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A difícil tarefa da inclusão

Os que acompanham a página do ‘Estava Pensando’ no Facebook viram que na sexta-feira eu estive na rádio CBN Recife, em um debate sobre a inclusão social e escolar de pessoas com deficiência juntamente com as Terapeutas Ocupacionais Thaisa Ângelo e Nara Sandes da empresa Inclusão Eficiente. Ao final do programa, me comprometi a colocar um conteúdo exclusivo no site para auxiliar pais e professores nesta inclusão. O debate foi ao vivo e, se disponibilizarem o áudio, coloco aqui no site.

AntMateres de chegar ao material propriamente dito, gostaria de falar um pouco sobre o assunto. A lei 13.146/15, conhecida como a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, ou ainda, Estatuto da Pessoa com Deficiência, entrou em vigor no ano de 2016. Porém, desde a sua sanção, em 2015, muitas escolas e professores ficaram de cabelo em pé, por não saber como agir diante da inevitável demanda que os aguardaria este ano. Dentre muitos outros dispositivos, de acordo com esta lei, fica vedada à escola negar ou ainda cobrar taxa adicional aos alunos com deficiência. No entanto, na prática não é o que vemos acontecer. Na clínica ainda chegam relatos dos pais informando que a escola de repente ficou sem vaga ao saber que se tratava de uma criança com deficiência.

Além disso, a inclusão ainda não é realizada de forma adequada. Muitas instituições ainda praticam uma inclusão “café com leite”, que apenas incluem a criança fisicamente na sala de aula sem, de fato, incluí-la nas atividades e no cotidiano escolar e social. Incluir significa fazer parte, sendo assim, a inclusão social/escolar de crianças/pessoas com deficiência é garantir com que elas sejam participantes da vida social, familiar, política e econômica. Para isso, é preciso que, antes de tudo, a instituição, os professores e a sociedade concebam a pessoa com deficiência como, de fato, pessoa. Uma pessoa que têm uma condição específica que é a deficiência, mas antes de tudo, uma pessoa.

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Para todos que trabalham com este tipo de público, um grande desafio a ser trabalhado é a família. Às vezes a família não aceita a condição de seu filho e está no que se chama “fase do luto”. A falta de apoio psicológico especializado dificulta este processo que tem como consequência, uma relação inadequada ou até mesmo insuficiente da família com a criança. Atualmente, com o aumento dos casos de microcefalia, são muitas as crianças abandonadas por seus pais e até mesmo suas mães. A família também precisa de cuidados, mas muitas vezes ela é cobrada a ter uma série de posturas e atitudes que ainda não têm condições porque lhes falta um olhar que perceba o quanto ela é importante e o quanto ela também precisa ser cuidada. Este cuidado psicológico pode se iniciar desde a gestação e ocorre, em geral, após a notícia do diagnóstico. Muitos hospitais/maternidades (inclusive públicos) contam com psicólogos para auxiliar as gestantes que se encontram internadas e também pacientes dos mais variados setores.

Um comportamento muito comum encontrado nas famílias que ainda se encontram desajustadas, é uma ausência de corresponsabilização: elas jogam toda a responsabilidade do tratamento e evolução das crianças nos profissionais da equipe multidisciplinar, nas escolas, e pouco seguem as orientações que são dadas para uma continuidade do tratamento em casa. No entanto, quando a família consegue perceber sua corresponsabilidade no tratamento e cuidado da criança, é nítido o quanto o trabalho tem um desenvolvimento muito melhor.

Curso em Recife do grupo Inclusão Eficiente – contato.pe@inclusaoeficiente.com.br

Por outro lado, há também uma grande culpabilização do professor, fazendo com que ele seja taxado de não aceitar, não fazer, não acolher, entre outros. Porém, sabemos que, além de muitas vezes o professor não estar preparado para este tipo de demanda, questões como uma alta carga horária causada por baixos salários e pouco investimento dos gestores na formação desdes profissionais são frequentes. Então as instituições de educação precisam se preparar e também preparar os profissionais da casa. Além disso, os alunos com e sem deficiência também precisam de diálogo sobre este encontro pois, assim, diminui-se a probabilidade de casos de bullying e possibilita o desenvolvimento de competências e habilidade como a generosidade, paciência, altruísmo, respeito às diferenças, entre muitos outros.

Tendo tudo isso em vista, percebo que as barreiras atitudinais são, portanto, as mais prejudiciais a uma inclusão social e escolar de qualidade. Como falei anteriormente, precisamos colocar na linha de frente a compreensão de que a pessoa com deficiência é, antes de tudo, uma pessoa. E que ela têm condições de aprender que são diferentes e que nós precisamos descobrir com ela que condições são estas, que estratégias são facilitadoras e quais são dificultadoras deste processo. Para a Psicologia, a ideia de inclusão está intimamente vinculada à ideia de uma vida com sentido. Portanto, não basta estar dentro de um lugar, é preciso participar, pertencer e perceber um sentido e realizar este sentido. Não existe uma cartilha que diga como devemos agir em situações e circunstâncias X, Y ou Z. Essa preparação é muito mais no sentido de uma abertura à experiência com o outro. Este é o ponto chave. Vamos nos permitir? :)

Bom, então vamos ao material que prometi na rádio e também no início desta postagem! É um e-book com um Plano Educacional Individualizado que é útil não apenas para identificar os pontos fracos, fortes e o que ajuda os alunos com deficiência, mas ainda pode ser adaptado para aplicar em sua casa ou sua empresa, por exemplo. Preencha o formulário abaixo e ele será enviado diretamente para o seu email!




Espero que tenham gostado!

Nathálya Calina


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