Category Archives: Textos

Sobre o ‘militarismo’ ateu

Eu estou pensando em escrever este texto há bastante tempo. Já comecei várias vezes, mas como encontro dificuldades em me expressar tão claramente quanto desejo, então decidir ir de uma vez e, caso necessário, ir modificando até ficar claro o suficiente. Dito isso, vamos lá…

Não é novidade pra ninguém que eu sou atéia desde que me entendo por gente. Em vários textos do blog já contei sobre como se deu essa construção da minha descrença que se deu por inúmeros motivos, porém todos eles oriundos de uma profunda reflexão sobre mim, o mundo e as religiões às quais fui apresentada. O ateísmo em si não é uma religião por motivos óbvios, mas ela se diferencia das demais religiões por outro fator importante: não há mandamentos universais, não há castigos, ameaças, não há uma opinião considerada ‘certa’ ou ‘errada’. Deixe-me explicar melhor: eu não estou dizendo que os ateus (as pessoas) não tenham tais idéias, eu estou dizendo que o ateísmo (o conceito) por si só, não as ‘prega’ como as demais religiões.

No entanto, o que eu vejo que anda acontecendo é uma tentativa de unificação do ateísmo, uma tentativa de ditar o que é certo e errado para os ateus. E isso me incomoda profundamente. Vejam: o ateísmo por si só, o conceito, significa descrença em deus ou deuses, em força(s) soberana(s) que criou o universo. Nada mais. Nada menos. O ateísmo não prega igualdade dos direito femininos, não prega o direito igual aos homossexuais, não prega a extinção das religiões, nem nada disso. Quem assim o faz são ateus e não o ateísmo. Espero que tenha ficado clara a minha distinção. Vou tentar exemplificar melhor: eu, Nathálya, atéia, sou a favor da igualdade de direitos entre homens e mulheres, sou a favor da união entre homossexuais, mas eu sou a favor de tudo isso por minhas próprias convicções e não porque alguma instituição me disse para ser. O ateu não deve responder à nenhuma instituição religiosa, não há nenhum livro como a bíblia no ateísmo, não há um líder como o Papa no ateísmo, não há um poder soberano que dite o que deve ou não ser feito por um ateu. Ele é um ser humano livre e que usará de sua ética e moral apreendidas em sua educação civil, acadêmica e familiar para elaborar suas próprias convicções.

Há ateus que são a favor da extinção das religiões. Há ateus que são contra a extinção das religiões, que acreditam que cada um deve ser livre para escolher o que melhor lhe preencher. Da mesma forma, há evangélicos contra a união homossexual e há evangélicos que não vêem nada demais. Há católicos que viram na Inquisição uma necessidade, há católicos que acharam aquilo uma barbárie. Há muçulmanos que concordam com as guerras santas, há muçulmanos que querem a paz. Veja, mesmo nas religiões onde encontramos um livro sagrado e um líder, temos uma variedade imensa de pensamentos e opiniões. O mesmo (salvo as devidas diferenças, óbvio) ocorre no ateísmo. E, como eu disse, estou vendo acontecer ultimamente uma tentativa de unificar o pensamento ateu e acho que isso é, no mínimo um absurdo e uma distorção do conceito do termo ateísmo.

Eu não respondo à um líder, eu não concordo com tudo que um ateu diz, eu não concordo com tudo que um autor de livros que seja ateu diz. Eu sou um ser humano livre que entende que a vida é um acontecimento raro e maravilhoso e que a cada dia avançamos mais na compreensão do universo e tudo que há nele. Eu não acho que as religiões devam ser extintas e reconheço a importância delas no começo da humanidade, pois foi a partir das verdades infundadas das religiões que surgiu a ciência para tentar comprovar/incomprovar e explicar. Discordo de 99% das palavras religiosas, mas não tiro o direito de elas existirem desde que saibam respeitar minha descrença. Não saio por aí tentando ‘converter’ crentes, mas me deixo disponível caso alguém queira saber mais sobre minha descrença. E isso entra em outro ponto que eu gostaria de falar: a conversão ateísta.

Vivemos em um país religioso e eu me lembro de quando eu era criança, ter vindo a seguinte pergunta numa tarefa de casa: “qual a sua religião?”. Eu não fazia a menor idéia e perguntei à minha mãe: “qual a minha religião?”. E ela disse: “católica”. E foi assim que eu coloquei na minha tarefa e era assim que eu respondia quando me perguntavam mesmo sem ter idéia do que ser católica significava, mesmo sem saber que haviam outras religiões, mesmo sem saber de nada dos detalhes. O tempo vai passando, a gente vai conhecendo mais as coisas e começa a questionar sobre a veracidade delas e o sentido delas em nossa vida. Bem resumidamente, foi a partir disso que cheguei à conclusão que deus não existe e que não há nenhum motivo para temer inferno ou almejar o céu, que minha vida é um evento único e raro e que devo fazer o melhor possível para ser feliz e fazer o bem enquanto eu existir.

Só que eu venho observando uma tentativa por parte de alguns ateus de convencer religiosos sobre a inexistência de deus. O que antes acontecia entre uma conversa de ateus para compartilhar suas convicções, agora virou argumento de conversão. E eu já vi em páginas de ateísmo depoimentos emocionados de pessoas que se converteram ao ateísmo e agora estão felizes. Isso te lembra alguma coisa? Claro que lembra. O mesmo papo acontece naqueles programas evangélicos que passam de madrugada. Eu acho isso simplesmente ultrajante. Você está interferindo na liberdade de pensamento de alguém e plantando suas idéias nele. O ateísmo deve ser uma descoberta livre, autônoma, que leva tempo e reflexão, e não uma arma de conversão. Inserir a idéia do ateísmo em uma pessoa que não buscou isso por si só, que não se questionava sobre as coisas é tolher sua liberdade de pensamento, é lavagem cerebral igual àquela das religiões, é errado (ao meu ver).

Adoro conversar com meu namorado, que também é ateu, sobre as incoerências religiosas, sobre as inconsistências, sobre as ‘provas’ que eles mesmos dão. Os DOIS são ateus e estamos compartilhando nossa descrença. Nem eu, nem ele chegamos pros nossos amigos religiosos e começamos a relatar as incoerências bíblicas e nem tentar converter ninguém. Quando um religioso vem debater comigo, geralmente eu mostro pra ele porque aquele argumento não faz sentido pra mim, mas não fico tentando provar que ele está ‘errado’ ou que eu estou ‘certa’. Eu falo sobre minhas convicções e porque elas fazem sentido pra mim ao invés das dele. Religião é dogma, dogma é inquestionável, e ainda tem gente que se surpreende com declaração do papa! Ele tá fazendo o papel dele enquanto representante daquela instituição religiosa. Enfim, comecei a fugir do assunto,  então: resumindo…

Sou atéia, sou muito feliz por ser atéia, discordo imensamente do que pregam as religiões, não saio por aí convertendo ninguém pro ateísmo, não acho que deva existir entidades ateístas com o objetivo de ‘pregar’ o ateísmo, não gosto desse militarismo ateu que está ocorrendo recentemente pela internet, infelizmente percebo que o ateísmo virou moda pra muitos adolescentes revoltados que sequer sabem do que estão falando e que sequer refletiram sobre a existência ou inexistência de deus e, por fim, acredito que as entidades ateístas existentes devam lutar pelo respeito entre religiões, expansão de programas científicos, incentivo à educação, apoio à ateus que sofrem socialmente e familiarmente com sua descrença,  ajudar pessoas com necessidades (já que não existe nenhum deus que vai ajudá-las, apenas humanos) ao invés de tentar converter gente por aí. É isso.

Rotina para que?

O tempo todo ouvimos as pessoas falarem do quanto é bom sair da rotina, que rotina só deixa a gente estressado e tal. Eu sou uma pessoa que nunca tive uma rotina. Desde criança, nunca tive hora pra estudar, pra comer, pra brincar e isso me ajudou e me prejudicou de várias formas.

Me prejudicou no sentido que eu sinto dificuldade em estabelecer um horário pra cumprir minhas coisas do dia a dia. Fica aquela coisa de: “eu posso fazer depois, então depois eu faço”. Procrastinação master! Eu também acho que sou mais preguiçosa que o normal por causa disso, depois da menstruação então que minha capacidade de concentração cai vertiginosamente, é uma tortura conseguir dar conta das minhas atividades. Ai quando eu dou conta, to cansada porque virei a madrugada estudando ou algo do tipo e no outro dia eu tô uma pilha e acabo dando patada em alguém, daí arranjo um problema de graça.

Sobre em que me ajudou, posso citar três coisas: responsabilidade, perfeccionismo e trabalhar bem sob pressão. Responsabilidade porque mesmo que eu decida fazer o que tenho que fazer faltando poucas horas pra entregar, eu nunca deixo de fazer e quando eu opto por não fazer, arco com as consequências numa boa. Eu não sei se a falta de rotina me deixou perfeccionista ou se eu já era e isso me ajudou na falta de rotina (vou até pensar sobre isso depois). Mas, pelo fato de eu ser perfeccionista isso me ajudou, pois mesmo faltando apenas poucas horas pra entregar algo, eu nunca entrego nada seboso. Fico angustiada só de imaginar em colocar meu nome em um trabalho ruim. Novamente: nas vezes que eu não tinha condições de fazer um bom trabalho, entreguei um razoável e arquei com as consequências disto. To repetindo isso porque muita gente gosta de dar uma de doida: tem um prazo enorme e só decide fazer o trabalho de última hora, faz uma merda e vai chorar pro professor/chefe pedindo prazo, reclamando da nota e inventando desculpas. Eu sou sincera comigo mesma. Por último, mas não menos importante, aprendi a trabalhar sob pressão. Só eu sei o que é lutar contra o relógio e começar de meia noite um trabalho que você vai entregar no outro dia de manhã, contendo 22 páginas e tirar 10. Sou Ph.D nisso. Sério. Tem trabalhos que, dependendo da complexidade, eu choro, desisto umas 20 vezes, mas entre um choro e uma ‘desistida’ sento a bunda na cadeira e faço, o  trabalho fica épico e eu tiro uma nota excelente.

Tem um ditado que diz: ‘em time que tá ganhando não se mexe’. Eu discordo pra caramba dele. Ora, veja bem, se um time está ganhando, existem outros times perdendo, esses outros times vão mudar suas táticas pra ganhar do time vencedor, então é só uma questão de tempo para o time adversário encontrar uma boa tática para derrotá-lo. Pra mim, ‘em time que tá ganhando, deve se aperfeiçoar para contra ataques’. Né verdade? Faz sentido o que eu to falando, analisa direitinho: é muito cômodo ficar de boa só porque ‘o time tá ganhando’. Enfim, mas porque eu to fazendo essa viagem toda? Pra dizer que mesmo que eu não tenha rotina, faça as coisas na hora que eu quero, consiga obter excelentes resultados, mesmo assim, eu preciso de uma rotina.

À medida que o tempo passa, a quantidade de responsabilidades vão aumentando. Se eu não conseguir manter uma rotina básica, eu tô lascada pra conseguir dar conta de tudo lá na frente por mais que eu trabalhe bem sob pressão, seja perfeccionista e me responsabilize. Vai ser difícil pra caramba me disciplinar sozinha esse semestre, mas preciso tentar. Sinto que eu vou aprender mais (disciplina, principalmente pq eu sou uma rebelde kkkkk) e também aprender mais na faculdade se eu tiver um horário fixo pra estudar em casa. Ou seja: acho que manter uma rotina que tenha como objetivo fazer você render o seu melhor durante o dia ao invés de simplesmente cumprir de tarefas, é super benéfica.

Então a gente faz assim: eu começo a fazer uma rotina pra ser melhor em minhas responsabilidades e aprender a me disciplinar, e vocês tentam ser menos escravos dela e buscam fazer pequenas modificações pra serem melhores e render mais. Combinado? :)

P.S.: A cada texto nesse estilo, eu fico me sentindo uma cronista. Fico imaginando como seria se eu realmente fosse uma. Acho que eu ia ter dificuldade de me tirar um pouco das histórias, porque eu escrevo muito³ pessoalmente. Enfim, isso é assunto pra outra reflexão e outro texto!

Um beijo! :*

Eu sei que a rotina pode te deixar louco, mas não deixe ela te matar! Tente fazê-la extrair o seu melhor e fuja dela de vez em quando! :)

Desabafo de 2 minutos

Às vezes penso que não vale a pena. Eu sempre perdoo as merdas de todo mundo, dou nova chance, uma folha em branco, mas na hora que preciso de perdão, cadê? Na hora que eu erro, cadê que alguém se compadece? Na hora que eu to mal, cadê que alguém aparece? As vezes fico puta porque eu sei que as coisas que eu perdoo, outras pessoas não perdoariam e que as pessoas que eu estou perdoando, não me perdoariam se eu tivesse feito a mesma coisa com elas. Às vezes dá vontade mesmo de virar uma pedra de gelo, voltar a usar minhas 13128931 armaduras e ligar o ‘foda-se’, mas eu sou muito burra. Quando eu ficar mais inteligente, quem sabe?

P.S.: Postei isso ontem no Facebook antes de dormir, mas queria deixar registrado aqui também. :)

Lembranças, amizades e erros

Só falta Gabriella Andrade, que tava tirando a foto! Hahahaha <3

Hoje eu me toquei de uma coisa importante: lembranças boas são aquelas que ficam mesmo quando a amizade se distancia ou até mesmo acaba por causa de briga. Quando você consegue olhar pra trás e sorrir lembrando do quanto foi bom, acho que chega o momento que você tem que pensar se vale a pena deixar aquelas pessoas no passado por coisas que você nem lembra mais, ou se vale a pena tentar amenizar as coisas e tentar trazê-las para o seu presente para pelo menos manter por perto quem um dia te deu uma amizade tão bacana.

Ontem uma amiga do tempo de escola veio aqui em casa e a gente conversou bastante e eu relembrei de como era bacana amizade que eu tinha com ela e com algumas outras pessoas ‘do grupinho’. A gente mudou tanto, a gente cresceu tanto! Dá até orgulho de ter feito parte do passado deles. Então eu lembrei de dois amigos que eu não tinha mais contato. Um, por distanciamento mesmo e complicações da vida dele que acabaram deixando mais difícil o acesso e o contato e, o outro, por uma briga feia que tivemos.

Foi quando eu comecei a colocar as coisas na balança e vi que mesmo que o erro não tenha sido todo meu, mesmo que a gente tenha sido infantil e bobo, mesmo que o distanciamento tenha sido grande, valia a pena tentar resgatar pelo menos um contato. E foi o que eu tentei fazer. Resgatei o contato com o amigo que eu tinha me distanciado e tá sendo ótimo! É engraçado como ele ainda me trata do mesmo jeito de quando a gente ‘se separou’. A mesma intimidade e o mesmo carinho. É como se nada tivesse acontecido e eu acho isso simplesmente fantástico!

Já com o outro amigo, não tive a mesma sorte. Liguei pra ele e o ‘ah’ que ele soltou quando eu disse que era eu no telefone foi como uma facada em mim. Ele tava super frio e chateado, mas eu fiz minha parte. Ele lembrava de detalhes da briga, de coisas que nem eu lembrava, sinal do quanto isso machucou ele. Fiquei arrasada. Eu disse o que eu tava sentindo, que a amizade da gente era foda e que mesmo com a tonelada de erros que haviam sido cometidos, eu achava que valia a pena retomar pelo menos um contato. Pedi desculpas por tê-lo magoado e ele disse que me desculpava, deixei nas mãos dele a escolha de voltar ou não ter um contato comigo e desliguei. Espero que ele fique com essa ligação na cabeça e consiga superar o que houve. Ia ser muito bom poder pelo menos ter contato com ele de novo.

É feito um ex namorado meu que a gente se conhece desde crianças/pré adolescentes. Quando a gente namorava, as brigas eram caóticas e ultrapassavam todos os limites. Mas a amizade da gente sempre tinha sido ótima e a gente construiu monte de histórias boas, engraçadas e até mesmo bizarras. Resultado: hoje em dia continuamos bons amigos, temos carinho e respeito pelo outro e damos risada das merdas que a gente fazia. Acho que isso sim é bacana e isso sim é ‘ser maduro’. É saber olhar pra trás e ver que houve merda pra caralho e coisa boa pra caralho. Conseguir separar as coisas, aprender com os erros, respeitar aquela pessoa e ter uma amizade bacana apesar de todos os pesares.

Sabe porque isso é importante? Porque cada um e nós é completamente diferente um do outro, então é difícil encontrar pessoas que se pareçam conosco ou que saibam respeitar (de verdade) nosso jeito de ser. Amigos são raros pra caramba! Pessoas de coração bom são mais raras ainda. A maioria das pessoas só pensa em formas de prejudicar outras pessoas pra conseguir sair por cima e isso é nojento.  Então eu acho que vale mais do que a pena colocar o orgulho de lado, ter coragem de retomar um contato, de pedir desculpas, de desculpar e de tentar de novo continuar aquela amizade bacana.

Eu tentei, não sei se eu vou conseguir, mas espero que sim. :) Espero também ter calma e sabedoria para não colocar a perder as amizades que já tenho para não precisar fazer isso de novo mais na frente.

Boa sorte para todos nós!

Um beijo! :*

P.S.: Eu sei que esqueci de fazer o texto com as resoluções de ano novo, mas é porque eu sou assim esquecida mesmo! KKKKKK Eu fiz um cronograma, na verdade, mas ficaria ruim de postar aqui, então eu fiquei de pegar o cronograma e fazer um texto a partir dele, mas acabei esquecendo. Se vocês ainda quiserem, eu faço!

Sobre o meu 2011

Sempre que um ano está terminando, gosto de pensar um pouco sobre o que aconteceu, sobre as coisas que eu fiz, sobre as mudanças que aconteceram em mim e na minha vida. Este texto é um resumo das minhas conclusões – tá bem grande porque, infelizmente, ainda não adquiri boas habilidades de síntese. kkkkkkkkk

Os primeiros meses de 2011 eu poderia dizer que eu continuei praticamente a mesma pessoa de 2010. Ainda com os mesmos padrões, pensamentos, atitudes, círculo de amigos, coisa e tal. Eu tinha recomeçado o curso de Psicologia por conta da mudança de metodologia da faculdade. Estava, de novo, no primeiro período. Tentei dar o meu melhor nos estudos, mas problemas de relacionamento com as pessoas do curso e problemas constantes em casa me deixaram sem vontade de tentar melhorar neste aspecto. Concluí o semestre com notas boas, mas ainda assim, abaixo do que eu gostaria de ter tido. Muitas pessoas da faculdade se afastaram de mim, inventaram um monte de coisa ao meu respeito, fui mal interpretada em dezenas de situações. Definitivamente não foi um bom semestre no quesito ‘relações pessoais com os colegas de curso’.

Em julho, meu mundo virou de pernas pro ar. Consegui um emprego e estava participando de um treinamento que decidiria se eu conseguiria ou não a vaga. Eu estava louca pra conseguir, dando o meu melhor, pois então eu finalmente conseguiria pagar minha faculdade. No aperto, mas conseguiria. Eis que algo terrível aconteceu: eu e meu namorado fomos assaltados e perdemos tudo. Eu falei sobre isso neste post e foi uma experiência horrível pra mim. Eu chorei todos os dias durante muito tempo, demorei meses até ter coragem de sair de casa à noite de ônibus. Eu me sentia culpada, achava que deveria ter reagido,  pois tinha muita coisa em jogo, entre outros pensamentos e sentimentos confusos. Só de lembrar ao escrever esse texto, já começo a chorar de novo. Foi horrível pra mim. A sensação de impotência, de perder tudo que você estava conquistando, foi realmente frustrante e eu não gostaria de passar por isso de novo.

No outro dia, tive que acordar cedo e fazer algo que me parecia impossível: ir ao treinamento e fazer simulação de vendas. Pra fazer uma simulação, você precisa estar no mínimo bem humorado, atento às necessidades do cliente e calmo para conseguir negociar. Quando eu acordei pela manhã eu estava tudo, menos isso. Fiquei o tempo todo andando de um lado pro outro no quarto e chorando por não me achar capaz de conseguir fazer o treinamento. Meu namorado, Filipe, me ajudou muito, me deu carinho e amor para que eu pudesse me acalmar e pensar melhor. Juntei um pouquinho de força que eu nem sabia que tinha naquele dia e fui pro treinamento. Coloquei o que aconteceu em uma caixinha dentro do meu cérebro e guardei lá no fundo. Fui ótima no restante do treinamento e, dois dias depois, consegui a vaga.

Depois veio o meu aniversário e o do meu namorado (fazemos aniversário no mesmo dia, não é incrível?) e comemoramos num restaurante com alguns amigos. Foi bem legal e eu estava muito feliz por poder comemorar! Havia três anos que eu não fazia nada no meu aniversário. Depois vieram mais problemas familiares. Problemas familiares permearam 2011 inteiro, incrível como não tive sossego nenhum mês! Foi difícil pra mim lidar com os sentimentos que eram trazidos com essa questão familiar.

Em seguida, a bomba: a faculdade teria aulas quarta à tarde e as aulas do sábado passaram a ser obrigatórias. Eu trabalhava das 13:30 às 21:30 de segunda a sábado. Eu precisava fazer uma escolha. E fiz. Foi difícil pra caralho, mas larguei o emprego. Até tomar a decisão de largar, fui tomada por uma variedade de sentimentos, entre eles, a sensação de fracasso. Até que percebi que, ao contrário, eu estaria sendo forte ao largar o emprego, pois estava escolhendo continuar o meu curso, apesar de todas as dificuldades. Depois de um tempo da minha demissão, eu achei ótimo ter feito isso. O dinheiro era pouco, carga horária pesada, o trabalho em si era cansativo pra cacete, eu tinha que ouvir merda o dia inteiro, me atrasava 10 minutos e ouvia sermão, acumulei mais de 5 horas extras em menos de 1 mês de emprego e teve dia que eu larguei de dez e pouca da noite, entre outros problemas da função em si que nem vale a pena citar. Quando olho pra trás, vejo que fiz uma excelente escolha e fico orgulhosa da minha coragem porque sei o quanto foi difícil conseguir aquele emprego e como foi difícil largá-lo. Uma coisa muito boa que esse emprego me trouxe foi que eu senti que eu aprendi a me comunicar melhor. E isso se refletiu no segundo semestre de 2011.

Eu passei pouco mais de três meses bem deprimida. O assalto tinha me abalado, ter que largar o emprego não foi fácil pra mim, meu namoro não estava indo tão bem, amigos não existiam e eu não tinha mais paixão pelos estudos (mas eu estava conseguindo manter meu padrão de notas e, de fato, eu tirei notas infinitamente melhores que o primeiro semestre). Foi um período bem complicado pra mim e, novamente, eu tinha forças não sei de onde pra continuar lutando pelo meu namoro e pelo meu estudo. Eu lutei sozinha essas batalhas e consegui vencer. Tive um saldo bastante positivo de tudo isso, pois meu namorado amadureceu de uma forma incrível e se tornou um parceiro maravilhoso pra mim. Hoje em dia sei que, quando estiver cansada, posso dividir com ele o peso do mundo que carrego nas costas. É muito bom finalmente sentir que não estou mais sozinha. Sobre a faculdade, consegui elevar minhas notas a um nível muito bom, conseguindo ter várias médias 9, quando antes eu só ficava na linha dos 7 e 8.

Aos poucos, fui consertando e melhorando minhas relações pessoais na faculdade. Tive mais calma, menos pressa e soube me expressar melhor e com menos agressividade (eu não tinha a intenção de ser agressiva, mas sempre interpretavam que eu estava sendo), mas sempre deixando bem claro o meu ponto de vista. Acho que isso foi um aprendizado oriundo tanto do treinamento do emprego, quanto dos problemas que eu estava enfrentando no namoro. Sei que ainda não me comunico perfeitamente, mas a melhora obtida é digna de comemoração. :) Ainda sou muito mal interpretada e julgada erroneamente, mas eu acredito que faz parte. Nenhuma comunicação é perfeita. Você não tem como controlar como alguém vai receber e interpretar suas palavras. Você faz sua parte, o resto são variáveis que não se pode prever ou controlar.

Encerro o ano com uma sensação boa. De alívio. De satisfação. Mais um ano em que eu evoluí muito enquanto pessoa. Mais um ano do autoconhecimento que eu tanto busco e luto para obter. Um ano em que eu encerro pela primeira vez na minha vida tendo a certeza de que não estou mais sozinha. Mais um ano em que eu provei pra mim mesma o quanto eu sou forte. O mundo inteiro pode se acabar, mas eu tenho à mim. Ter a si e ter a força em si, é a melhor coisa do mundo. É o que me manteve de pé nas várias fases difíceis da minha vida e foi o que me fez sair, sozinha, do fundo dos vários poços que já estive. E eu ainda tenho a sorte de poder, pela primeira vez, contar com um reforço!

Querido 2011, obrigada pelas alegrias, obrigada pelas tristezas, obrigada principalmente pelas oportunidades de aprender a ser alguém melhor.

Querido 2012, estou ansiosa para descobrir por onde minhas escolhas irão me levar! Espero que 2012 me traga a calmaria após a tempestade e que eu possa aprender e evoluir muito mais! Espero ser capaz de melhorar meus defeitos, aprimorar minhas qualidades, me conhecer ainda melhor, ter ainda mais força, fazer mais amigos verdadeiros, amar mais, ter mais paciência e continuar tendo a capacidade de me afastar de tudo e de todos que me fazem ou querem me fazer o mal.

É isso, pessoal! Um beijo, obrigada por serem leitores fiéis do blog, apesar de eu ser uma escritora tão fuleira! kkkkkkkk Um ótimo fim de ano para todos vocês e um excelente 2012!

P.S.: Tentarei voltar em breve pra escrever algumas resoluções de 2012!

Tudo é maravilhoso, mas ninguém está feliz

Me deparei com esse vídeo mês passado e me identifiquei pra caramba, tanto nas partes em que eu realmente aprecio as coisas, quanto nas partes em que eu não as aprecio. Infelizmente, não achei o vídeo legendado pra ajudar os leitores que não sabem falar inglês, mas quem souber um pouquinho, vai conseguir entender pq a linguagem é bem simples. :)

Eu cheguei a pegar esse telefone que ele falou, o chamado telefone de disco. Tinha um muito lindo na casa da minha bisavó e eu adorava ficar girando e ouvindo o barulhinho que ele fazia. Eu lembro também da forma antiga de usar cartão de crédito em que tinha que usar aquelas folhinhas com carbono e passar aquela maquininha de pressão pra ‘imprimir’ as informações do cartão e tal. MELDELS, as coisas realmente eram muito trabalhosas e nossa vida ficou de fato muito mais fácil nos últimos anos!

A gente fica irritado quando o computador leva segundos a mais para carregar uma página e eu lembro de quando eu demorava pelo menos 3 minutos (em um dia de sorte) para conseguir apenas me conectar na internet discada (aquela que a gente esperava dar meia noite pra pagar apenas um pulso). Eu acho engraçado como a maioria das pessoas não gostam de voar de avião. Eu acho o máximo! Sempre peço o assento da janela pra ficar olhando a decolagem, as nuvens, a paisagem, a aterrissagem, ficar nervosa com o barulho do avião freando e achando que ele vai passar direto, etc. Sei lá, me dá um frio na barriga tão gostoso, é aquela coisa de: “pqp véio eu to voando manolo! dorgas rairairairairia”.

Enfim, tudo isso pra a gente pensar: porra, a vida tá mais fácil. Apesar das dificuldades que surgem a cada dia, surgem também facilidades. Eu não preciso sair da minha casa pra pagar conta, faço tudo pelo computador. Qdo to sem crédito pra falar com meu namorado, mando DM e ele recebe em SMS pelo celular por causa da parceria da TIM com o Twitter. Falo com meus amigos da Alemanha e Suécia em tempo real. Isso tudo e muito mais é fantástico e eu os aprecio, mas ao mesmo tempo, não dou valor à outras coisas.

Tenho uma praia praticamente na frente da minha casa e a última vez que eu fui, foi há 2 meses atrás. Tenho colegas que moram super perto de mim, mas que mal os vejo. Há 4 meses tem um cheque (modesto, mas ainda assim) do meu antigo emprego com minhas comissões que eu ainda não fui pegar pq o bairro é distante e eu não tenho carro, só dá pra ir de ônibus. Ah, eles também ainda estão com a minha carteira de trabalho. Vivo adiando coisas por preguiça. Me alimento mal a maior parte do tempo também por preguiça. Não estudo o quanto gostaria também por preguiça.

Enfim, o que eu quero dizer é que muitas facilidades eu consigo dar o devido valor, mas outras acabam passando desapercebidas. Eu conheço pessoas que são tão mal agradecidas com o que têm que chega a dar pena. Mês passado mesmo eu presenciei uma cena lamentável: aniversário da pessoa, ela chega em casa e lá está um bolo, vela, salgadinhos e doces e todo mundo grita: “surpresa! Feliz aniversário”. Sabe o que essa pessoa fez? Não sorriu, não agradeceu, não abraçou ninguém. Apenas disse: “ah mãe, não acredito que você gastou dinheiro com isso, com esse dinheiro que tu gastou, devia ter me levado pra comer fora hoje”. A cena foi tão lamentável que eu fui embora.

Você precisa parar pra pensar nas coisas e colocar prioridades na sua vida. Então, para cacete. Para agora e pensa: o que é importante pra você? O que é e/ou quem te faz feliz? Você está dando o devido valor a quem é importante pra você? Você anda priorizando coisas menos importantes e deixando de lado coisas e pessoas importantes? Você está se afastando de algumas pessoas pelos motivos certos? Você está se aproximando de algumas pessoas pelos motivos certos também? Qual o balanço maduro que você faz do ano de 2011? O que foi positivo? O que foi negativo? O que você espera de 2012? O que você espera fazer por você e pelos outros no ano de 2012? Você está indo atrás do que você quer? Você está sabendo dizer ‘não’ e afastar o que não te faz bem? Você está ajudando os outros? Você está tentando controlar seus impulsos, sua raiva, seus sentimentos e ser alguém mais gentil ou tá descontando tudo em cima de todo mundo?

Essas foram apenas algumas perguntas que eu pensei num intervalo de 10 minutos enquanto escrevi este texto. Tente respondê-las. Não com pressa, não formalmente. Apenas tente respondê-las. Pense. Reflita. Eu sei que o mundo não é ‘todo maravilhoso’ como o comediante do vídeo fala, mas tem cada coisa incrível! Tem pessoas que valem a pena! Pensa nisso, nem que seja pra discordar de mim, mas pense a respeito. :)

Vou tentar fazer um post até o final do ano com uma retrospectiva do ano de 2011, respondendo algumas destas perguntas e talvez até outras.

Beijo grande! Até a próxima!