
Naquele momento, toda a racionalidade se esvaiu. Restou apenas a animalidade.
Ele foi em sua direção com um sorriso no rosto. Aquele corpo largo e quente a abraçou e, como sempre, o cheiro dele a entorpeceu. Sem dizer nada, a olhou nos olhos, segurou gentilmente seu queixo e a beijou. Inspirou profundamente, como se tentasse colocar as idéias no lugar, e disse:
- Teu cheiro foi criado por algum alquimista muito cruel.
- Porque?
- Porque cada vez que o sinto, fico tentado a consumir o corpo que o exala. É inevitável, como um vício.
Ela o olhou e disse em tom desaforado:
- Então eu sou como tua droga?
- Talvez! E não me olhe assim! Você me deixa louco com esse teu olhar. Com qualquer um deles!
Ela sorriu, corada.
- Você está exagerando!
- Você que não entende. És tão sedutora e apaixonante que é impossível te odiar mesmo que cometas erros e até algumas crueldades.
- Olhe… Eu já disse que aquilo que fiz não foi…
Ele a empurrou contra a parede e a interrompeu com um ardente beijo. O desejo gritou e não demorou muito para que as mãos deslizassem pevertidamente entre os corpos e as bocas se abrissem em gemidos de prazer.
- Aqui não! Alguém pode nos ver! – Ela falou, inutilmente.
Ele segurou suas mãos prendendo na parede acima de sua cabeça e a puxou com força pra mais perto. Sentiu seus seios macios roçar em seu peito e seu coração bater forte. Em pensamentos, ela pediu, em vão, para que a vontade passasse. Mas ela o desejava demais para resistir e, quando os lábios se encontraram de novo, o desejo tornou-se irrefreável. Naquele momento, toda a racionalidade se esvaiu. Restou apenas a animalidade. Os corpos desnudavam-se enquanto eles provavam-se esfomeados. Ele queria possuí-la ali mesmo. E assim o fez.
Daí pra frente, apenas selvageria e total descontrole. Foi tão intenso, que foi impossível conter o frenesi que havia dentro deles. E eles não queriam sequer tentar! Eles simplesmente se entregaram à loucura, correram até ela e se descontrolaram até um ponto que seus corpos se elevaram a um grau máximo, divino e profano de prazer. Deixando-os entorpecidos. Extasiados.
Primeiro, o romance. Depois, o desejo, o receio, a vontade, a perversão, a coragem, a entrega, a selvageria e, por fim, a loucura… E, agora, apenas respirações descompassadas dos corpos saciados. Eles se acariciaram sorrindo enquanto observavam o céu, admirando a única testemunha daquela noite de prazeres: a lua.