tudo, menos isso. Fiquei o tempo todo andando de um lado pro outro no quarto e chorando por não me achar capaz de conseguir fazer o treinamento. Meu namorado, Filipe, me ajudou muito, me deu carinho e amor para que eu pudesse me acalmar e pensar melhor. Juntei um pouquinho de força que eu nem sabia que tinha naquele dia e fui pro treinamento. Coloquei o que aconteceu em uma caixinha dentro do meu cérebro e guardei lá no fundo. Fui ótima no restante do treinamento e, dois dias depois, consegui a vaga.
Depois veio o meu aniversário e o do meu namorado (fazemos aniversário no mesmo dia, não é incrível?) e comemoramos num restaurante com alguns amigos. Foi bem legal e eu estava muito feliz por poder comemorar! Havia três anos que eu não fazia nada no meu aniversário. Depois vieram mais problemas familiares. Problemas familiares permearam 2011 inteiro, incrível como não tive sossego nenhum mês! Foi difícil pra mim lidar com os sentimentos que eram trazidos com essa questão familiar.
Em seguida, a bomba: a faculdade teria aulas quarta à tarde e as aulas do sábado passaram a ser obrigatórias. Eu trabalhava das 13:30 às 21:30 de segunda a sábado. Eu precisava fazer uma escolha. E fiz. Foi difícil pra caralho, mas larguei o emprego. Até tomar a decisão de largar, fui tomada por uma variedade de sentimentos, entre eles, a sensação de fracasso. Até que percebi que, ao contrário, eu estaria sendo forte ao largar o emprego, pois estava escolhendo continuar o meu curso, apesar de todas as dificuldades. Depois de um tempo da minha demissão, eu achei ótimo ter feito isso. O dinheiro era pouco, carga horária pesada, o trabalho em si era cansativo pra cacete, eu tinha que ouvir merda o dia inteiro, me atrasava 10 minutos e ouvia sermão, acumulei mais de 5 horas extras em menos de 1 mês de emprego e teve dia que eu larguei de dez e pouca da noite, entre outros problemas da função em si que nem vale a pena citar. Quando olho pra trás, vejo que fiz uma excelente escolha e fico orgulhosa da minha coragem porque sei o quanto foi difícil conseguir aquele emprego e como foi difícil largá-lo. Uma coisa muito boa que esse emprego me trouxe foi que eu senti que eu aprendi a me comunicar melhor. E isso se refletiu no segundo semestre de 2011.
Eu passei pouco mais de três meses bem deprimida. O assalto tinha me abalado, ter que largar o emprego não foi fácil pra mim, meu namoro não estava indo tão bem, amigos não existiam e eu não tinha mais paixão pelos estudos (mas eu estava conseguindo manter meu padrão de notas e, de fato, eu tirei notas infinitamente melhores que o primeiro semestre). Foi um período bem complicado pra mim e, novamente, eu tinha forças não sei de onde pra continuar lutando pelo meu namoro e pelo meu estudo. Eu lutei sozinha essas batalhas e consegui vencer. Tive um saldo bastante positivo de tudo isso, pois meu namorado amadureceu de uma forma incrível e se tornou um parceiro maravilhoso pra mim. Hoje em dia sei que, quando estiver cansada, posso dividir com ele o peso do mundo que carrego nas costas. É muito bom finalmente sentir que não estou mais sozinha. Sobre a faculdade, consegui elevar minhas notas a um nível muito bom, conseguindo ter várias médias 9, quando antes eu só ficava na linha dos 7 e 8.
Aos poucos, fui consertando e melhorando minhas relações pessoais na faculdade. Tive mais calma, menos pressa e soube me expressar melhor e com menos agressividade (eu não tinha a intenção de ser agressiva, mas sempre interpretavam que eu estava sendo), mas sempre deixando bem claro o meu ponto de vista. Acho que isso foi um aprendizado oriundo tanto do treinamento do emprego, quanto dos problemas que eu estava enfrentando no namoro. Sei que ainda não me comunico perfeitamente, mas a melhora obtida é digna de comemoração. :) Ainda sou muito mal interpretada e julgada erroneamente, mas eu acredito que faz parte. Nenhuma comunicação é perfeita. Você não tem como controlar como alguém vai receber e interpretar suas palavras. Você faz sua parte, o resto são variáveis que não se pode prever ou controlar.
Encerro o ano com uma sensação boa. De alívio. De satisfação. Mais um ano em que eu evoluí muito enquanto pessoa. Mais um ano do autoconhecimento que eu tanto busco e luto para obter. Um ano em que eu encerro pela primeira vez na minha vida tendo a certeza de que não estou mais sozinha. Mais um ano em que eu provei pra mim mesma o quanto eu sou forte. O mundo inteiro pode se acabar, mas eu tenho à mim. Ter a si e ter a força em si, é a melhor coisa do mundo. É o que me manteve de pé nas várias fases difíceis da minha vida e foi o que me fez sair, sozinha, do fundo dos vários poços que já estive. E eu ainda tenho a sorte de poder, pela primeira vez, contar com um reforço!
Querido 2011, obrigada pelas alegrias, obrigada pelas tristezas, obrigada principalmente pelas oportunidades de aprender a ser alguém melhor.
Querido 2012, estou ansiosa para descobrir por onde minhas escolhas irão me levar! Espero que 2012 me traga a calmaria após a tempestade e que eu possa aprender e evoluir muito mais! Espero ser capaz de melhorar meus defeitos, aprimorar minhas qualidades, me conhecer ainda melhor, ter ainda mais força, fazer mais amigos verdadeiros, amar mais, ter mais paciência e continuar tendo a capacidade de me afastar de tudo e de todos que me fazem ou querem me fazer o mal.
É isso, pessoal! Um beijo, obrigada por serem leitores fiéis do blog, apesar de eu ser uma escritora tão fuleira! kkkkkkkk Um ótimo fim de ano para todos vocês e um excelente 2012!
P.S.: Tentarei voltar em breve pra escrever algumas resoluções de 2012!
