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Figos-da-Índia por Christiane Tricerri

Um dia, no twitter, o @Cardoso anunciou que a @Tricerri estava fazendo uma promoção para aquele que fosse seu seguidor de número 800. O prêmio seria um exemplar autografado de seu livro de poesias. Visitei @Tricerri, procurei no Google e cliquei em sites procurando saber mais sobre aquela pessoa e seu livro. Eis que me deparo com uma atriz e diretora linda e super talentosa. Animada por receber as palavras escritas por ela, retorno ao seu perfil pra ver se eu ainda teria chances de ganhar e me deparo com o número de seguidores igual a 799! Corri pra segui-la e, ao confirmar que eu era a sortuda, twittei minha alegria!

figosdaindia

Ela entrou em contato comigo sempre super simpática e atenciosa e, dias depois, recebi o livro autografado em minha casa.

Comecei a folheá-lo e, já de cara, me identifiquei bastante com algumas de suas poesias. O livro é uma coletânea de sentimentos de uma mulher forte e sensível, feminina, sensual e apaixonada por sua natureza. Religiosa, mas daquelas que não tem vergonha nem pudor de se entregar aos seus prazeres. ‘Prazeres’, inclusive é o nome de uma de suas poesias que, na minha opinião, melhor resume os principais aspectos trazidos em seu livro:

Prazeres
Por Christiane Tricerri

Já fui casta
já tomei hóstia
e cantei na missa do galo.

Hoje me sento na calçada
e escolho o que devo chupar.
Nunca pequei,
tudo o que fiz foi por amor.

Reverencio a Deus
em cada esquina
e sinto tesão até no vento
que bate nas minhas pernas.

Carrego nas minhas entranhas
a possibilidade de ser mãe.
E me deságuo em vermelho
todos os meses, à espera da prole.

Não me aborreço tanto
quanto devesse,
sou moça forte
e cravo meus dentes na vida.

Quando crescer,
quero ser demente.
Cantar outra vez
na missa do galo,
e me esbaldar em prazeres.

Ainda sou casta.

Obrigada, Chistiane, pela oportunidade de ler poesias tão íntimas e inspiradoras! Eu ADOREI!

Obrigada, Chistiane, pela oportunidade de ler poesias tão íntimas e inspiradoras! Eu ADOREI!

Recomendo a leitura para todos! É um livro muito gostoso de ler! Quem tiver interesse em comprá-lo, acesse o site da Ficções Editora ou clique aqui para ir diretamente para a página do livro ‘Figos-da-Índia’.

“Eu vou escrever para o resto de meus dias. Isto é uma certeza, não uma rima.”

Christiane Tricerri

Nudez Sinestésica

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Tens esse ar de mulher fogosa daquelas que ama amar e nunca se cansa

Te vejo passar tão charmosa
Teu corpo firme mal balança
Tens esse ar de mulher fogosa
Daquelas que ama amar e nunca se cansa

Fantasio teu corpo nu em um quarto mal iluminado
Numa cama macia, com lençóis bem amassados
Teu cabelo bagunçado enlouquecendo minha cabeça
Com esse olhar felino, louco pra me tornar sua presa

Meus olhos percorrem o teu corpo
Com gosto de perversão
Teu cheiro quente invade meu âmago
Me fazendo transbordar de tesão

Mesmo vendo um corpo tão delicado
Minhas intenções se opõem à sutileza
À força te beijo, te tomo em meus braços
E, sem pedir licença, provo da tua beleza

Minhas mãos apertam tuas carnes
Nossos corações não são os únicos a pulsar
Teu jeito me tortura, eu não resisto
Rígido e molhada, nos pomos a amar

Teu veneno me consome
Teu apetite me devora
Somos dois loucos famintos
Descobrindo os gostos apenas imaginados de outrora…

A Rosa dos Ventos

Rosa-dos-ventos

Essa maldita alma leonina
Urra de dor com a rejeição.
Não importa que espécie pertença
Ela simplesmente arde.

Crescida com especialistas da manipulação
Não aguenta mais enxergar as verdadeiras intenções por trás das belas máscaras.
A cada dia ela se torna mais cética e desconfiada
E odeia isto a cada segundo que passa.

Por um momento, ela ficar cega
Para conseguir acreditar na palavra do homem
Na esperança de que, ainda que fosse mentira
Ela pudesse se sentir acolhida
E suspirar com a alegria de um interesse qualquer.

Mas não dura muito tempo, pois ela não consegue sustentar
As ações alheias sempre divergem das pronúncias
Uma caminha ao norte, e outra ao sul.
E ela fica ali parada no meio de sua rosa dos ventos
Frustrada e perdida na confusão do mundo.

“Y que mi luz te acompañe
Pues la vida es un jardín
Donde lo bueno y lo malo
Se confunden y es humano
No siempre saber elegir

Y si te sientes perdido
Con tus ojos no has de ver
Hazlo con los de tu alma
Y encontrarás la calma
Tu rosa de los vientos seré”

La Rosa de Los Vientos – Mago de Oz

Quer dançar comigo?

The_Light_to_the_Dark_by_danlawrance

Cole seu corpo no meu e me permita esta dança
Em passos largos, me conduza para onde quiseres
Com braços fortes, me eleve e me endeuse
E, com os mesmos braços, me desça e me sinta em você

Me gire, me entorpeça
Confunda meu ponto de equilíbrio
Tire os meus pés do chão
Saiba que estou em suas mãos

Me abandone, me atraia
Me torture, me agrade
Me puxa, me olha
Me beija! Me invade!

Só não seja comportado ou linear
Gosto do intenso, quase vulgar
E de tudo aquilo que servir pra desmascarar
As tuas verdadeira intenções de me amar

O Parnasianismo

Tua moldura quase perfeita serve apenas para te dar alguma qualidade

Tua moldura quase perfeita serve apenas para te dar alguma qualidade

Estamos vivendo um tipo de neo-parnasianismo
E essa era não me agrada
A futilidade está na moda
E é a peça-chave de qualquer figurino
Essa preocupação exagerada com a forma
Só reforça a falta de essência do ser
E serve apenas para enfeitar e caber
Nos tais versos decassílabos
Tua moldura quase perfeita
Serve apenas para te dar alguma qualidade
Porque teu cerne é oco, de paredes podres
Tua superfície se resume à tua vaidade
Teu eu lírico é um fantasma sem história
O epitáfio em branco de um funeral vazio
A música melodiosa acompanhada de uma letra vazia
Cantada por um belo desconhecido
Fique com tua estética estática
Não me resumo ao teu molde fetichista
Porque tu és apenas um parnasiano
E eu, sou uma realista

Desejo Irrefreável

Naquele momento, toda a racionalidade se esvaiu e restou apenas a animalidade.

Naquele momento, toda a racionalidade se esvaiu. Restou apenas a animalidade.

Ele foi em sua direção com um sorriso no rosto. Aquele corpo largo e quente a abraçou e, como sempre, o cheiro dele a entorpeceu. Sem dizer nada, a olhou nos olhos, segurou gentilmente seu queixo e a beijou. Inspirou profundamente, como se tentasse colocar as idéias no lugar, e disse:

- Teu cheiro foi criado por algum alquimista muito cruel.
- Porque?
- Porque cada vez que o sinto, fico tentado a consumir o corpo que o exala. É inevitável, como um vício.

Ela o olhou e disse em tom desaforado:

- Então eu sou como tua droga?
- Talvez! E não me olhe assim! Você me deixa louco com esse teu olhar. Com qualquer um deles!

Ela sorriu, corada.

- Você está exagerando!
- Você que não entende. És tão sedutora e apaixonante que é impossível te odiar mesmo que cometas erros e até algumas crueldades.
- Olhe… Eu já disse que aquilo que fiz não foi…

Ele a empurrou contra a parede e a interrompeu com um ardente beijo. O desejo gritou e não demorou muito para que as mãos deslizassem pevertidamente entre os corpos e as bocas se abrissem em gemidos de prazer.

- Aqui não! Alguém pode nos ver! – Ela falou, inutilmente.

Ele segurou suas mãos prendendo na parede acima de sua cabeça e a puxou com força pra mais perto. Sentiu seus seios macios roçar em seu peito e seu coração bater forte. Em pensamentos, ela pediu, em vão, para que a vontade passasse. Mas ela o desejava demais para resistir e, quando os lábios se encontraram de novo, o desejo tornou-se irrefreável. Naquele momento, toda a racionalidade se esvaiu. Restou apenas a animalidade. Os corpos desnudavam-se enquanto eles provavam-se esfomeados. Ele queria possuí-la ali mesmo. E assim o fez.

Daí pra frente, apenas selvageria e total descontrole. Foi tão intenso, que foi impossível conter o frenesi que havia dentro deles. E eles não queriam sequer tentar! Eles simplesmente se entregaram à loucura, correram até ela e se descontrolaram até um ponto que seus corpos se elevaram a um grau máximo, divino e profano de prazer. Deixando-os entorpecidos. Extasiados.

Primeiro, o romance. Depois, o desejo, o receio, a vontade, a perversão, a coragem, a entrega, a selvageria e, por fim, a loucura… E, agora, apenas respirações descompassadas dos corpos saciados. Eles se acariciaram sorrindo enquanto observavam o céu, admirando a única testemunha daquela noite de prazeres: a lua.