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Impressões sobre o documentário “How to Kill a Human Being”

Este domingo eu assisti ao documentário ”How to Kill a Human Being” (Como matar um ser humano) produzido pela BBC Horizon em 2008. O documentário é muito interessante e não entra dentro da discussão de ser contra ou a favor da pena de morte. A proposta é a seguinte: há pena de morte nos EUA e há experiências que mostram que a injeção letal pode não promover uma ‘morte humana’. Por conta disso, o Michael Portillo se propõe a investigar sobre a injeção letal, assim como várias formas de execução utilizada nos EUA, bem como possíveis alternativas que proporcionem uma morte dignamente humana, sem dor ou sofrimento. Ele argumenta: “se o Estado for matar pessoas, queremos que o faça mais humanamente possível. Acho que a maioria das pessoas concordam.”

Michael Portillo, autor do documentário

Uma das coisas que me chamou atenção foi quando ele conversava com o inventor da injeção letal, Jay Chapman, o qual argumentava que “se o protocolo for executado como deve ser, absolutamente não haverá sensação de dor”. O pesquisador então argumenta dizendo que muitos dos que fazem a aplicação da injeção letal não são muito experientes (médicos não podem fazer este procedimento, pois feriria o juramento de Hipócrates) e que a má execução do procedimento, a mais leve falha de perícia, poderia causar dor ao prisioneiro. Então, o inventor diz: “Sim, (a má execução) pode (causar dor), mas minha postura básica é: então eles sofrem uma pequena dor, quem se importa?”.

Jay Chapman, inventor da injeção letal

Então surge a entrevista com uma mulher chamada Carol Weihrer que, durante uma cirurgia de rotina em seu olho, recobrou consciência enquanto recebia uma das drogas utilizadas na injeção letal (brometo de pancurônio) e sentiu uma dor alucinante. A sensação era de chamas correndo pelo seu corpo, como se estivesse pegando fogo, mas você não consegue se mexer e nem fazer nada para expressar o que está sentindo. Por conta disso, acredita-se que muitos prisioneiros experimentaram esta mesma sensação agonizante com a injeção letal e morrem de asfixia antes mesmo que seu coração seja parado. É uma possibilidade que as cortes americanas levam a sério, tornando a injeção letal um método questionável.

Ele ainda pesquisa o enforcamento, cadeira elétrica e câmara de gás de cianeto, mostrando que todas estas opções não devem ser utilizadas. Ele conclui: “(um dispositivo de matar perfeito) primeiro de tudo, não deve requerer nenhuma perícia médica, porque médicos não querem ser envolvidos por causa do juramento de Hipócrates e isso eliminaria a injeção letal. Tem que ser uma rápida e indolor morte que seja garantida, o que elimina o enforcamento já que não é garantido. Não pode ser sangrento, o que elimina a eletrocução. E não deve depender da cooperação do prisioneiro, e isto elimina o gás cianeto.”. Ao assistir o documentário fica mais claro o porque de cada argumentação dele. Não vou me deter a explicar aqui, porque estou escrevendo esta resenha com o intuito de explicar brevemente sobre o que se trata este documentário que tanto me chamou atenção pelo título não convencional.

Então, como todas as formas de execução atuais já foram testadas e eliminadas, ele busca encontrar uma alternativa para a morte humana. Ele encontra esta alternativa: hipoxia. No Centro Fisiológico da Força Aérea Real Holandesa, ele experimenta uma câmara de altitude e é orientado pelo fisiologista do centro a retirar sua máscara em determinado momento e fazer alguns exercícios. Depois de um tempo, ele começa a se sentir bêbado, eufórico e confiante e fica incapaz de resolver tarefas básicas. Então, finalmente o fisiologista que o acompanha dá o comando: “coloque sua máscara ou você morrerá”. O pesquisador encontra-se num estado tão hipóxico e se sente tão eufórico que simplesmente não se importa com a possibilidade da morte e não obedece ao comando. Então o fisiologista intervém e coloca sua máscara, salvando sua vida. Após a experiência, ele relata que não fazia idéia que estava perto da morte e se sentia muito autoconfiante e feliz. Então, conclui: “que bela maneira de partir”.

Michael Portillo na câmara de altitude

Entusiasmado pelos efeitos da hipoxia experimentados na câmara de altitude, ele começa a pesquisar sobre alternativas de uso, já que a construção de uma câmara de altitude em cada local de execução seria caro e inviável. Então ele encontra um pesquisador britânico que está desenvolvendo um método humano de matar baseado nos efeitos eufóricos da câmara de altitude. Dr. Mohan Raj vem pesquisando a hipoxia como uma forma de matar animais de fazenda em matadouros, mas ao invés de usar a maquinaria experimentada pelo pesquisador, ele usa gases argônio e nitrogênio, produzindo o mesmo efeito que o da câmara. Então ele demonstra sua pesquisa com um experimento interessantíssimo com porcos. Em resumo, os porcos preferem comer no ambiente que tem o gás letal simplesmente pelo efeito de bem estar que ele provoca. É simplesmente incrível quando o porco se sente zonzo, cai e em seguida volta para o gás letal. Se o efeito deste gás fosse doloroso, ele não voltaria.

Dr. Mohan Raj, pesquisador da hipoxia com os gases nitrogênio e argônio

O que mais me espantou, entretanto, foi o final do documentário. Satisfeito pelo resultado de sua pesquisa, Michael Portillo volta aos EUA para compartilhar com Robert Blecker (voz líder do movimento a favor da pena de morte) os resultados encontrados através da pesquisa do Dr. Mohan Raj e sua morte indolor. Ao explicar o funcionamento do dispositivo, ele pergunta o que ele acha desta possibilidade. A resposta, ao meu ver, é chocante: “Penso que é terrível. Se os assassinos que golpeiam suas vítimas na lateral da cabeça com martelos e depois cortam suas gargantas morrerem, em suas palavras, num grau eufórico, isso não é justiça. O último momento de suas vítimas foi eufórico? Será a maioria de nossos últimos momentos eufórico?”

Robert Blecker voz líder do movimento a favor da pena de morte

Fiquei decepcionada com essa argumentação do líder do movimento. Afinal, a justiça não é mais sinônimo de Lei do Talião. É como Mahatma Gandhi diz: “De olho por olho e dente por dente o mundo acabará cego e sem dentes”. Eu não vejo a pena de morte como uma punição ou como uma oportunidade de vingança da sociedade. Afinal, quem somos nós? Os assassinos ou as vítimas? Desejar um alto grau de sofrimento a um condenado é tornar-se o próprio condenado. É tornar-se tão cruel quanto aquele que cometeu o crime. É tornar-se tão desumano quanto aquele que cometeu atrocidades. Se o princípio da pena de morte é eliminar da sociedade aquele ser humano que é incapaz de conviver nesta mesma sociedade, que seja então de uma forma digna e humana. Querer impor à morte do condenado o mesmo sofrimento de suas vítimas, é paradoxal, é como dizer ao assassino: você está na sociedade certa, mas somos hipócritas demais para admitir.

Enfim, achei o documentário incrível e recomendo que todo mundo assista sem preconceitos, sem opiniões formadas e mergulhe na experiência da sensação da morte assim como fez o pesquisador autor deste documentário.

P.S.: Gente, fui escrevendo, escrevendo e confesso que nem editei o texto (ainda). Ignorem se algumas coisas não estiverem claras ou com alguns erros de português. Adoraria que vocês assistissem ao documentário e depois deixassem sua impressão aqui. :) Lembrem-se que a discussão não é sobre haver ou não pena de morte, e sim sobre sua aplicação nos países que a admitem.

Raquel Sheherazade em uma crítica sobre o Carnaval

Vale a pena assistir e refletir sobre as questões que ela aborda. Para os que gostam de comemorar o Carnaval, pode parecer uma crítica a si mesmo enquanto pessoa, mas não é. É direcionado ao governo, empresários e a foliões bem específicos que todo mundo já se deparou em algum momento da folia. A Obvious também fez uma postagem sobre o Carnaval, bem interessante.

Conheça o LifeStraw, um purificador de água que está ajudando a salvar vidas

O pessoal do RocketBoom publicou um vídeo falando sobre este purificador de água que eu aposto que muitos de vocês não conhecem ainda. Ele está ajudando a salvar milhões de vidas em lugares onde a água é escassa e contaminada. LifeStraw é um canudo plástico de 31 centímetros constituído de várias câmaras que ajudam a filtrar a água na hora do consumo. A água sugada passa por um espaço de 10 micrômetros e depois de 15 micrômetros, em seguida, por uma câmera preenchida de bolinhas revestidas com iodo, que mata bactérias remanescentes. Depois, passa por uma câmera vazia para então passar por uma que contém carvão ativado, que remove o gosto de iodo e outras bactérias. O processo inteiro é produzido por sucção, similar ao uso de um canudo comum. Mata e remove 99,999% das bactérias da água e 99% dos vírus. O canudo têm vida útil de 1 ano e ajuda a evitar contaminação de doenças como: malária, febre tifóide e diarréia. Clique aqui e saiba como fazer doações e ajudar a salvar vidas pelo mundo inteiro. A Visão Mundial trouxe o LifeStraw para o Brasil e também está com campanhas de doação. Informe-se e Participe!

Quando o castigo vira tortura

Ser mãe, ser pai, não é tarefa fácil. Você é responsável pelo desenvolvimento emocional e cognitivo de uma criança, influencia em sua formação de opinião, conceitos, gostos de uma forma que você não tem como controlar ou como saber no que vai dar, no que aquilo vai afetar aquele indivíduo e transformar a vida dele. Ninguém é mais especial que ninguém porque já botou um filho no mundo, porque tem muitos pais por aí que pensam que são pais porque disseminaram seus genes. Mas ser pai, ser mãe, é MUITO mais do que isso. Não existe essa de ‘mãe é tudo igual, só muda de endereço’, não existem regras universais em como pais e filhos se relacionam, não existe essa de meninas vão se sentir mais a vontade de falar sobre sexo com sua mãe ou meninos vão preferir a companhia de seus pais. Quando se trata de seres humanos, meu amigo, não existe regra. Só existe excessão. Pessoas que passam por uma mesma experiência, descrevem ela de formas diferentes, sentem de formas diferentes, opinam de formas diferentes, se moldam de formas diferentes. Prova disso são irmãos gêmeos que são nascidos iguais, criados iguais, pelos mesmos pais, ao mesmo tempo, mas são pessoas completamente diferentes, por mais parecidos que sejam, são indivíduos únicos e singulares.

Enfim, eu acabei falando tudo isso porque eu fico me perguntando como é que uma criança que é tratada como esta do vídeo (entre outras crianças que são tratadas de modo pior) recebem esta experiência, como ela se transforma a partir dela, como ficam seus medos, como fica sua relação de confiança com as pessoas, como fica seu afeto? Eu não acho certo bater e torturar seu próprio filho. Eu acho que a disciplina não deve ocorrer através do medo, mas através de um exercício constante de autoridade, de reflexão e de consciência da própria criança que deve ser desenvolvido juntamente com seus pais. Veja que eu não sou do time do ‘deixa fazer o que quiser, sem limites’, pelo contrário! Eu só não acho certo essa banalização da violência e da tortura dentro de sua própria casa. Acho uma coisa lamentável. Enfim, o vídeo segue abaixo em inglês e sem legendas em português. Mas, mesmo assim, você que não entende inglês: assista! Esta mãe mórmon pune seu filho por ter escondido as 3 advertências que recebeu em sua escola com pimenta e banho gelado.

Campanha na Indonésia alerta sobre o excesso de TV para as crianças

Na Indonésia, as crianças chegam a passar mais de 5 horas na frente da televisão. Pensando em estimular os pais e até mesmo as próprias crianças a se divertirem de outras formas, a UNICEF do país criou uma campanha bem legal com um conceito bem bacana: “see what you can switch on, when the screen is off”. Traduzindo seria algo como: “veja no que você pode se ligar quando a tela está desligada”. As imagens e os vídeos são bem simples, mas passam muito bem a mensagem.

Via & Via

Seja um Doador Voluntário de Medula Óssea

Para a realização de um transplante de medula óssea é necessário que a compatibilidade entre o doador e receptor seja 100%. A chance de encontrar uma medula compatível é em média de 1 a cada 100.000 (cem mil)! Por isso, registre-se como doador voluntário de medula óssea! O cadastro consiste no preenchimento de uma ficha de identificação e na coleta de 5ml de sangue para o teste de compatibilidade (tipagem HLA). Seus dados e sua tipagem HLA serão cadastrados no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME). Quando aparecer um paciente com a medula compatível com a sua, você será chamado.

A IFMSA-Brazil e o Diretório Acadêmico de Medicina (DAFF) da Faculdade Pernambucana de Saúde montaram uma campanha de doação de medula óssea em parceria com a ONG ATMO (amigos do Transplantado de Medula Óssea). O objetivo principal da campanha é aumentar o Banco de Doadores de Medula, já que quanto maior o número de representantes brasileiros cadastrados no banco, maiores serão as chances dos pacientes que aguardam seus doadores compatíveis!

LOCAL: Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS) – Av. Jean Emile Favre, nº 422, Imbiribeira
DATAS: 08/06/10 e 10/06/10 (AMANHÃ!)
HORÁRIOS: 8:30-12:30 e 13:30-21:30

Mais informações:

INCA
AMEO
ATMO

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