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Mais um dos meus sonhos hiper-realistas

Tive um pesadelo horrível. Eu estava saindo da casa da minha avó com meu namorado, quando um cara que tava em cima de um caminhão ‘olhando’ os meninos jogarem bola simplesmente desce e resolve fazer cooper. Eu sempre desconfio de pessoas que mudam seu curso de comportamento quando eu passo e parei de andar, esperando ele me ‘ultrapassar’, com seu cooper. Virando a esquina, vejo ele e um outro cara se preparando pra puxar uma arma, puxo Filipe, meu namorado, e saio correndo. Eu era capaz de sentir o vento no meu rosto e os passos deles atrás de nós. De alguma forma eu sabia que eles não queriam matar, eles queriam maltratar, fazer maldade. Todo mundo da rua estava correndo, inclusive os meninos que, anteriormente estavam jogando bola. Todos resolveram se esconder atrás de uma outra esquina e puxei meu namorado pra entrari de novo no condomínio da minha avó pulando o muro (ele é muito baixo dava pra pular só de se apoiar principalmente pra quem vem correndo) e ir fazendo o contorno por trás pq tem um portão por trás que também dá acesso aos apartamentos, torcendo para que ele estivesse aberto já que tentar ir pelo portão principal nos fazia um alvo fácil. Quando passo pelo tal portão de trás, de alguma forma, o parceiro desse cara que vi no caminhão estava no chão baleado, sangrando e sorrindo com um celular na mão e ligando pro cara pra dizer que eu estava dentro do prédio. Entrei no apartamento da minha avó que, por sinal, não é o que ela mora, é um que ela já morou neste mesmo condomínio, mas não é o que ela está atualmente e mando meu irmão sair do video game (que fica na frente da janela) e ir pro local que eu indicava. Ele nao queria ir porque ele tava quase passando de fase e eu arrancava ele do quarto perguntando se ele queria morrer pq tinha um homem armado lá fora e nem ele nem minha avó pareciam dar a devida importância ao que estava acontecendo. Perguntei à minha avó se ela tinha trancado a grade do apartamento dela e ela disse que não. Peguei a chave e quando fui trancar, o tal homem estava na esquina do corredor. Tranquei o mais depressa que pude e entrei no apartamento no minuto que ele alcançou a grade e atirou. E então, eu acordei.

Puta que pariu. Os meus sonhos são muito realistas. Muito. Eu sinto e vivo cada pedaço como se fosse verdade, tanto que, alguns sonhos meus, têm continuação depois de 1 mês ou mais tempo! Raros são os sonhos que eu tenho em que não há uma história em seu desenvolvimento. Pode ser absurda, mas sempre tem uma história passível de ser construída. Quando os sonhos são bons, eu me divirto e acordo de ótimo humor. Quando são ruins, eles me consomem durante o dia com o medo, decepção, sejam lá quais forem os sentimentos que ele me despertou durante o sono.

Escolhas

Há momentos na vida que você simplesmente precisa se decidir. É como estar à deriva em um oceano: ou você usa o resto de suas forças pra escolher um lado e nadar até suas energias se esgotarem e você encontrar a terra, ou tentar pensar em outra forma de conseguir sobreviver. Eu estava me sentindo à deriva. Eu me sentia sufocada, asfixiada. Na minha rotina eu não tinha sequer 1 hora sobrando durante um dia da semana pra estudar. E, quando tive, por ter largado bem mais cedo da faculdade, eu estava tão mentalmente exausta por conta de todo stress do trabalho, que não consegui render nada.

Ainda havia problemas de, digamos, logística, no que se referia à faculdade. Eu tenho um laboratório importantíssimo e riquíssimo na quarta feira à tarde, horário de trabalho. Além disso, eu tenho uma vez por mês atividade de integração que eu preciso participar se quiser me candidatar à monitoria, bolsa em projeto de pesquisa, etc e, adivinha? Também trabalho aos sábados. Além disso, a avaliação mudou e todo começo do mês eu terei 2 avaliações: uma de Oficina e uma Cognitiva. Se eu não tenho tempo nem pra estudar e conseguir fechar os casos da semana, quanto mais tempo para estudar para a avaliação?

Essa oportunidade de emprego foi maravilhosa. Aprendi tanta coisa que nem consigo enumerar. Descobri que consigo trabalhar em um nível elevadíssimo de pressão e estresse sem explodir. No trabalho, dava conta de tudo, mas ao chegar em casa, o estresse e o cansaço mental faziam efeito. No outro dia, só de pensar que teria que ir trabalhar e enfrentar tudo de novo, meu coração acelerava e eu chorava feito criança. Depois de um tempo e um bom banho, me acalmava, colocava minha farda e ia enfrentar mais um dia. Descobri muitas coisas boas sobre mim, descobri talentos e capacidades que achei que não tinha. No geral, foi uma experiência muito positiva.

Foi, e o verbo está no passado, porque, como eu ia dizendo, há momentos na vida em que precisamos fazer uma escolha. Eu me via sufocada, num beco sem saída, precisando tomar uma decisão rápida e sábia. De um lado, trabalho + faculdade competindo. Sem tempo de me dedicar aos estudos como sempre me dediquei (sempre tirei notas excelentes), sabendo que seria uma estudante, no máximo, mediana. Do outro, a possibilidade de largar o emprego, conseguir algo novo e diferente, ou ainda arranjar outra solução, buscar algo que me permitisse dedicar àquilo que amo: meus estudos em Psicologia. Eu escolhi o meu curso.

Enquanto eu pensava em me decidir fiquei achando que se eu deixasse o emprego, eu estaria sendo fraca, desistindo, jogando a toalha. Depois eu percebi que ser forte não é ser como uma rocha que aguenta tempestades, tornados, incêndios. Porque no final das contas, ela vai ser sempre uma simples pedra. Percebi que ser forte é ser resiliente. É saber contornar as dificuldades e tomar decisões que podem ser difíceis, mas que vão garantir sua felicidade. É como uma árvore que precisa perder suas folhas no outono para florescer na primavera. Quando eu percebi isso, eu sabia que eu não estava sendo fraca ou desistindo. Pelo contrário, percebi que eu estava sendo muito forte em escolher o que é mais importante na minha vida e ter a coragem de enfrentar seja lá o que viesse pela frente.

Ser forte não é simplesmente ficar parado e aguentar porrada. Ser forte é saber que você merece mais do que tem e que para conseguir seus objetivos, você precisa escolher o que é mais importante pra você. É saber que você nunca precisou e não precisa se adequar ao que os outros consideram como ‘forte’. É saber o quanto é difícil tomar uma decisão e aceitar todas as responsabilidades e consequências dela. É saber o que você precisa e o que você merece. É se conhecer, saber o que você quer para si mesmo e ter a coragem de ir atrás do que quer. Ser forte também é saber dizer não.

Estou feliz e satisfeita com a minha decisão. Eu senti que isso era o melhor pra mim, pro meu futuro, pra minha vida, pra minha saúde, e eu respeito minhas decisões. Eu não desisti, eu não fracassei. Eu senti que precisava fazer uma escolha… Então eu escolhi!

“You can occupy my every sigh,
You can rent a space inside my mind
At least until the price becomes too high”

She Wants Revenge – Red Flags And Long Nights

Nova Fase…

Mais uma fase da minha vida se inicia a partir de hoje. É uma fase muito comum entre aqueles no início dos seus vinte-e-poucos-anos. Você precisa conciliar a faculdade, o trabalho, o lazer e a vida pessoal em um dia que, infelizmente, tem apenas 24 horas. Vai ser o começo de um grande desafio pra mim.

Eu, que nunca tive horário pra nada, que sempre me organizei dentro do que eu estava afim de fazer naquela hora para cumprir todas minhas responsabilidades agora me vejo em um planejamento totalmente diferente. Agora não posso mais me dar ao luxo de começar e terminar um trabalho na véspera do dia que é pra entregar. Nem me dar ao luxo de simplesmente ficar navegando na internet sem fazer nada o dia todo. Vou precisar de muita disciplina pra organizar meu tempo, minha energia e a minha vida dentro destas 24 horas.

Basicamente meu dia será assim: acordar às 6:40, chegar na parada de ônibus às 07:30 para começar a aula da faculdade às 08:00. Sair mais ou menos de 12:00, pegar outro ônibus, ir pra casa, engolir o almoço, tomar um banho pra chegar limpa, cheirosa, maquiada e arrumada no trabalho às 13:30. Largar de 21:30, falar com o namorado, ver minha vida on line, tentar estudar e, dormir até as 22:40 pra conseguir ter, pelo menos 08 horas de sono e não ficar feito um zumbi no trabalho. No sábado eu também trabalho até as 13:00 da tarde. O que restar do sábado e o domingo vou dividir entre descanso, namorado, amigos e estudo. Será que sobrevivo?

Se algum de vocês já passou por isso ou está dentro de uma rotina apertada como a minha pode me dar alguma dica ou conselho? Na verdade, acho que preciso de uma indicação de um bom vitamínico energético em cápsulas! Hahahahaha

You can’t bring me down

Do nada eu lembrei de uma coisa totalmente nada a ver para o momento que estou vivendo na minha vida agora. Lembrei das dezenas de pessoas que inventaram mentiras sobre mim, que me interpretaram mal de propósito para se satisfazer, que criaram histórias sobre mim para satisfazer o oco dentro de si mesmas, que tantas vezes tentaram e ainda tentam me prejudicar. Lembrei das pessoas que, intencionalmente, se aproximaram dos meus ‘amigos’ e, lentamente, os envenenaram contra mim. Lembrei também dos ‘amigos’ envenenados que, depois que perceberam a injustiça que cometeram comigo, vieram me pedir desculpas. Lembrei, enfim, dessas pessoas nojentas e medíocres que, infelizmente, existem e permeiam nossas vidas e que machucam tantas pessoas. Nunca estamos livres de pessoas assim, mesmo nos momentos mais felizes de nossas vidas. O que me deixa feliz ao lembrar de todas essas pessoas é que mesmo que muitas delas tenham pegado MUITO pesado comigo, nunca me derrubaram. Abaixo, uma música que fala bastante por si só:

You Can’t Bring Me Down – Suicidal Tendencies

“What the hell’s going on around here?
First off-let’s take it from the start
Straight out-can’t change what’s in my heart
No one-can tear my beliefs apart, you can’t bring me

You ain’t-never seen no one like me
Prevail-regardless what the cost might be
Power-flows inside of me, you can’t bring me

Never-fall as long as I try
Refuse-to be a part of your lie
Even-if it means I die, you can’t bring me

You…can’t…bring…me…down!

Who the hell you calling crazy?
You wouldn’t know what crazy was
If Charles Manson was eating fruit loops on your front porch….

Time out-let’s get something clear
I speak-more truth than you want to hear
Scapegoat-to cover up your fear, you can’t bring me

You ain’t-never seen so much might
Fight for-what I know is right
What up-you got yourself a fight, you can’t bring me

Stand up-we’ll all sing along
Together-ain’t nothin’ as strong
Won’t quit-we ain’t in the wrong, you can’t bring me

You…can’t…bring…me…down!

Just cause you don’t understand what’s going on don’t mean it don’t make no sense
And just cause you don’t like it, don’t mean it ain’t no good
And let me tell you something;

Before you go taking a walk in my world
You better take a look at the real world
Cause this ain’t no Mister Roger’s Neighborhood

You…can’t…bring…me…down!”

Descontos, copos meio cheios e meio vazios

Hoje eu atendi uma família super legal. Os pais e os filhos eram bem entrosados, sempre brincando um com o outro, uma atmosfera bem bacana. Eles tinham ido lá porque a mãe conseguiu um emprego numa escola que tem convênio conosco e, portanto, tem um percentual de desconto. Então eles foram matricular a filha mais nova e reajustar a matrícula da filha mais velha (que já tinha sido matriculada) pra incluir o desconto maior graças ao emprego da mãe. Quando informei o custo relacionado às parcelas da filha mais velha, com o novo (e maior) desconto, o pai reclamou: “ué, só tem 10 reais de desconto em cada parcela?”

Expliquei que ele já tinha um percentual de 20% (que é o mesmo percentual oferecido a quem paga o curso à vista, ou seja, o desconto máximo), por pagar sempre pontualmente. E que o convênio da escola que a mãe trabalha dá um desconto percentual de 25%. Então ele argumentou: “então eu só ganhei um desconto de 5%”. Não, senhor. O seu desconto total é de 25%. E ele ficou “teimando” comigo que ele tinha ganho um desconto de apenas 5%. Eu disse que era uma questão de interpretação e que ele poderia entender desta forma, mas que, na verdade, o seu desconto total era de 25%. Ele não aceitou e ficou irritado por eu não concordar com ele. Primeiro de tudo, vamos à explicação matemática de porque o desconto dele não foi de 5% com uma simulação simples.

Vamos supor que o curso da filha custa 6 parcelas de 300 reais. Com 20% de desconto, ele cai para 240. Com 25% de desconto, ele cai para 225 reais. Certo? Se ele considera como desconto apenas o que ele recebeu hoje, pois ele já tinha os 20%, então 240 vira o valor total (100%) e, para que esse valor caísse para 225, significaria que, dentro dos 240 reais, ele teria ganho 6,25% de desconto, pois: 240 – 6,25% = 225. Eu não quis perder tempo explicando isso à ele porque ele obviamente não queria ouvir nenhuma opinião, prova científica ou matemática que mostrasse à ele que o desconto não era de 5%.

Enfim, enquanto ele falava, eu só me lembrava da história dos copos meio cheios ou meio vazios. Ele preferia ver que ele só tinha ganho 5% de desconto. E eu, que ele tinha ganho 25%. Matematicamente falando, ele estava errado, como eu já mostrei, mas a questão à qual eu quero me referir é sobre a visão que ele teve da situação como se seu desconto fosse pouco quando, na verdade, era de um quarto em cada parcela.

No final do debate, perguntei: “o senhor deseja ficar com o desconto de 20% ou de 25%?” A resposta dele não poderia ter sido mais engraçada e, no final das contas, mais irônica: “você acha que eu sou idiota? claro que é o de 25%, minha filha!”.

A vida e tudo que há dentro

Hoje faz (ou fazem, não me lembro da regra) 5 dias que eu fui assaltada com o meu namorado. Dia este em que perdemos tudo. Diariamente eu revivo aquele momento, no mínimo, 20 vezes. Quando acordo, durante o dia e, principalmente, antes de dormir. Ainda me parece surreal ter perdido tanto em tão pouco tempo.

A cada vez que relembro aquele pesadelo, penso que deveria ter feito algo diferente: que deveria ter gritado, que deveria ter corrido, ou ainda me negado a dar a bolsa, ter brigado com eles, ter pego o ônibus que tinha passado minutos antes, mas que ia demorar mais pra chegar em casa, ter ficado mais tempo no restaurante conversando… A vida é esse emaranhado de coincidências e nós, sem saber, acabamos tecendo o nosso destino a cada mini decisão que tomamos.

Esse sistema é justo, mas ao mesmo tempo é cruel. A impossibilidade de voltar ao tempo e consertar algo pífio como ter pego aquele ônibus que tava lotado e que ia te fazer demorar mais a chegar em casa, de repente ganha uma importância tão grande. Eu teria minhas coisas, meu dinheiro, meu namorado teria o notebook dele e as coisas que lutamos tanto pra comprar.

Às vezes fico pensando nisso e me culpando. Mesmo sabendo que tomei minhas decisões às cegas, sem saber qual seria o meu destino, às vezes me sinto culpada. Às vezes me sinto como naquele filme ‘Efeito Borboleta’, que mostra perfeitamente como a vida funciona, como tudo é a mais pura teoria do caos. Às vezes fico desejando ter aquele poder de voltar um pouquinho no tempo e ter evitado aquilo, ou até mesmo me arriscado a fazer alguma coisa.

O medo de morrer congela a gente. O medo de morrer me congelou. O medo de morrer congelou o meu namorado. Já tentaram assaltar meu namorado muitas vezes, mas ele sempre reagia e nunca levavam nada. Desta vez, ele não reagiu pq teve medo de me perder. Me perder era pior do que perder a mochila, o notebook e tudo que havia neles. Mas, ainda assim, eu queria saber o que teria nos acontecido se tivéssemos coragem pra dizer não. Se, por um minuto, tivéssemos perdido o medo da morte e de perder o outro. Às vezes me pergunto se teria funcionado, se ainda teríamos um ao outro e teríamos nossas coisas. Infelizmente, eu nunca vou ter essa resposta.

O fato é que eu e ele, naquele segundo, tomamos nossa decisão de, pacificamente, entregar nossas coisas e isso nos trouxe ao momento que estamos agora. É incrível como uma experiência compartilhada por 99% das pessoas teve um impacto tão grande em mim. Deve ser porque eu não aceito. Deve ser porque eu não consigo achar normal ou comum. Deve ser porque eu discorde de todo mundo no que se trata da maioria das coisas. Se tomarmos a definição de normal como ‘aquele que pertence a uma maioria’, certamente eu não sou. Ainda bem. Acho que eu não me reconheceria no dia que achasse normal alguém chegar até você e, por ameaça de tirar sua vida, levar tudo que está dentro dela.

Esse assalto me fez passar por duas coisas extremamente difícieis: o assalto em si; e trabalhar sorrindo no outro dia. Meu trabalho não me permite que eu simplesmente chegue, sente na minha cadeira e faça o meu trabalho. Eu me relaciono com pessoas 24h por dia. Eu não posso estar emburrada, eu não posso estar distraída, eu não posso estar triste ou mal humorada. Eu preciso estar bem.

Ao acordar no outro dia, 99,99% de mim tinha certeza que eu não ia conseguir fazer aquilo. Que, além de ter levado todo o material do meu treinamento, aqueles ladrões tinham levado toda motivação que eu sentia pro meu trabalho. Nunca foi tão difícil colocar uma roupa e sair de casa. Nunca foi tão difícil guardar tudo aquilo que eu tava sentindo, e que tinha acontecido comigo há apenas algumas horas atrás, dentro de uma caixinha, esquecer, sorrir e continuar meu treinamento. O fato de eu ter conseguido fazer isso me deu uma força tão grande, me deu uma sensação de que eu iria conseguir recuperar tudo o que perdi e ainda conseguir tudo melhor.

Foi como um treinamento intensivo de 1 dia em psicologia clínica. Pq, futuramente, na minha profissão (caso eu decida exercer a clínica), meu mundo pode ter se acabado, mas eu vou ter que honrar o compromisso que firmei com meus pacientes e estar no local e horário marcado não apenas fisicamente, mas psicologicamente também. Pronta pra fazer o melhor que puder pra ajudar aquela pessoa. O dia seguinte pra mim foi, realmente, uma prova de fogo.

Tava vendo uma reportagem esse final de semana e um senhor contou que, em 12 anos, foi assaltado mais de 60 vezes. Façam as contas: 12 anos tem 144 meses; dividido por 60 assaltos dá uma média de, aproximadamente, um assalto a cada um mês e meio. Isso é um absurdo! Como pode alguém tirar algo que é seu de direito através da força? Só porque você tem uma arma, porque é mais forte, significa que você tem o direito de tomar o que é meu? Não. Não tem. Isso é loucura.

Mesmo pensando nisso várias vezes ao dia, mesmo sabendo que todas aquelas coisas que tinham dentro da minha bolsa e que eram tão importantes pra mim não vão valer de nada pra eles, ser jogadas no lixo ou serem vendidas por valores ínfimos, mesmo sabendo que eu posso e vou me recuperar, mesmo sabendo que eu tenho minha vida e a vida do meu namorado, eu desejo muitas coisas negativas àquelas pessoas.

Não precisava nem sofrer, pra mim já me bastaria saber que eles deixaram de existir, que morreram. Eu não penso em vingança ou sofrimento, eu não acho que um mal se conserta com outro (mesmo que a gente acabe desejando isso às vezes). Eu me sentiria melhor só de saber que eles não existem no mesmo mundo que eu. Talvez isso soe mal, talvez eu deveria tentar perdoar, mas eu não acho que deva. Preciso ser sincera comigo e com os meus leitores de como eu me sinto. Eu, muito honestamente, desejo que eles morram.

Tirar a vida de outra pessoa é horrível, mas tão ruim quanto é estuprar uma mulher; tão ruim quanto é aplicar um golpe num aposentado que usa aquele dinheiro pra pagar seus remédios e se manter vivo; tão ruim quanto é tirar de alguém aquilo que é seu, que lhe é de direito, por meio da violência e da força; tão ruim quanto é não respeitar o direito e a liberdade do outro; tão ruim quanto é mentir e manipular para prejudicar a vida de alguém; tão ruim quanto é, inclusive, preservar a vida, mas negar ao outro tudo que há dentro dela.